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Abandoned: Fim

E aqui está o último capítulo.
É verdade, já acabou, e como o ditado diz: "Tudo o que é bom não dura para sempre."´
Esperemos que tenham gostado da história da Tina.
Comentem este último capítulo para a Tina saber quais as vossas opiniões sobre o capítulo, mas aproveitem também para darem a vossa opinião sobre a Fanfic em geral.

Abandoned
39º Capítulo

Olhei pela janela do quarto escuro.
Não ia tardar a amanhecer.
Encostei a cabeça ao vidro frio.
Tudo era muito linear naquele momento. Podíamos até enumerar a quantidade de coisas sem sentido e, na maioria dos casos, horríveis, que tinham acontecido naquele dia… Afrodite ganhara coragem, eu faltara ao ritual mais importante do ano, Erik seguira-nos, Erik mudara, Erik descobrira… Stevie Rae matara Kayla, Stevie Rae voltara a ser diferente, Stevie Rae voltara a mudar um pouco, Afrodite encontrara Vénus, Neferet apanhara-nos, Loren era companheiro de Neferet, eles tinham impressão, Loren não me amava, Afrodite matara Vénus, eu tinha lutado com Neferet, eu tinha provocado uma explosão, eu começara uma guerra civil, Theodora descobrira-nos, nós descobríramos Theodora, Stevie Rae matara o marido dela, Afrodite reaparecera agarrada a um corpo…
Não, nada daquilo me chocava, me fazia rir ou chorar, naquele momento, até achei que a maioria das coisas seria previsível se eu tivesse tomado atenção, coisa que não fizera… Estava ali, perdida, no quarto branco e etéreo, que não condizia com a aquela casa, eram seis e meia da manhã e já se viam alguns raios de sol.
Lá fora, as coisas haviam acalmado, mas eu ainda via aqueles que estavam de pé, a agredir-se mutuamente. Mas agora eu via mais do que isso.
Eu via as pessoas. Eu via pessoas que levantavam cadáveres, eu via pessoas que choravam a sua morte, eu via aqueles que estavam feridos, os que os socorriam… Naquele momento, eu sentia-me péssima, e não era apenas por causa de todas as coisas que me tinham acontecido, mas também porque a minha estranha nova capacidade permitia-me sentir vagamente as centenas de emoções que percorriam todos os que via.
Devia ser assim que Neferet fazia. Ela tinha uma estranha consciência de tudo o que a envolvia, e a minha caminhava para ai. Mas eu sabia que tinha algo mais, pois não estava apenas a sentir dor, mágoa, agonia, tristeza e sofrimento, mas também a sentir uma brisa leve afagar-me o cabelo, ondas suaves acariciar-me os pés, um cheiro a terra molhada nas narinas, e um estranho calor por todo o corpo.
Só não se revelava os Espírito. Calculei que aquilo fosse um luto, que o Vento me consolava, a Água descansava, a Terra chorava e o vento prometia-me manter-se sempre perto de mim. Nyx não quisera aquilo, mas aquilo acontecera, e agora os elementos choravam as mortes, tanto humanas como vampyricas.
E o Espírito? Esse fazia o seu luto escondido algures dentro de mim, dando-me uma força secreta para conseguir enfrentar tudo…
A porta rangeu por detrás de mim.
-Z…Zoey? –soluçou alguém.
-Afrodite? –virei-me, instintivamente, para a encarar –Estás melhor?
-Não… Sinto-me péssima… Aliás, eu devia ter previsto aquilo, foi a pior coisa que já me aconteceu…
-Fizeste bem, ela não ia mudar.
-Talvez fosse… Talvez nós conseguisse-mos fazê-lo, com tempo…
-Talvez… -concordei, vagamente –Mas talvez é uma palavra muito vaga, e ultimamente tem sido demasiado utilizada… Se não tivesse mudado, as consequências seriam bem piores, então, mais vale jogar pelo seguro…
-Matando a minha melhor amiga… -murmurou ela.
-Sim, matando a tua melhor amiga.
O olhar dela tornou-se frio e distante, acusador.
-Pois, mas existem preços demasiado elevados Zoey! Aqueles gostos que não ias querer provar, mesmo que isso te custasse a vida, a ti ou aos outros! E não me venhas com tretas sobre o egoísmo, poorque sei muito bem que nada te faria matar Stevie Rae!
Ela deixou-me sem palavras.
-Tu tiveste força parao fazer. Parabéns, eu não te mandei fazê-lo, seguis-te o teu instinto. Procura dentro de ti, e vê a resposta!
-Eu estou farta dessas tretas! Quero-a de volta!
-Matáste-a, não a podes ter de volta. Tenho pena Afrodite, vai dormir, isso vai passar.
Ela encheu-se de raiva, mas saiu e bateu com a porta, pesadamente.
Tinha-lha dado um conselho, mas não o ia seguir.
Voltei à janela e chorei pesadamente, em conjunto com todos os outros, e quando não podia aguentar mais, dirigi-me à cama e deitei-me.
Mas nem nessa altura parei de chorar, imaginando cada pessoa e o seu papel ali.
Erin, Shaunee e umas botas, vinham-me à cabeça, e faziam-me sorrir, mas o sorriso morria ao pensar nas lindas botas que deviam estar agora manchadas de sangue, ou mesmo desfeitas.
Damien e Jack, abraçados e a sorrir-me, o que me fez alegre, antes de me lembrar que talvez se estivessem a abraçar de medo, e o seu sorriso fosse substituído por um medo terrrivel.
Alisha e Luke, a discutir sobre qualquer coisa idiota, e depois enrolados na marmelada a um canto, imaginei-me a reclamar com eles, a dizer-lhes para manterem as suas palavras, mas eles não me ligavam… E depois, pensei, talvez tivesse sido a ultima vez que o fizera-mos.
Jason… A chorar a um canto, depois de me ver com Erik… Eu era uma galdéria, e nada naquela memória me fazia sorrir, apenas chorar mais.
As lágrimas enchiam-me a cara, ensopavam a almofada, já tinha sorvido mais um gole de sangue, mas só me afundava mais, sem solução nenhuma para aquilo. Estava para morrer, sem esperança, uma única memória feliz que me consolasse… Rebusquei todos os cantos da minha memória, mas não encontrei nada que não fosse imediatamente transformado em algo horrível e nojento… E quanto começava a desesperar, lembrei-me que algo se mantinha normal e inquebrável, no meio de tudo.
Levantei-me, esfreguei os olhos para afastar algumas lágrimas e fui ate ao quarto ao lado, deitar-me na cama.
Ele não comentou, não disse nada, mas passou-me o braço à volta da cintura.
Naquele momento, os nossos pensamentos eram semelhantes, dirigidos ao mesmo propósito, e igualmente carregados de agonia.
-Amo-te –murmurou, ao meu ouvido, e foi como se tivesse levado uma estalada.
Amo-te, era apenas o que queria ouvir, o que me manteria livre de tudo, porque ele estaria sempre ali, e eu estaria sempre ali, por isso não valia a pena pensar em mais nada.
Fechei os olhos e relaxei, e foram apenas estes os meus pensamentos, que recordei de uma tarde em que tinha falado com a minha avó, antes de cair num sono profundo:
“Quando mais nada parece estar certo, agarra-te a quem amas, a aquém desejas, a quem queres… Agarra-te à esperança de um fim, à vontade de te sentires amada… Agarra-te aquilo que te faz sentir viva e respirar, agarra-te ao que te faz viver cada dia, dar cada passo…Agarra-te ao Amor que te foi dado, não penses mais, mas deixa-te levar…”

Bjs,
Tina!

Abandoned: Mentiras

Olá pessoal!
Desculpem eu não ter postado na terça mas tive uns problemas na net.
Este é o penúltimo capítulo, na próxima terça-feira vai ser o último capítulo.
Espero que estejam a gostar e claro comentem, a Tina fica muito contente.




Abandoned
38º Capítulo

Estávamos na sala.
Afrodite tinha ido vestir-se e não voltara a aparecer, pelo que calculei que tinha ido dormir.
Erik estava sentado ao meu lado, absorto em qualquer coisa que eu não conseguia pressentir, e Theodora andava de um lado para o outro a olhar pela janela, ansiosamente.
Quando o silêncio se tornou insuportável, virei-me para Erik:
-O que é que se passa? –perguntei, baixinho.
Ele fechou os olhos, concentrando-se.
-Tenho sede, muita sede.
Olhei para Theodora, mas ela pareceu não se aperceber que tínhamos falado.
-Não consigo suportar –continuou ele –Consigo sentir tudo nela, o coração a bombear o sangue delicioso, a jugular a pulsar no pescoço, cada único capilar que pulsa na pele dela… Está a matar-me.
-Eu sei –respondi –Conheço isso… Parece ter-te possuído, não te deixa respirar sem a olhares, sem a sentires e desejares… Parece chamar-te, e só queres passar lá a língua, sentires o liquido fluir nos teus lábios… Mas melhor ainda será quando lhe tocares realmente, a explosão de sabor, o desejo por mais…
Agora estávamos ambos a olhá-la, e quase a salivar.
Estremeci e abanei-me, afastando o pensamento.
Tirei o frasco pequenino do bolso e abri-o.
-Toma, bebe um pouco.
Ele olhou-me com estranheza, pegou no frasco e cheirou-o.
O aroma dominou-o e ele deu-lhe um golo.
Abriu os olhos, espantado.
-Por Nyx! Zoey, onde arranjas-te isto?!? E o que é?
“É Nyx…” pensei, ironicamente.
-Não interessa, mas é bom o suficiente para acalmar o estômago.
-Zoey… -murmurou, olhando-me –Tu não…
-Claro que não! Não matei ninguém, não é o sangue do Heath, e não o retirei de nenhum ser vivo!
-Então… Como o arranjas-te? .perguntou.
-Já te disse que não é da tua conta!
Ficámos um bocado em silêncio, até que Theodora se veio sentar à nossa frente.
-E agora? –perguntei-lhe.
-Pois… -respondeu –Não sei… Segundo a tua história, não podem voltar para a Casa da Noite, então a vossa única opção será ficarem aqui…
-Quer dizer aqui? Aqui em sua casa?
-Pois, não encontro uma outra solução… Não deve haver problema, ficam nos quartos que vos preparei…
-E –acrescentou Erik –Como eu já sou vampyro, tu e a Afrodite estão seguras, porque estarão sempre perto de mim.
-Mas fazemos o quê? –insisti –Não podemos viver aqui para sempre, à muita coisa para fazer!
-.Podemos sempre ficar aqui até encontrarmos uma solução…
-Não –protestei –Há demasiada gente a sofrer, lá fora, neste preciso momento! O que é que fazemos por eles?
Ele suspirou.
-Zoey… Não podemos estar sempre em todo o lado a salvar o mundo todo! Não existe maneira de salvares toda a gente, e há quem tenha de partir agora, não podemos fazer nada por esses…
O quê? Ele só podia estar louco! Não podíamos fazer nada por eles… Podíamos, podíamos salvá-los, podíamos arranjar-lhe outra oportunidade, ou podíamos ficar ali, naquele abrigo, sem fazer nada.
Nesse momento, Lord apareceu, e gatinhou para cima de mim.
-Acho –disse Theodora –Que ele quer falar contigo.
Olhei-a, confusa.
-Ele diz que falou com a… Alisha? –fitei-a com mais atenção, e acenei com a cabeça –Ela… Ela diz que Neferet está louca… “Loren foi Morto” é o que ela anda a gritar! Está tudo um caos lá fora, o Jason foi-se embora, diz que vos viu –“Que nos viu” pensei, ele devia ter-me visto com Erik! Coitado… -Ela está com o Luke… Uma rapariga loira queria matá-la por não lhe dizer o que te tinha acontecido… Ela estava com uma negra… Erin, era o nome dela, e a outra psicótica era a Shaunee… Quer saber onde estás… E porque demoras… Zoey, o que te aconteceu?
Paralisei, sem perceber bem. Erin e Shaunee estavam bem, o que era um alivio, e tinham tentado matar Alisha, o que quer dizer que não estavam magoadas, mas não podia deixá-las saber de mim.
-O que queres que ele lhe diga? –perguntou Theodora.
Pensei, por uns momentos, mas descobri que era a minha única opção.
Virei-me para o gato preto no meu colo, que me fitava com os grandes olhos azuis, como se previsse o que ia dizer.
-Diz-lhe que morri, que encontras-te o meu corpo.
Erik fitou-me, chocado, e Theodora olhou-me compreensivamente.
-Vais magoá-la. –disse, dando voz aos pensamentos de Lord.
-Eu sei que sim –murmurei –Mas dessa forma ela não me procurará, qualquer outra forma seria demasiado perigosa…
E juro que o vi acenar com a cabeça!
-Bem, então está decidido! –exclamou Erik –Nós façamos aqui, tu morreste.
-Sim –concordou Theodora.
-Hum hum –fiz, acenando –E acho que me vou deitar. Desculpem.
Avancei até ao corredor.
De caminho, passei no quarto de Afrodite. Sabia que ela não estava a dormir, mas fingi que acreditava na farsa dela, e depois passei no de Stevie Rae, que nem tentava disfarçar as lágrimas.
-Acreditas Zoey? Que eu o matei? –perguntou, aos soluços.
-Acredito –respondi - Acredito que sim. E acredito que é um monstro –sim, disse mesmo aquilo –E também acredito que vais mudar, e que não serás sempre assim. Eu vou resolver-te Stevie Rae, a sério que vou, e posso não saber como, mas vou fazê-lo.
Tinha dito toda a verdade, tudo o que sentia, e deixara de mentir-lhe, e dizer-lhe que tudo ia correr bem. Naquele dia, já estava farta de mentir.
-Obrigada –murmurou, secando as lágrimas –Obrigada por teres sido honesta Zoey… Eu acredito em ti.
Acenei, simplesmente, e sai do quarto dela.
Dirigi-me ao meu, que ficava ao fundo do corredor, e deixei que tudo o que tinha suprimido se abate-se, finalmente, sobre mim.


(Último capítulo: próxima terça-feira, ás 16 horas)

Abandoned: Morta

Olá pessoal!
Antes de mais queria-vos mostrar um excerto do mail que a Tina me mandou:
"...acaba por ser dificil estar a escrever e pensar-se que se está a escrever para o nada, porque irrita não ter opiniões nenhumas, nem negativas, o que quer dizer que as pessoas nem lêem, limitam-se a ignorar...Mas pronto, penso que existe pelo menos uma pessoas a ler o que eu escrevo..."
Ou seja, a Tina está muito triste por haver poucos comentários.
Vá lá pessoal, toca a comentar, a Tina merece.

E sem demoras:

Abandoned
37º Capítulo

Erik sentou-se ao meu lado.
O seu olhar não parecia acusador ou distante, mas sim preocupado. Sabia que dentro da sua cabeça ele estava a ver diversas cenas esquisitas, sobre aquilo que eu poderá ter feito antes.
-Podes falar. –murmurei.
-Hum? –perguntou, fitando-me. Theodora ainda não voltara e nós estávamos ambos sentados no sofá principal, em frente à lareira preta, onde um fogo quente ardia.
-Podes falar. Sei que estás a pensar em centenas de coisas, algumas até nojentas (ou impróprias) demais… Mas podes falar, prefiro isso do que estares a pensar sozinho…
Vi pelo canto do olho que arregalara os olhos, mas insisti em continuar a olhar intensamente para o fogo e evitar o contacto com os olhos dele.
-Como é que sabes que estou a pensar nisso? –perguntou, calmamente –Como é que sabes que não estou a pensar em como esta sala é negra demais para alguém que nos queira bem? Ou que essas cenas todas maradas que tu andas-te a fazer não me deviam ter passado despercebidas? Ou que eu sou idiota de mais para perceber que algo de muito errado se passava contigo? –a sua voz subia perigosamente de tom, mas eu permaneci impassível –Ou que sou o rapaz/homem/vampyro/coisa mais estúpido que existe por não ter visto o que estava à frente dos meus olhos?
-Eu sei que não estás a pensar nisso –respondi, no mesmo tom anterior –Eu sei que estás a magicar sobre o que eu tenho feito, e eu sei que Theodora não nos quer mal nenhum, não me perguntes como, eu sei, sinto isso, eu sinto que é assim.
-E sempre sentiste… -segredou ele, com os olhos baixos –Mas eu estava demasiado concentrado em pensar que não tinhas problema nenhum para me aperceber…
-Não. –interrompi, bruscamente, quando me apercebi –Não… Nunca me senti assim… Nunca tive a certeza daquilo que as pessoas, nunca senti a mínima sombra daquilo que te preocupa, nunca senti se as intenções de alguém são boas ou se são más… Eu nunca senti nada disto!
O choque apoderara-se de mim. Eu lembrava-me de sentir aquilo, mas não sabia quando, ao certo, é que me tinha começado a dar conta do que as pessoas à minha volta sentiam, vagamente, claro.
-Não? –interrogou, confuso –Bem, foi só menos uma coisa, não anula o resto…
-Acenei, com a cabeça, sem perceber bem o que dissera. Estava absorta nos meus pensamentos… Era isso que Neferet fazia… Ela sabia de tudo, e eu começava a transformar-me no mesmo. Depois lembrei-me de outra coisa, que não se encontrava na minha linha de pensamentos.
Afaguei a zona dormente na barriga da minha perna direita, e depois a da esquerda, e arregacei as calças o mais que pude, um pouco acima do joelho.
Novos padrões cor de Safira enrolavam-se naquela zona, desenhando imagens variadas nas minhas pernas… Tinha estado demasiado ocupada para me aperceber daquela sensação de queimadura, seguida de uma dormência irritante… Demasiado ocupada para perceber que as minhas tatuagens tinham crescido, e tinham crescido imenso, porque, ao contrário de fazerem como eu pensava que iriam fazer, cobrindo-me o resto das costas, elas tinham crescido para baixo.
-Zoey…? –inquiriu Erik, quando olhou de novo para mim, mas a sua voz perdeu-se, quando olhou, maravilhado para as minhas pernas, esquecendo momentaneamente o seu enorme dilema cheio de drama e aparentemente sem solução…
-São mesmo giras… -murmurou, assombrado. Depois acrescentou, mais baixo, com um sorriso atrevido –imagina como é que não ficas sem calças…
Sorri-lhe, revirei os olhos e voltei a pôr as calças para baixo.
Ele riu-se.
-Foi só um comentário despropositado! –e depois acrescentou –Bem, há um propósito…
-Oh, cala-te!
Chegou-se mais para ao pé de mim, envolveu-me com os braços e puxou-me para junto de si, sentando-me no seu colo.
Passou os dedos pelas minhas costas, e depois assentou o queixo na cavidade do meu pescoço.
-Adoro-te… -murmurou.
-E eu a ti –respondi. Passei a mão pelo seu rosto, e esfreguei-o com as unhas para que o sangue nojento dos vampyros vermelhos, que entretanto tinha secado na sua cara –o que me deu uns certos arrepios…- , fosse arrancado e deixa-se a pele menos… asquerosa, nojenta e assustadora!
-Ao, Zoey, isso faz parte de mim! –exclamou, quando lhe espetei a unha na bochecha.
-Desculpa –encolhi-me, com ar culpado, que ele não viu, por isso não me serviu de muito.
Nesse momento, ouviram-se passos no corredor, e eu sai desajeitadamente do colo dele.
Theodora entrou na sala escura, com o vestido preto desalinhado, e dirigiu-se, automaticamente, para as janelas, para abrir as cortinas.
Uma luz pálida entrou pela janela. Estava a começar a amanhecer, deviam ser umas seis da manhã, mas ainda se ouviam berros lá fora.
Theodora voltou a fechar as cortinas, apavorada com o que quer que fosse que lá fora se estivesse a passar.
Voltou para perto de nós.
-A vossa amiga está lá dentro, a tomar banho, eu preparei-lhe um quarto, e também preparei um para vocês cada um de vocês –o facto de ela ter dito «um para cada um de vocês» desanimou-me, de uma forma que eu tentei suprimir –Só queria que me contasses a tua historia, Zoey, se não te importares, mas se estiveres demasiado cansada, deixa estar, posso ouvi-la amanhã.
-Não, claro, não tenho problema nenhum, posso contar agora.
Nesse momento, ouviu-se um campainha pesada tocar, e o toque repicou nos meus ouvidos.
Erik olhou-me com desespero, e Theodora ficou inquieta, mas eu senti, dentro de mim, algo que me dizia que não era nada maldoso ou perverso (ou tarado), mas sim outra pessoa, e uma pessoa que precisava de ajuda desesperadamente.
Levantei-me, com a impaciência que crescia, sem razão aparente, dentro de mim, a obrigar-me a reagir.
-Venham, acho que é importante.
Theodora pegou na sua candeia, que ainda estava acesa, e depois correu atrás de mim.
Abri as portas pesadas, e paralisei-me, a olhar para a calçada à minha frente.
Afrodite, agarrada a um corpo, e coberta de sangue (algum do qual me cheirava realmente bem, e outro que me cheirava a ratos mortos) chorava copiosamente perto das escadas de acesso à porta.
-Afrodite… -murmurei, chegando-me perto dela. A cabeça pendente no colo dela estava horrivelmente coberta de sangue, mas ainda consegui distinguir os contornos de Vénus.
-Porque é que a trouxeste? –perguntei, compadecida.
Ela não me respondeu.
-Larga-a Afrodite, tens de largá-la, tens de a deixar ir, ela já não tinha esperança.
-Tal…T…Tal…Talvez…Tiv…Tivesse –soluçou, dificilmente.
-Ela não tinha Afrodite, acredita em mim, tenho a certeza, e olha que agora elas parecem ter andado certas, então… Vais ter de largá-la, porque ela não vai voltar a viver, a tua Vénus morreu seis meses depois de tu entrares na Casa da Noite, ela era só um corpo, não era ela! –a minha voz soou cheia de compaixão, mas firmemente.
Aos poucos, Afrodite começou a ceder, deixando que o corpo ensanguentado escorrega-se para o chão.
Levantou-se e ficou imóvel. Caminhou atrás de nós, e fez o que lhe pedi, quando a mandei tomar banho, vestir novas roupas e dormir, mas os seus olhos não tinham expressão, e ela não estava bem.
Aliás, isso via-se bem, visto que fizera tudo o que lhe pedira…

Abandoned: Devoção

Aqui está mais um capítulo da fanfic da Tina.
Espero que gostem, e já sabem: comentem!

Abandoned
36º Capítulo

-Hum? –perguntei, confusa.
-Sabia que vinhas ter comigo Zoey.
-E como sabia que…? –interrompi-me, eu estava a falar com uma estranha qualquer, sem saber quem era ou o que queria, então porque raio estaria a falar com ela? Claro que não fazia sentido, mas a maioria das coisas na minha vida deixaram de fazer sentido, por isso, embora não fizesse sentido, eu devia ficar e falar com ela –outra coisa sem sentido nenhum: Eu sabia que sim, mas não sabia porquê.
-Que tu vinhas? –completou –Fácil, ele disse-me –e acenou suavemente na direcção de Lord, que ainda repousava de encontro ao seu peito.
-Isso não faz sentido –afirmei.
-Que eu consiga falar com um gato? –inquiriu, gentilmente, como se eu fosse uma criancinha inexperiente que não sabia nada sobre nada.
-Não, que consiga falar com ESSE gato.
-E qual é a diferença entre este gato e os outros?
-A diferença entre esse gato e os outros, é que esse gato já pertence a alguém, e já fala com alguém, então é impossível que uma HUMANA –vinculei a palavra, com o intuito de lhe mostrar que isso tinha muito peso na minha avaliação –consiga fazer o mesmo que uma VAMPYRA com uma afinidade.
Ela sorriu.
-Zoey, existem coisas que tens de aprender (muitas coisas, aliás) sobre humanos e vampyros. –depois acenou com a mão –Venham comigo.
Outra coisa sem sentido fez-me perceber que tinha mesmo de ir.
Acenei aos outros e segui a mulher até dentro de uma casa.
Estava tudo negro como breu para lá da porta, o que pensei dever-se apenas ao facto de não haver luz nas ruas, mas que rapidamente encontrou outra resposta.
À luz fraca da candeia que ela levava, pude verificar que o corredor, que era largo (O suficiente para uma mesa comprida passar por ali com facilidade, tal como os seus transportadores –outra prova de que não sei fazer comparações ), tinha as paredes pretas, e uma grande cortina de seda preta flutuava também de encontro à mesma.
Passei as mão pela cortina, afastei-a suavemente e deslizei a mão pelo veludo negro e macio. Mais à frente, distinguia-se outra luz proveniente de uma candeia, ou talvez não fosse uma, mas sim muitas.
Quando nos aproximamos mais, foi-me possível verificar que de cada lado do corredor estavam compridas mesas de pedra, abrangidas pelo volume da cortina de seda preta e translúcida. Na mesa, encontravam-se uma enorme variedade de objectos, regularmente iluminados com velas.
O choque percorreu o meu corpo.
Todos os objectos ali presentes eram de culto, assim como as velas, de varias cores: eram objectos de culto a Nyx!
Haviam estatuas da Deusa, de braços abertos com uma lua nas mão, com as pernas cruzadas e rodeada pelos elementos, sentada numa cadeira de mármore preto e rodeada de gatos de pedras cor-de-laranja, negras, brancas ou castanhas.
Dispostos sobre as mesas ou pendurados nas paredes estavam também diversos quadros, alguns dos quais reconheci, pois eram uma representação mais detalhada das insígnias dos vários anos.
As velas roxas, verdes, amarelas, vermelhas e azuis estavam acesas colocadas a distâncias iguais, exactamente pela mesma ordem.
-Mas…
-Queres saber porque tenho tantos objectos de culto a Nyx? Porque está o meu corredor coberto de quadros sobre a Deusa e porque são as minhas velas dispostas da mesma maneira e da mesma cor que as velas do circulo? –completou.
Acenei.
Sorriu-me, docemente.
-Eu conto-vos tudo, esperem até chegarmos à sala.
Conduziu-nos até uma nova divisão, esta era ampla.
As paredes eram cor de esmeralda, com uma grande lareira em mármore preto a arder perto do sitio onde se encontravam sofás grandes, com armações de prata, e revestidos com tecido leve, de cor semelhante à da parede.
O chão era de carvalho escuro. Toda a divisão era iluminada por brandes candeeiros de varias lâmpadas, e, com excepção de algumas velas de representação dos elementos, tudo parecia decorado a esmeralda, preto e prata –incluindo uma enorme estatua de Nyx, esculpida de novo em mármore (preto), com uma grande esmeralda em forma de lua cheia e com mais de mil faces a repousar sobre as mãos abertas em concha –aparentemente, era podre de rica.
Sentamo-nos todos nos sofás macios, perto da lareira. As pesadas cortinas tinham sido corridas, dai apenas se ouvir um eco sombrio dos gritos lá fora.
-Quem é? –perguntou Erik. Olhei para ele, surpreendida, pois estivera sempre calado, no entanto, a sua voz soara algo fria.
-Chamo-me Theodora, e sou, tal como vocês, seguidora de Nyx.
Levantei as sobrancelhas, confusa.
-Uma historia comprida.
-Temos tempo –ripostou Erik.
Theodora suspirou.
-Tanto eu como a minha família sempre fomos devotos de Nyx. Tanto eu como a minha irmã ansiávamos e sonhávamos com sermos abençoadas por Nyx, e depois marcadas. No entanto, não me saiu a sorte a mim, mas sim à minha irmã. Vou resumir uma historia comprida, e limitar-me a dizer que teve uma sorte infeliz…
-Não sobreviveu à Mudança? –inquiri.
-Não, ela sobreviveu à Mudança, no entanto, pereceu numa viagem que fez à Transilvânia, quando investigava alguns factos sobre o eventual Conde Drácula. Ao que parece foi apanhada por homens cruéis, que pareciam acreditar com todas as suas forças que os vampyros eram criaturas pérfidas e malvadas, e que andavam na Transilvânia com o mesmo intuito que ela, mas ao que parece usariam algumas informações para levar a sua avante.
»A dor da morte da minha irmã, que sempre fora a minha melhor amiga e confessora, levou-me a procurar outros que partilhassem a minha fé. Essa altura foi quando encontrei James.
»Era um pouco mais velho do que eu, mas totalmente devoto à Deusa. Descobri também que partilhávamos muitos interesses, o que mais tarde resultou em amor.
»Vivíamos juntos, nesta mesma casa, até que, à coisa de dias, algo terrível aconteceu.
»James sempre tivera pressentimentos estranhos, às vezes, quando alguém estava cá em casa, podia aconselhar essa pessoa a sair dois minutos mais tarde, por exemplo, e dessa forma ela poderia evitar ter um acidente de carro. Sabia quase sempre dizer-me o tempo, e podia também saber quando um pedido de casamento seria efectuado ou quando o nosso filho decidiria vir cá a casa. Enfim, eram variadíssimos, espontâneos, e quase infalíveis, mas mesmo assim, não eram visões.
»Há uma semana começou a queixar-se. Dizia que sonhava com coisas nojentas, vampyros cobertos de sangue e com Marcas encarnadas. Dizia que cheiravam a podre, que bebiam sangue, e que raptavam pessoas.
»Já se ouviam, por vezes, noticias de corpos encontrados ou pessoas desaparecidas, mas não quis acreditar nas suas visões, disse que deveria ser só um sonho e que os vampyros nunca seriam assim…
»Mas ele desapareceu à uns dias, para depois ser encontrado morto e lacerado numa esquina, altura na qual comecei a duvidar da veracidade das minhas conclusões… E hoje, num dos dias mais sagrados do ano, acontece isto… É pior do que poderia prever, e agora, uma das criaturas das quais duvidara, está em minha casa, sentada no meu sofá.
Depois daquele relato, a minha mente começou, aos poucos, a descongelar e começou a pensar. Sabia que era James: era o homem com quem sonhara, quando me sentia na pele de Stevie Rae –que também sabia quem ele era, o que a fez desatar a chorar baixinho.
-Lamento…-murmurei. –E, com todo o respeito, gostaria de lhe perguntar se, por acaso, não teria uma banheira disponível…
-Tenho –respondeu Theodora, iluminando-se de novo –Se quiseres, levo a tua amiga até lá, mas fica aqui Zoey, preciso que me contes a tua historia.
-E eu também –acrescentou Erik. O olhar descongelara, agora que se sentia confortável com aquela mulher, e brindava-me com um sorriso –Acho que te esqueceste de me contar uns pormenores!



(Próximo capítulo: quinta-feira, ás 16h)

Abandoned: Início ou Fim?

Olá!
Coitadinha da Tina, ela anda sem imaginação para títulos. Por isso toca a comentar para dar apoio á Tina. Porque agora é falta de imaginação para os títulos, depois pode ser para a história e eu acho que a história está muito boa e merese ter um fim como deve ser. Por isso, toca a comentar!


Abandoned
35º Capítulo

Acordei, sobressaltada, nos túneis vazios.
Havia um cheiro esquisito no ar, horrível e nojento, mas delicioso e cativante ao mesmo tempo.
Era sangue. Era o sangue daquelas coisas nojentas, misturado com outro sangue, com sangue de vampyro.
Olhei em volta atordoada.
A caverna parecia ter o triplo do tamanho. No inicio pensei que fosse apenas uma ilusão, devido à minha enorme dor de cabeça, mas depois reparei nas formas cavadas e irregulares. Susti a respiração – A explosão tinha feito aquilo tudo.
O chão estava coberto de sangue, mas não havia apenas isso –corpos mortos, alguns até feitos aos bocados, espalhavam-se por ali. Havia sangue e carne nas paredes, pedras espalhadas por ali também não eram sinal de conforto –OK, tapavam manchas de sangue e tudo mais, no entanto, algumas dessas pedras estavam caídas não sobre a rocha, mas sim sobre outros cadáveres.
O cenário deu-me náuseas. Sai rapidamente do buraco que o meu corpo protegido cavara, inclinei-me e vomitei. Fiquei debruçada tanto tempo que me pus a imaginar quanto é que eu tinha comido na realidade.
Levantei-me e avancei, aos tropeções, para um túnel que, supunha, me levaria à saída.
Pisei um osso, que estalou debaixo do meu pé –aquilo era demais para mim. Corri até ao túnel, tropecei, cai e deixei-me ficar ali, a gemer baixinho.
Não queria, simplesmente, pensar naquilo, não queria pensar na quantidade de corpos que estavam ali, podiam ter sido meus amigos, e eu estivera a pisar-lhe os ossos. Aliás, pelo que eu sabia, podiam ter sido Stevie Rae, Erik ou Afrodite quem eu pisara.
A ideia deu-me novos vómitos, no entanto, não restava nada no meu estômago.
Decidi afastar-me. Não queria olhar para aquilo, pensar naquilo, cheirar aquilo…
Segui a planta trepadeira que ainda se sustentava no tecto, e consegui, finalmente, sair daqueles túneis.
Empalideci. Ouviam-se berros, centenas de berros, lá fora –escusado será dizer que eu tenho um fraquinho por estar sempre onde não se passa nada normal, e que corri imediatamente para lá.
E consegui ficar, novamente, chocada.
Vampyros e Iniciados estavam lá, assim como vampyros vermelhos e… humanos?
Tudo lá fora estava um caos. Na realidade, estavam a agredir-se mutuamente.
Parecia retirado de um filme, quase como o Apocalipse. Haviam duas frontes iradas: Uma constituída por humanos, residentes dali, policias e até militares, e a outra constituída por vampyros, Iniciados e vampyros vermelhos, como numa autêntica guerra civil.
Tudo lá fora parecia uma replica aumentada do que eu vira nos túneis, com o chão pejado de corpos, principalmente corpos humanos, e sangue, mais um monte de sangue –pior, era sangue humano, que me fez crescer água na boca, tanta água que quase morri afogada na minha própria saliva.
Avancei, aturdida, pelo meio da multidão.
Uma pedra rasgou o ar na minha direcção, sem me dar tempo para reagir, mas quando estava a cerca de dois centímetros do meu maxilar, desviou-se e foi acertar em cheio na cabeça de quem a atirara, com tanta força que o fez cambalear e cair no chão, ferido.
Mas que raio…? Eu JURO que não fiz nada daquilo. Parecia que agora, independentemente do que eu fazia, os elementos me rodeavam, sem serem obrigados ou invocados, como se fizessem já parte de mim.
Assim consegui passear livremente no meio de centenas de criaturas/seres/coisas/humanos/vampyro/iniciados/ou o que raio houvesse mais a cirandar por ali.
Comecei a ficar perturbada, embora visse centenas de rostos conhecidos, nenhuns eram os que procurava.
-ZOEY! –berrou alguém, algures entre aquele magota.
Abri caminho para ir ter com ele.
-Erik! –suspirei, aliviada –Mas o que é que se passa? O que está a acontecer?
-Espera, eu explico-te, mas fora daqui!
Ajudei-o furar a multidão, caminhamos imenso até que nos vimos livres de toda a gente.
-O que é que se passa? –inquiri.
-Não tenho bem a certeza. Quando acordei a Neferet e o Blake já tinham fugido, assim como Afrodite. A Stevie Rae também lá estava, confusa e aturdida. Acho que estava confusa por causa de teres aparecido. Perguntei-lhe o que raio era aquilo, e ela contou-me tudo –depois olhou para mim, severamente –Porra Zoey, porque é que não nos contaste?
-Explico depois, era necessário, mas continua.
-Bem, ela fugiu, estava realmente perturbada, e eu corri atrás dela. Quando cheguei cá fora, isto estava assim. Pelo que consegui saber, o Povo-Da-Fé chamou as autoridades e culparam-nos de uma data de coisas –depois acrescentou, com um sorriso –E nós respondemos.
-Não te rias, isto é grave! –fervilhava de raiva, tinha sido ELE. –E a Stevie Rae, disseste que estava perturbada?
-Sim, muito, mas desapareceu quando cheguei cá fora, foi-se embora.
-Oh, por amor da Deusa, o raio da rapariga não podia ficar quieta por dois segundos?!?
Ele riu-se.
-Sabes bem que não.
Suspirei.
-Pois sei.
Depois disso, bastou-me um simples pensamento na terra para conseguir localiza-la, como se se tratasse de um pontinho verde brilhante.
Maravilhei-me com a minha nova capacidade, bastava pensar em algo para os elementos me obedecerem.
-Por aqui –puxei-o por uma manga.
Chegámos rapidamente a um beco escuro.
Ouvi Stevie Rae chorar, baixinho, e corri para junto dela.
-Stevie Rae…-murmurei.
-Deixa-me! –tinha a cara ainda mais encarnada, lavada pelas lágrimas -Se não fosses tu eu não estava assim! Deixa-me ser como sou! Não podes mudar isso!
-Posso –estava mais calma e confiante nisso agora, não sabia bem porquê, mas estava –Posso porque é essa a vontade de Nyx.
-Então porque é que ela me matou?
-Ela não queria, não foi responsável por isso. Eu vou curar-te Stevie Rae, mas tens de me deixar fazê-lo. –Não, não fazia a mais pálida ideia como ou mesmo se dava para fazê-lo, mas o melhor era ela não saber isso.
Assentiu.
-Ok, faz lá a tua magia esquisita depois, agora temos de ir.
-Sim, mas para onde? –perguntou Erik. Já nem me lembrava dele.
Um ronronar suave interrompeu-nos.
Virei-me, instintivamente.
-Lord?!? –perguntei, surpreendida. Isto porque me vinha à cabeça aquilo da falta de ligação entre ele e Alisha. Aquele gato era uma coisa misteriosa.
Fez um gesto fluido com a cauda, esticou-se todo e começou a andar lentamente.
-Espera! –saiu-me.
Mas ele continuou a andar.
-Venham –chamei.
-Z, vais seguir um gato? .perguntou Erik.
-Sim, até eu tenho de concordar que isso é estranho, e o meu corpo está podre. –acrescentou Stevie Rae.
-Limitem-se a vir, OK?
Eles levantaram-se, resignados.
Segui-o por meia dúzia de ruas sombrias e vazias, pois não havia electricidade, até que chega-mos a uma que não estava propriamente vazia.
O vulto de uma mulher segurava uma lamparina, daquelas antigas que funcionam com azeite e que geralmente são vistas apenas nos filmes, junto daquelas videntes decrépitas.
Ao contrario desses filmes, a mulher era jovem e séria, parecia ter cerca de trinta e poucos anos, e um cabelo preto e espesso, comprido. Envergava um vestido longo, mas não pude ver mais devido à nossa distância e à falta de luz.
Nesse momento, Lord deu um pequeno impulso com as patas traseiras, saltou para o colo da mulher e aninhou-se no seu peito.
Já não estávamos muito longe.
-Sabia que virias. –afirmou, com um sorriso triste.

(Próximo capítulo: terça-feira, ás 16h)

Abandoned: Desgraça

Olá pessoal!
Este capítulo é contado por uma personagem que não é muito bem vista aos olhos da nosso querida Zoey, mas a Tina espera que gostem e claro: comentem!




Abandoned
34º Capítulo

John Heffer

A porcaria da festa de Natal dos demónios continuava.
Aquelas coisas andavam por ali a passear, a comer e a prestar culto a uma deusa infernal, que o mais provável seria leva-los a todos para o inferno. Não que não merecessem, pois estavam armados em gente pura, coisa que não eram, e nem se tentavam redimir dos terríveis pecados que cometiam contra Deus.
“Verdadeiras Aberrações! Demónios dos infernos profundos e escaldantes, mas que ainda assim saem de lá frios! O maior atentado à Natureza que o Senhor criara, e ali reunidos a festejar uma crença baseada em mentiras e pecados que eles próprios haviam cometido” não me saia da ideia.
Fora à Missa, obviamente, e não deixara escapar nenhuma das três que tinham sido feitas. Conhecia o Padre que as dera, e era com ele que falava.
Suspirou, cansado.
-Vim cumprir o meu dever e servir o Senhor, se não o tivesse feito estes pobres Cristãos que mal nenhum cometeram seria obrigados a participar nos rituais demoníacos que aquela bruxa lhes prepara… Sortilégios e Malefícios, todos reunidos aqui, quase que sinto as Trevas a vibrar neste ar pesado… Só queria poder partir, mas sinto que é minha obrigação que, por vontade d’Ele, fique e ajude quem nada mais pode fazer do que esperar.
-E fez bem. Eu tive de cá vir, sem remédio possível, e ser obrigado a ver o triste cenário pecador que esta escola de demónios representa… Mas será que me permitia apresentar-lhe a minha mulher?
-Claro, claro! Chame-a, gostaria de trocar umas palavras com ela, deve estar a passar por um momento terrível ao saber o rumo que a sua filha tomou!
-Linda! –berrei. A mulher estava sentada, num banco da Igreja improvisada, a rezar.
Levantou-se e chegou-se ao pé de mim.
-Este é o Padre Charles, meu conhecido, que costumava dar a Missa na Igreja perto de nossa casa, não sei se te lembras.
-Lembro pois –disse, sorrindo-lhe abertamente –Prazer em conhecê-lo.
-E é também um prazer para mim conhecê-la, minha senhora. Mas diga-me, deve estar a ser terrível isto pelo qual está a passar?
-Sim, eu…
Fomos interrompidos por um violento abanar. Tudo chocalhou. As mesas cheias de comida caíram, as pessoas foram atiradas ao chão e até alguns pesados candelabros de metal se soltaram e caíram no soalho pesadamente. Não havia luz, o pânico era geral, até que a violência começou a diminuir, gradualmente, acabando por zerar.
Esquivei-me pela porta, ainda atordoado. Sabia que ela não estava lá, andara à sua procura mas ela não estava em lado nenhum, e seguindo a intensidade do sismo, caminhei rapidamente para fora daquele lugar maldito, sabendo que fora ela quem o fizera.


Não tardei a chegar a um conjunto de vielas sombrias, onde o choque fora maior.
Candeeiros de rua haviam caído, janelas estavam partidas e até havia uma casa ruída. Os gritos de pavor dos residentes, tanto feridos como assustados, ecoavam na escuridão vagamente iluminada pela luz prateada da lua.
-Zoey! Sei que foste tu seu monstro! Sai de onde quer que estejas e implora pelo perdão do Senhor, pois a destruição que causas-te é tão terrível que talvez nem as tuas suplicas te rendam um perdão. –gritei.
Algo se mexeu nas sombras, com rapidez.
-Zoey? Aparece seu demónio!
Aquilo que se mexera nas sombras, deu um pequeno impulso, saltou e aterrou em cima de mim, atirando-me ao chão.
Era a coisa mais nojenta que já vira. O sangue cobria-lhe a cara, cheirava a velho e a podre, e o seu aspecto condizia com isso na perfeição.
Os olhos vermelhos destacavam-se, assim como outra coisa, no meio da sua testa: uma Marca, uma Marca vermelha como sangue.
-Quem éss tu para exigiress qualquer coissa? –sibilou, com uma voz rouca e gorgolejante –Quem éss tu para exigiress ver Zoey RedBird?
-Então trabalhas com ela. –acusei.
Ele riu-se.
-Não… Eu trabalho para acabar com ela…
Ergui as sobrancelhas.
-E o que pensas fazer-me?
Ele riu-se.
-Depende de quem foress…
-Isso não te interessa!
-Iteressssa poiss… Como conhecess a Zoey?
Meditei. Aquilo não poderia piorar a minha situação, apenas a dela.
-Sou o seu padrasto, demónio sangrento. E agora responde-me, o que tencionas fazer comigo?
-Tenciono… Beber-te…
O pavor apoderou-se de mim. Ele tencionava o quê? Senti-me a fervilhar de raiva. Agora aqueles demónios mostravam a cara.
-A Zoey à de pagar por isto! Sua criatura nojenta!
-Esspera… Tu éss o padrassto? O padrassto odiável?
Senti-me indignado. “Odiável”? Que criança insuportável!
-Sou o padrasto da Zoey –repeti.
Ele riu-se novamente, mas o seu riso não transmitia gozo.
-Então vou resisstir à tentassção… Podess provocar-lhe muita dor, e sse morressess ela ficaria feliss. Mass vou apenasss satissfazer-me um pouco, antesss de te deixar.
Aproximou a sua unha nojenta do meu peito, abriu a camisola e cortou-me.
Senti uma dor terrível, mas pior mesmo foi quando se inclinou para lhe tocar com a língua, por mais que me debatesse.
A dor e a agonia percorreram-me, causando-me suores frios.
Parecia ter dificuldade em parar, mas acabou por se afastar.
-Fica bem, trassste…
Senti-me terrivelmente mal. Peguei, a custo, no telemóvel que tinha no bolso.
O um era a marcação rápida.
Aos três toques atenderam.
-Faz soar o alarme. Junto ao velho deposito, perto da Casa da Noite. Parece que os vampyros querem guerra.
Desliguei o telemóvel e cheguei-me a um canto, tentando parar os calafrios na espinha e os engulhos.
Aquela maldita miúda havia de mas pagar, não só pelo que eu sofria, mas por todo o mal que provocara.


(Próximo capítulo: quinta-feira, ás 16h)

Abandoned: Confronto

Mais um capítulo.
Já sabem: comentem!


Abandoned
33º Capítulo


Olhei, surpreendida, para Neferet.
O choque explodia-me de todos os poros. Stevie Rae matara Kayla –sim, eu odiava aquela cabra, mas não queria que morresse… acho…-, Erik mudara, Neferet descobrira-nos.
-Um aviso para vocês as duas: Da próxima vez que tentarem invadir os meus túneis, não deixem uma adolescente a passear com isso na cabeça , e não telefonem a Lenobia a informa-la de que à um cavalo com cólicas nos seus estábulos dez minutos antes do meu ritual. Ah, e não fujam pouco antes do meu ritual… Parece que precisam de melhorar algumas coisas nesses aspectos…
-Ora boa! Agora temos os um bando de taraditos sugadores de sangue E a taradita-mor… -ironizou Afrodite.
Os olhos de Neferet flamejaram na sua direcção –sim, já não se limitaram a faiscar, agora ardiam e tudo…
-Quem és tu, Afrodite LaFont, revogada por Nyx, para insultares uma Sumo-Sarcedotista? –perguntou, calmamente.
-Pensei que sabia quando disse o meu nome –fez o seu sorriso doce e colocou a voz a condizer.
-Basta! –estalou Neferet –Não dura mais uma hora, Miss LaFont –a imitação cravejada de raiva de Neferet criou um ambiente diferente, como uma recomendação de prudência.
-E vai fazer o quê? –perguntou Afrodite, no mesmo tom de anteriormente.
Neferet sorriu.
-Mata-a –sibilou.
E depois alguém sai das sombras. Não era um daqueles mortos-vivos encharcados em sangue seco, era um vampyro, um vampyro incrivelmente sensual, incrivelmente bonito…
-Loren?! –perguntei, chocada.
Neferet deitou-me um sorriso cínico.
-Porquê, acreditavas que te amava? –a voz adoptou um tom maternal falso e odioso.
Fiquei especada, como uma verdadeira idiota, a olhar para eles.
Ele ajoelhou-se diante de Neferet.
-Mas que…? –comecei.
-Não irias perceber –adiantou-se ela –Ele não é quem tu julgas ser. Está preso a mim, jurou-me obediência.
-E em troca de quê? –a magoa dera lugar à raiva dentro de mim –O que é que tu lhe podias dar?
Ela tornou a sorrir.
-Sangue –respondeu.
-S…Sangue? –gaguejei. É que era preciso ser idiota para andar por ai a sorver o sangue de uma Sumo-Sarcedotista psicopata.
-Não vem de agora. –respondeu. Sabia que não podia ver o que se passava na minha cabeça, mas podia sempre calcular, e a minha expressão deveria mostrar a minha pergunta –É antigo, muito antigo. Já vem dos meus primeiros tempos enquanto Sumo-Sarcedotita, a nossa impressão vem de desde à muito.
A palavra atingiu-me como um balde de água fria.
-Impressão… -murmurei. Não era uma pergunta, mas antes uma afirmação, o que não interessava pois ela respondeu.
-Sim. Sabes, quando precisei de uns certos… favores, cortei-lhe o abastecimento… Não sabes o quanto me custou, mas ele cedeu depressa… Já viste os sacrifícios que faço por tua causa? –a falsidade encheu-me com tanta raiva que quase desejei ser como Stevie Rae e poder atirar-me ao seu pescoço –E tu agradeces-me fugindo aos meus rituais… -abanou a cabeça –Isso não se faz…
-E isso interessa? –perguntei, deixando sair todo o ódio, toda a magoa e toda a dor que sentia. A minha raiva aumentou e eu tornei a berrar –E ISSO INTERESSA? Destrui-o a minha vida!
Concentrei o meu poder numa mão flamejante e atirei-lho. A bola de fogo tê-la-ia atingido na cara, se Loren, obrigado pelo seu juramento, não se tivesse posto à frente para levar com ela no peito.
Gritou de dor e agonia, e Neferet gritou também, pois sentia parte da sua dor.
Nesse momento chegaram mais iniciados esquisitos, atraídos pelos berros e por Neferet, como se esta se trata-se de um íman.
Afrodite estava colada à parede, mas quando os viu chegar não hesitou. Tirou um punhal (ironicamente, era de prata) que trouxera –para o que der e vier? Mas o raio da miúda passava-se, só podia! –E atirou-se à primeira das criaturas que viu.
Elliot vinha na cabeça do grupo, dai Afrodite ter-se atirado a ele. A lesma guinchou, e atacou-a com os dentes.
Nesse momento, e aproveitando o tempo em que Neferet se debatia no chão, invoquei os elementos.
-Ar, atende às minhas preces, e por favor ajuda-me a vencer os males que me afligem tanto a mim quanto ao Mundo. Eu te invoco, Ar!
Rajadas de ventos furiosos apanharam as criaturas atirando-as contra a parede, ferindo-as. Algumas fora feridas letalmente, devido à força com que as cabeças haviam batido na rocha, outra ainda cambaleavam ou coxeavam, mas a maioria já estava de pé de novo.
Um pequeno assomo de fraqueza obrigou-me a sorver um pouco do sangue que tinha no bolso, enquanto as “coisas” se recompunham .
Nesse instante chegou mais alguém.
-Zo? Mas que raio é que se passa aqui? –perguntou Erik.
-Nada. -foi a única coisa que pude responder –Explico depois!
-E o que é que eu faço –interrogou, confuso.
-Mata, magoa… O que quiseres, essas coisas não podem sobreviver. –vi o medo apoderar-se dele, sem saber o que fazer –Inventa!
E inventou. Com a simples força dos braços revigorados, atacou-os.
Continuei a invocar os elementos, até aquele sitio se tornar um remoinho de Fogo, Água, Terra e Ar. Não invocara o Espírito, pois não me parecia que fosse um elemento dado a qualquer espécie de guerra.
Enquanto os elementos agiam no meio da sala, Neferet e Loren recuperaram.
Vi pelo canto do olho Erik partir um braço a qualquer coisa, Loren ataca-lo, e Afrodite… Ser atacada por Vénus.
Enrolaram-se completamente. Vénus estava possessa. Mordia e arranhava, não restava nada humano nos seus olhos, não queria saber de Afrodite, limitava-se a defender aquilo que era seu.
Afrodite gritou com uma dor lancinante, embora Vénus não lhe tivesse feito nada. Gritava porque estava a sofrer, gritava pelo sofrimento que o seu acto seguinte lhe provocou.
Ergueu o punhal bem alto, sem tempo para reflectir nisso, e num gesto rápido, cravou-o no coração de Vénus.
As lágrimas corriam pelo seu rosto quando Vénus berrou de dor, mas não parou. Voltou a soerguer o punhal e a espeta-lo na sua barriga, mesmo depois dela já jazer morta debaixo de si, as lágrimas molhavam-lhe a camisola ou caiam em cima de Vénus, misturando-se com o sangue.
Parou, por fim. A ideia provocou-me arrepios, vendo-me a mim própria a matar Stevie Rae, mas sabia que ela agira correctamente, Vénus não tinha emenda.
Deitou-se sobre o corpo da melhor amiga, a chorar convulsivamente. A minha concentração quebrou-se por segundos e senti o poder dos elementos reduzir no pequeno tornado à nossa volta.
Entretanto, Neferet levantou-se, murmurou qualquer coisa e eu senti-me atingida por uma enorme força que me levou a embater na parede.
A força começava a faltar-me, tanto que me vi obrigada a deixar cair o resto do poder que sustentava o Ar, a Terra, a Água e o Fogo.
-Então, -perguntou Neferet docemente falsa –Não tens forças para lutar? A protegida de Nyx não tem a coragem necessária para se levantar e enfrentar o seu destino? –riu-se, a voz carregada de ironia adoptou um tom forte e triunfante –Não queiras saber quanto poder carrego… Não passas de uma criança… Não sabes o que te posso fazer…
“Nada. Não pode fazer nada contra o poder de Nyx! Ergue-te Zoey, eu própria te darei forças para lutar” ecoou uma voz na minha cabeça. Nyx.
Nesse momento, senti-me assolada por uma força devastadora, capaz de destruir qualquer coisa.
-Sei. –respondi, sorrindo –Mas não sabes o que Nyx te pode fazer…
Neferet pareceu confusa por dois segundos, antes de eu lhe atirar com uma onda de vento estrondosa que atirou toda a gente ao chão.
Mal teve tempo de murmurar mais qualquer coisa e de forjar uma espécie de escudo à sua volta.
Os olhos brilhavam como os de uma louca –ou seja, finalmente mostravam a verdadeira psicopata egocêntrica tarada que ela era.
Senti o choque do embate arrastar-me um pouco para trás. Neferet fez avançar o seu “campo de forças” até que este me viesse embater no estômago e me fizesse vomitar todas as coca-colas que tinha bebido.
Reagi da mesma maneira que ela, fazendo circular possantes correntes de ar à minha volta, com o intuito se barrar qualquer coisa que me tentasse atingir –sim, naquele momento tudo parecia retirado de um qualquer filme de acção barato.
Coloquei mais outras duas correntes de ar a envolver Stevie Rae, Afrodite e Erik (os outros que se lixassem) antes de chamar a mim todas as forças que me restavam, assim como todos os elementos (incluindo o Espírito).
Ondas furiosas de uma tempestade embatiam-me nas pernas, um tornado furioso punha os meus cabelos em torvelinho, relâmpagos estalavam aos meus ouvidos e a terra tremia violentamente. O Espírito, por seu lado, enchia-me de coragem, e agravava o estado de tudo o resto.
Imaginei o meu aspecto naquele momento, devia estar aterradora e gloriosa rodeada pelos elementos furiosos. E não fui apenas eu quem pensou assim, porque todos os rostos se viraram para mim nesse instante.
Respirei fundo, vi o choque de Neferet por uns segundos, e avancei tudo o que tinha.
Sentia o poder furioso romper todas as barreiras dela como se fossem meras folhas de papel. Encontrava-me já a poucos centímetros quando encontrei uma outra resistência desesperada.
“Fizeste mal em meter-te com Nyx” Foi a mensagem que lhe passei, juntamente com os elementos, quando estes furaram a barreira, e provocaram uma enorme explosão.
Fui arremessada para trás. A minha barreira de correntes de ar abriu um enorme buraco na pedra. Estava a ficar mais fraca. Senti as barreiras de Stevie Rae, Afrodite e Erik romperem-se, após um ultimo esforço.
Já cavara cerca de três metros de rocha quando não pude suportar mais nada. A barreira quebrou-se, o meu corpo embateu na pedra dura e fria, a visão tremeluziu, e eu apaguei-me.

(Próximo capítulo: terça-feira, ás 16h)

Abandoned: Ela veio ...

Como prometido, aqui está o capítulo 32.
Espero que estejam a gostar da história.
Comentem, a Tina agradece.

Abandoned
32º Capítulo

Stevie Rae

-Que belo jantar –sussurrou Vénus ao meu ouvido –Estás a apanhar-lhe o jeito…
Referia-se ao delicioso cadáver deitado a nossos pés. Eu própria arrastara a adolescente de cabelos castanhos até ali, e devorara-a juntamente com Vénus. Os outros ainda não estavam lá.
-Sempre o tive…
-Não, tu eras aquela coisita insignificante à dois dias, que se alimentava quando podia e não fazia nada sem ser isso… Mudas-te.
-Mudei –não tinha a certeza se aquilo era afirmação ou pergunta, mas sabia que ela tinha razão: À dois dias desistira de Zoey e de me agarrar ao meu lado humano e começara a viver como os outros montes de massa podre, o que era bastante mais fácil do que tentar manter uma humanidade que não possuía.
-Mudas-te –concordou – ou respondeu .
-Pena que já tenha acabado –constatei.
-É –ela fixou o cadáver a nossos pés –soube a pouco.
Nesse segundo, calamo-nos, escutando os passos que se aproximavam. A luz fraca do candeeiro não nos permitia ver muito além, mas o meu nariz reconheceu-a. Ela voltara.
Agora que decidira ignora-la? A rapariga estava errada, eu era o que era, e o que eu era era aquilo, e aquilo era um monstro sugador de sangue. Pois fosse, não queria saber.
-Oh Minha Deusa! Stevie Rae! –berrou a voz conhecida, do fundo oculto do túnel.
Escutei a voz ecoar por uns segundos, antes de outro ruído me chamar a atenção… Um leve e doce pulsar era a única coisa que ouvia agora, embalando-me. Acabara de comer, dai estar com o sangue na boca e ansiar tanto por mais.
-Trá-la –disse Vénus, como se lesse os meus pensamentos. Não hesitei.
Em segundos, estava junto dela.
-Stevie Rae! –berrou, atirando-se ao meu pescoço. Não reagi e não a abracei, mas fiquei de olho na jugular que pulsava mesmo debaixo do meu nariz. Afinal não, não ia partilha-la com Vénus, ela que arranja-se a dela –palavras que foram irónicas mais tarde. Mesmo quando me preparava para lhe cravar os dentes no pescoço, ela mexeu-se, largou-me (infelizmente) e fitou os meus olhos.
-Ainda posso arranjar isto Stevie Rae, ainda te posso curar, Nyx vai ajudar-me, TU vais ajudar-me.
Por segundos a minha mente disparou para esses pensamentos, concentrando-se no encanto de voltar a ser normal, mas nessa altura ouvi de novo o coração pulsar, e percebi que não era esse o meu destino.
-Não, não vou. É isto que eu sou. Não vou mudar, tu és a presa e eu o caçador, não à volta a dar-lhe –mantive a voz impassível, sem demonstrar o fervor em que estava por dentro.
-Claro que não Stevie Rae! Tu não és essa pessoa, tu és a minha melhor amiga, e a minha melhor amiga não é um mostro!
-Sou, e vou provar-to. –baixei-me e preparei-me para lhe cravar uma dentada, quando voltou a haver uma interrupção.
-Oh, que nojo de cheiro! Parece que alguém morreu –olhou em volta –Esqueçam, afinal não foi uma, foram três.
-Três? –perguntou Zoey, confusa –Mas quem…
Não lhe dei tempo para perguntar o que quer que fosse, pois tinha reconhecido a voz. Esqueci a minha ex-melhor amiga e dirigi-me à minha pior inimiga.
-Tu… -sibilei.
-Sim, sou eu –respondeu Afrodite –E tu Frigorifico, cheiras a podre.
Rugi.
-Cala-te!
-Não me mandas calar –sorriu docemente.
-Ai isso é que…
-Pára! –berrou Vénus, do outro lado da sala –Afasta-te Stevie Rae, deixa-me passar!
-Tu não…
-Sai dai imediatamente! –tornou a berrar. Concedi-lhe o lugar.
-Afrodite? –interrogou.
Esta parecia completamente atordoada.
-Vénus… -sussurrou.
-O que diabo fazes aqui? –a voz de Vénus estava alarmada.
-Vim buscar-te. –retorquiu a cabra odiosa (a que não tinha uma meia lua vermelha gravada na testa)
A voz e expressão de Vénus passaram de incredulidade para escárnio.
-Achas mesmo? Tu vais ser a minha ceia amiguinha…
-Não! Não! Não vou, tu vens mas é comigo tratar desse cabelo nojento e empastado! E olha só o que trazes vestido! A Vénus que eu conheci nunca sairia à rua assim! –fez um sorriso débil.
-Isso porque a Vénus que tu conheces-te não existe agora, só existo eu, e tu és o meu jantar!
Um grito veio de trás de mim, distraindo-nos a todas.
-Kayla… -sussurrou Zoey.
-Hum? –fiz eu.
-Ela… -reparei que tremia –Ela é a Kayla, a cabra que andava atrás do Heath e que tinha sido minha melhor amiga… Tu ouvis-te! Eu contei-te! Como pudes-te?
-Pelo que eu ouvi, ela fez-te um favor –ironizou Vénus.
Ela ignorou-a.
-Eu odiava-a, mas não tinhas o direito de a matar. –a voz estava gelada, acusadora.
-Achas que sabia quem era? Eu não estou habituada a perguntar os nomes às pessoas que mato!
-Tu… Nós vamos resolver-te, nos vamos tirar-te desse transe, vamos trazer Stevie Rae de volta!
-Duvido que consigas…
-Também eu! –a terceira voz soou, possante, pelo corredor.
-Zoey, sabias que não é bonito faltar a um ritual tão importante? –perguntou Neferet.

(Próximo capítulo: quinta-feira, ás 16h)

Abandoned: Brilho

Aqui está mais um capítulo da fanfic da Tina.
Espero que estejam a gostar da fanfic.
Comentem a Tina agradece!


Abandoned
31º Capítulo

Percorri o corredor sombrio, sempre com os olhos postos na erva que crescia sobre mim e à minha frente.
Andava sob a luz fraca do fogo que tinha invocado. Talvez por mal distinguir os pés –ou talvez só porque sim –O meu pé prendeu-se numa saliência da rocha, e eu teria caído de cara no chão, se um braço forte não me tivesse automaticamente.
Assustei-me, a pensar que uma aquelas coisas (ou tarados malcheirosos três vezes malditos mortos-vivos de um raio) me tinha descoberto, por isso reuni rapidamente o poder do fogo nos meus braços, e preparei-me para o atirar a…
-Erik?!? –Os meus olhos fitaram aqueles, azuis profundos, por meros segundos de felicidade, antes de cair em mim.
-Mas o que raio é que fazes aqui? –Atirei-lhe.
-Isso pergunto eu –retorqui-o, depois adoptou uma expressão séria e grave –Zoey, é uma noite especial, o que raio andas a fazer enfiada nestes túneis bafientos com a Afrodite?
-Eras tu que nos seguias?
-Era. Vi-te sair da sala com ela, e quis saber o que raio é que vocês andavam a fazer juntas –suspirou, a sua expressão pareceu cansada –Tenho saudades tuas, não me parecias doida, por ai a passear com os teus amigos…
-E não sou doida… -murmurei.
-Pois não, também não acho que sejas, mas tu e ela têm estado a falar de uma data de coisas esquisitas… Caraças Zoey, o que é que te trás aqui? O psicopata que tentou assassinar o Heath já nem deve estar cá, e se estiver isso não é razão para cá vires vê-lo!
-Não vim cá ver psicopata nenhum.
-Sim, porque ele não existe… -levantou o meu queixo com um dedo e olhou-me nos olhos –O que é que é assim tão grave que nenhum de nós –estava a referir-se, claro, a ele, Damien, Jack e as Gémeas –possa saber mas que a Afrodite possa… E faltar ao ritual? –abanou a cabeça reprovadoramente –Neferet não ficaria feliz.
“Ela ficaria ainda mais infeliz se soubese a razão…” pensei. Mas tinha de tomar uma decisão. Ou contava a verdade a Erik, ou mandava-o passear, o que havia de ser difícil.
-Erik, tens de ir.
-Não.
-Erik…
-Não vou, não saio daqui Zoey –Por amor de Nyx, porque é que me calhavam sempre os teimosos… Naquele momento ele parecia tanto Heath que até me surpreendi quando Erik me sorriu.
-Quero ficar, não sei o que vais fazer, mas vou contigo.
-Não vais, se quiseres, ficas ai, mas não vens comigo. –incuti todo o poder que tinha na minha voz, e fiquei surpreendida pela maneira com que me saiu. Esperava a habitual voz de sumo-sacerdotista, que também me conseguia surpreender, mas a minha voz soava a algo superior, muitíssimo superior –aliás, ele reparou, pois quase se encolheu.
-Qual é o teu problema Z? Eu não me importo com o que está naquele túnel, quero ir contigo.
-Basta! Não vens e pronto! Nem devias estar aqui Erik, vai!
-Mas Zoey…
-VAI!! –berrei.
Suspirou.
-Eu vou, mas se não voltares rápido, eu volto, e trago mais gente.
-Vai… -murmurei, contrariando o lado cobarde que me gritava “Fica! Fica!”
Virei-me e continuei a percorrer o corredor, apressada, quando um grito ecoou pelas paredes rochosas da caverna.
Paralisei, com medo que alguma criatura o tivesse ouvido, mas como não havia reacção regressei atrás para o repreender.
-Erik! Não podes gritar assim! Sabes lá o que nos pode acontecer! Eu disse para ires, mas tu…
O meu sangue gelou nas veias.
Erik estava deitado, encostado à parede do túnel, com uma expressão de agonia no rosto.
-Oh não! –corri para o pé dele –Agora não, não aqui, não agora! –chorei.
A seguir vinha o aroma, delicioso e crepitante, o aroma dele, do sangue dele…
Estranhamente, esse aroma demorou mais do que devia.
Ele debruçava-se sobre si mesmo. Tossiu, eu esperei ver a mão coberta de sangue fresco vindo do seu interior, mas em vez disso, ela vinha quase limpa. Na verdade, duas ou três linhas escarlates cobriam-lhe a mão, mas de resto não havia qualquer sinal do liquido… Pelos vistos, continuava a correr nas suas veias.
-Erik…?
A sua cara brilhava, como se ele irradiasse um brilho branco, brilho esse que aumentou até ele se tornar quase tão florescente como uma lâmpada de garagem. Assustei-me ao ver que os seus olhos não estavam na sua cor normal. Estavam azuis, como se a pupila se tivesse expandido tanto que lhe ocupava todo o olho, e não se viam sinais da mina negra.
Contorcia-se, cheio de dores, até que tudo isso cessou, abruptamente.
Caraças, mas que raio é que ele tinha?
O corpo estava inerte, a pupila parecia ir diminuindo, e a mina do olho centrava-se agora, tal como o brilho que parecia desaparecer –não sabia se havia de sentir medo ou alivio quando tudo parou.
Mas a minha resposta chegou depressa. Assim que o brilho diminuiu o suficiente para que lhe pudesse ver a cara, distingui uns pequenos contornos de um tom safira brilhante, semelhante aos meus…
Soltei um gritinho sufocado –Erik Mudara!
-Minha Drusa Erik tu… -depois reparei que não estava consciente. Encostei a cabeça ao seu peito, e verifiquei que o coração batia, vivo.
Erik mudara, mas estava inconsciente, e eu tinha de o deixar ali.
-Terra –murmurei –No teu seio nascemos e crescemos, por favor protege agora o Erik enquanto ele muda… Eu te invoco, Terra!
Um cheiro a orvalho matinal fez-me saber que sim, que a Terra estava lá e que Erik estava a salvo.
-Adeus –murmurei-lhe –Não demoro! Ou espero que não…


(Próximo Capítulo: terça - feira, ás 16 horas)

Abandoned: Nos Tuneis

Aqui está mais um capítulo da fanfic da Tina.
Esperemos que gostem.
E já sabem: comentem, a Tina agradece.

Abandoned

30º Capítulo

Não demorei mais do que dois minutos a aparelhar Gingret. De inicio, estava a pensar em montar Perséfone e levar Allegra, uma égua baixinha e a mais calma e fácil de montar da Casa da Noite atrás, com Afrodite em cima dela, pois sabia que Allegra me iria seguir, mas agora Peséfone estava a contorcer-se com cólicas e Allegra estava assustada na sua boxe, que infelizmente ficava nos estábulos para onde Lenóbia se iria dirigir de imediato, então nós apenas tínhamos como opção ir ambas montadas no mesmo cavalo, naquele que não estava nos estábulos.
Claro que ia ser esquisito montar aquela égua, ainda por cima sem sela (não podia pôr uma pois não cabíamos as duas), mas que opções me restavam? Nenhumas.
Por isso, tirei Gingret da boxe, e conduzi-a através de um caminho longo, o único que podia usar se não queria ser vista.
Pedi a Afrodite que me ajudasse a subir, o que ela só fez após muitos resmungos, e agarrei na mão dela para que pudesse subir também.
Só naquele momento (à porta da escola) é que me dei conta do tamanho e beleza da égua: Alta, muitíssimo alta, o pelo de um tom laranja suave, e toda a sua estrutura faziam dela uma das éguas mais aterradoras e belas que já tinha visto, o que me fez sentir pequena por estar a montar algo tão grande e gigante por estar em sobre algo que de si já transmitia tanto respeito, ambas ao mesmo tempo.
Nesse momento invoquei o ar, equilibrando duas correntes de ar debaixo dos nossos pés, para me dar a sensação de que eu tinha uns estribos postos, e para dar a Afrodite a sensação de que tinha algo de baixo dos pés. Coitadita da miúda, agarrava-se firmemente à minha cintura e já tinha os olhos fechados, e embora vê-la assim aterrorizada me desse um certo prazer, tinha uma certa pena –obviamente, depois desse momento arrependi-me, quando mais tarde ela voltou a ser uma cabra (megera do inferno).
Ferrei os calcanhares em Gingret, tentando fazê-la perceber que se devia deitar logo num galope estonteante. E ela deitou, era uma égua de competição e parecia ter percebido a minha urgência.
Afrodite soltou um guincho e apertou-me tanto a cintura que me deu vómitos. Nessa altura lamentei ter bebido tanta coca-cola –e por acaso só agora me lembrava que me esquecera de beber a que já estava a meio, com a pressa de sair dos estábulos.
Continuamos a galopar por vielas sombrias e desertas.
Subitamente, Gingret deu um safanão e derrapou no chão, que estava muito molhado devido à neve derretida. Afrodite soltou um grito de pavor e eu tive de me agarrar à crina para não cair para o lado. Invoquei rapidamente o fogo, para que nos secasse o caminho.
Depois disso, Gingret apenas galopou, esvoaçante, em direcção ao deposito.
Desci de cima dela. Não a podia deixar ir –as pessoas iam perceber se vissem um cavalo regressar sozinho para casa que algo não estava bem – mas mantê-la lá seria muito mais arriscado.
Não tive melhor solução do que leva-la para longe e amarra-la a qualquer coisa, fiz-lhe umas festas e regressei para junto de Afrodite, que ainda tremia um pouco.
Apesar de tudo, olhou para mim sarcasticamente.
-Chamas aquilo um bom transporte?
-Chamo, trouxe-nos aqui mais depressa do que as tuas pernas!
-Independentemente disso, podes ter a certeza de que foi a ultima vez.
-Está bem Afr… -nesse momento tive a sensação de estar a ser seguida, aquela sensação que é tipo um formigueiro na nuca, como se alguém tivesse lá os olhos cravados. Virei-me automaticamente, mas apenas vi a rua sombria e vagamente iluminada pela lua.
-O que foi? –perguntou Afrodite, erguendo uma sobrancelha daquelas que até metia raiva por serem tão perfeitas.
-Nada –abanei a cabeça, como se tentasse que aquela sensação me saísse pelo ouvido –Foi só um arrepio, pensava que estávamos a ser seguidas.
-É bom que não –retorquiu –Era só o que faltava!
-Pois… Era só o que faltava –murmurei, para comigo, voltando a olhar para trás.
-Hum?
-Nada. Vamos?
Soltou um suspiro profundo.
-Claro, vamos meter-nos naqueles túneis nojentos para ir matar uns quantos seres parvos a cheirar a mofo.
-E salvar dois deles.
-Pois, isso também. –massajou as têmporas com os dedos como se lhe doesse a cabeça.
Conduzia pelo mesmo caminho arrepiante da ultima vez, metemo-nos pela tampa de esgoto e fomos dar aos túneis de pedra sombrios.
Havia logo uma bifurcação.
-Fazes ideia por onde é que havemos de ir? –perguntou Afrodite.
-Tenho ideia que era para a direita… Dá-me um segundo.
Concentrei-me por uns momentos na terra, e depois murmurei as palavras que a trariam a mim.
-Terra antiga que deixa germinar, germina agora a nossos pés e mostra-nos o caminho. Eu te invoco, Terra.
Olhei para baixo, onde esperava ver florinhas a germinar, mas não apareceu nada.
Afrodite riu-se cinicamente.
-É a isto que chamas o teu grande poder? Acho que é melhor devolveres, está com defeito!
Revirei os olhos, mas foi quando eles estavam virados para cima que me apercebi.
-Pelos vistos até nem está! Experimenta olhar para cima!
Ela olhou, assim como eu. Um carreiro de uma erva trepadeira qualquer estava marcado, pronto para indicar o caminho.
-Direita
-Esquerda
Dissemos ambas ao mesmo tempo. Olhemo-nos, e para os respectivos caminhos traçados.
-Afrodite, não gozes, não está ai nada!
-Não achas que podias deixar a infantilidade de lado? Claro que está aqui, vês! –apontou para o tecto, para um bocado de rocha maciça.
-Não, não vejo! Olha Afrodite, não tenho tempo para ti! Anda se fazes favor!
-Não percebes mesmo, pois não? –perguntou Afrodite – Isto é mais que obvio!
-O quê?
-Que ambas vemos caminhos diferentes! Foi feito assim. A Terra mostrou-te o teu caminho, e mostrou-me o meu a mim, agora vamos ter de nos separar.
Até fazia sentido.
-OK, faz isso. Assim que conseguires alguma coisa (se conseguires) ou quando tiveres acabado de fazer o que quer que seja, vem ter aqui, e fica à minha espera, a não ser que já cá esteja eu à tua.
-Tudo bem.
Virou e começou a galgar o corredor, mas depois virou-se para trás, como se tivesse acabado de tomar uma decisão.
-Ah! E boa sorte!
Sorri-lhe.
-Para tu também!

(Próximo Capítulo: quinta-feira, ás 16 horas)

Abandoned: Imprevistos

Olá pessoal!
29º capítulo aqui!!!
Já sabem: comentem, a Tina agradece!


Abandoned
29º Capítulo


-Tu vens? –perguntei, surpreendida.
-Pensava que era isso que tínhamos decidido isso, lembras-te? –Pois, mas eu pensava que ela não vinha…- Agora, estamos perder tempo, temos que ir, vieste preparada ou nem por isso?
-Não… -murmurei, olhava para os lados, feita parva, decidida a não a fitar.
Suspirou (juro que se ouvisse mais um suspiro naquele dia matava alguém –OK, a maioria dos suspiros tinham sido meus…)
-Então vai preparar-te, encontramo-nos junto do alçapão daqui a meia hora!
-OK –depois o meu estômago revirou-se –Mas… assim faltamos ao ritual em honra de Nyx…
Ela virou-se para trás, pois já começara a andar.
-Pois faltamos –afirmou, com simplicidade.
-Achas que devemos faltar? Quer dizer, é um ritual importante, arrisco-me a faltar ao meu primeiro?
-Procura dentro de ti –disse ela, sarcástica, mas depois a voz voltou ao normal –A sério, revista a tua cabeça, encontras a resposta.
Virou-se e continuou, em passo apressado.
Girei nos calcanhares e corri até ao dormitório, consciente do que íamos fazer naquela noite. A adrenalina e o medo já corriam nas minhas veias, que latejavam ao triplo da velocidade. Olhei em volta e verifiquei que a noite estava calma, -fria, sem vento ou chuva, e a pouca neve que havia tinha derretido – o que me surpreendeu, devido ao frenesim dentro de mim, que me fizera pensar que estava a chegar um tornado.
Em menos de um minuto já estava no dormitório.
Subi pesadamente as escadas até ao meu (nosso) quarto, sentei-me na cama e comecei a despir-me.
Obviamente que não ia levar uma gabardine tão frágil (e tão gira) para aqueles túneis imundos, e botas de salto alto não eram a minha ideia de sapatos ideais para correr, por isso despi-me, pus uma camisola simples preta e umas calças de ganga confortáveis (e que não me impediriam de correr pela vida), calcei umas botas praticas mas quentes (nem pensar em levar pumas lá para fora, se não quisesse ficar com os pés encharcados) e vesti um casaco qualquer. Prendi o cabelo com um elástico, fiz uma prece rápida a Nyx e preparei-me para sair.
Dei três passos e voltei para trás, com uma ideia tentadora (e algo perversa) na cabeça.
Abri a minha gaveta, e tirei o pequeno frasco.
O liquido vermelho brilho dentro das paredes de vidro, juntamente com as pequenas nuvens de prata.
O frasco já provara ser mais resistente do que os meus olhos pensaram, e duvidava que Nyx me tivesse dado algo tão valioso como aquilo dentro de um frasco quebradiço qualquer. Naquele momento, soube que não se partiria nunca, e soube também que não haveria qualquer mal em faltar ao ritual. Nyx estaria a apoiar-me.
Sorvi uma gota de liquido, que explodiu e me deliciou –embora sem me provocar um desejo escaldante de ter mais daquilo (e não só…). Era uma das muitas propriedades daquele sangue –maravilhoso e reconfortante, mas não algo viciante que eu tinha de ter.
Algo em cima da minha cama tremeu.
Corri para ir buscar o telemóvel, que deixara no bolso das calças que tirara (não ia propriamente falar ao telemóvel com a minha avó quando estivesse a combater mortos-vivos taradinhos ansiosos por me chuparem o sangue até eu estar mesmo bem sequinha) e retirei-o.
Abri o telemóvel giro que me tinham oferecido à três meses (o meu antigo caíra no lava-louças cheio… Um fim triste para um telemóvel que tinha caído mais de cinquenta vezes, ido à maquina três e até tinha sido roubado pelo cão da minha vizinha….) e atendi, sem sequer ver quem era –obviamente que não me teria valido de muito ter visto, porque não tinha aquele contacto… E não fazia a mínima como é que ela arranjara o meu.
-Zoey?
-Afrodite?
-Mudança de planos, encontramo-nos nos estábulos.
-OK.
-Despacha-te, já ai estás à quinze minutos!
-Deste-me meia hora –lembrei.
-Pois, mas chegares antes disso não te ficava nada mal! –e desligou o telemóvel.
“Atrasada mental” reclamei.
Já estava a sair do dormitório (outra vez) quando fui (novamente) obrigada a recuar.
-Alisha?
-Eu vou contigo.
-Hum?
-Eu sei onde vais.
-De que é que estás a falar? –interroguei, embora me apetecesse mais perguntar algo do género “Como é que descobris-te?”
-Porque estás a abandonar a festa uma hora antes do ritual, tu nunca farias isso.
-Eu tive de vir buscar uma coisa!
-E também tiveste de mudar de roupa?
-Vou buscar uma coisa a casa da minha avó –ela alugara uma casa ali perto, para poderemos estar juntas.
-Zoey… -murmurou.
Raios me partam! Como é que resolvia aquilo? Levá-la connosco era deixa-la saber tudo e coloca-la em perigo (fora de questão) mas deixa-la seria o mesmo que mandar uma carta a Neferet a dizer que nos íamos pisgar, e creio que ela percebia a mensagem. Merda, porque raio é que não se limitara a ficar colada a Luke?
-Por favor Zoey, eu amava-o. –Estava a referir-se, claro, a Chris, que fora brutalmente assassinado pelos tarados malcheirosos três vezes malditos mortos-vivos de um raio, (excluído Stevie Rae, que era apenas malcheirosa e um bocado tarada) e que era ex-namorado dela.
-Eu sei. Lamento pela tua perda.
-Então levas-me contigo? –o rosto dela iluminou-se.
-Para vir buscar as flores da minha avó? –perguntei, fingindo-me confusa. Alisha colocou uma expressão de magoa tão grande que, por um segundo, me apeteceu leve-la comigo, mas dei um safanão a mim mesma e prossegui – É melhor voltares para a festa, aposto que o Luke está à tua espera.
-Pois…-murmurou –Até já Zoey.
Afastou-se abatida.
Só tornei a respirar quando ouvi a porta lá em baixo bater.
Depois disso apressei-me a pôr o frasco no bolso e a descer rapidamente para a cozinha –tinha de beber uma cola (que não fosse de dieta) antes de ir.
Abri a lata e sorvi meia quase de uma vez, depois sai, correndo em direcção aos estábulos.
Esperava ver Afrodite a bater o pé e a queixar-se que eu demorara vinte e sete minutos e quarenta e nove segundos, e já pensava na resposta que lhe daria quando ouvi relinchos, imensos relinchos.
Corri rapidamente para lá, deixei a cola na primeira superfície que vi e acorri para as boxes, onde estavam os cavalos, todos um pouco nervosos.
Olhei para os lados, tentando identificar qual a boxe da qual vinham os gemidos de dor, e verifiquei, apavorada, que eram de Perséfone.
Cheguei para ver que Afrodite estava lá, aflitíssima, a tentar acalmar a égua que se ia deitar naquele momento.
-Não a deixes fazer isso!! –berrei-lhe, com toda a força. Sabia o que é que ela tinha. Tinha cólicas, umas horríveis dores naqueles intestinos que deveriam ter um tamanho colossal, se se deita-se, provavelmente morreria de dores –é verdade, os cavalos são uns picuinhas.
-O que é que fazemos? –perguntou, com uma expressão de pânico. Era evidente que não fazia a mais pálida ideia do que se passava.
-Vou telefonar a Lenóbia.
-Estás maluca? Assim toda a gente vai saber que estamos nos estábulos! Vais dizer-lhe que vieste aqui dez minutos antes do ritual para os montar?
-Não, vou pedir-lhe que corra e que não fale com ninguém, Neferet deve estar a preparar o ritual e não vai saber. Por enquanto.
Dirigi-me ao telefone grande que se encontrava à porta do estabulo (ao lado da minha cola) e marquei o numero de Lenobia, que estava escrito na folha colada à própria mesa, juntamente com outros números de emergência.
-Estou?
-Professora Lenobia?
-Ah, Zoey, és tu! Faltam dez minutos para o ritual, o que raio estás a fazer nos estábulos?
-É a Perséfone, tem que vir, rápido.
Deve ter percebido, pela minha voz e pelos relinchos que algo não estava bem.
-Vou já para ai.
-E não diga a ninguém, ninguém mesmo!
-Mas Zoey, porque é que…?
-Só não o faça!
E desliguei o telemóvel. Regressei para o pé de Afrodite.
-O melhor era fazê-la mexer, mas não temos tempo, Lenobia está aqui não tarda. Tens que me ajudar a encher a boxe, se a encher-mos muito ela não vai poder deitar-se.
-OK.
Fizemos aquilo rapidamente.
-E agora, como é que vamos? Não temos cavalo e não acredito que estas pilhas de nervos sejam boas para ser montadas. Eu nunca me pus em cima de um desses bichos, não quero cair da primeira vez.
-Então ajuda-me, vai buscar uma manta.
Ela ergueu as sobrancelhas perfeitas, em jeito de pergunta.
-Deixa. Eu vou. Vai até à sala de Lenobia, vamos na Gingret.




(Próximo capítulo: terça-feira)

Abandoned: Festa

Olá pessoal!
28º capítulo aqui!!!
Já sabem: comentem, a Tina agradece!


Abandoned
28º Capítulo

A minha vida estava uma merda.
Pois, era verdade.
Eu tinha merecido aquilo? Provavelmente, aquilo e muito mais até. Magoava toda a gente com aquela atitude de megera, típica de Afrodite –era nisso que eu me estava a tornar: numa Afrodite.
-Zoey? –perguntou uma voz.
Estava sentada no pátio principal da Casa da Noite.
-Diz. –respondi, bruscamente. Depois suspirei –Desculpa, estou com a cabeça em água!
-Pois, calculo! Quer dizer, aquilo tipo -que é meeeeeeeesmo bom –parte um prato, e tu passas-te? Quer dizer, eu já tive uma camisola de estimação, mas nunca conheci ninguém que tivesse um prato de estimação!
-Tu não percebes…
-Que tu fiques deprimida quando um prato se parte? Não, não percebo.
-Não, aquele tipo meeeeeeeeesmo bom, é… era… meu namorado.
Alisha soltou um gritinho.
-Namoravas com o rapaz mais giro da escola?
-Namorava –usar o passado causava-me um aperto no coração –mas ouve um problema, e nós acabamos…
-OK, o teu ex-namorado partiu um prato, e tu ficas-te deprimida… Ainda não percebi onde queres chegar…
-Eu sou uma cabra –murmurei.
-Ah!! –exclamou Alisha –Então o teu ex-namorado partiu um prato, e tu ficaste deprimida e és uma cabra… Explicas-te?
-Alisha, nós acabámos à pouco tempo, se é que chega-mos a acabar, porque não falei com ele desde uma discussão que nós –eu, ele e o resto do nosso grupo –tive-mos! Foi uma coisa meio estúpida –(pronto, OK, não tinha sido, mas eu não lhe ia contar, já me bastavam seis a achar-me maluquinha) – e o nosso grupo separou-se, quer dizer, eu separei-me do grupo…Ontem eu… Recebi uma carta dele a dar-me os parabéns, e…mais um monte de coisas, por isso acho que para ele nós não acaba-mos mesmo, porque por alguma razão desconhecida, ele continua a pensar em mim, e eu continuo a pensar nele, mas hoje, quando estava-mos na sala comum… Bem, ele olhou para mim, eu estava super stressada para ter uma ideia melhor do que mostrar-lhe que já o esquecera (o que é mentira, mas eu estava magoada e queria que ele pensasse que sim) por isso é que beijei o Jason, e por isso é que ele partiu o prato e se foi, e por isso é que sou uma cabra!
Alisha fez um ar confuso.
-Quer dizer que estavas a usar o Jason? Zo, eu nunca pensei que fizesses isso…
-Bem, sim, não, sim, talvez, sei lá! Eu gosto dele, a sério… Mas isto é tão confuso… Não dá, simplesmente, para te explicar, contenta-te com o facto de eu ser uma cabra E uma galdéria!
-Uma novela, ou uma série televisiva, como já te tinha dito…
-Hum?
-A tua vida, não te tinha dito antes?
-Como é que podes pensar nisso agora?
-É simples, ou achas que és a única pessoa a gostar de dois rapazes ao mesmo tempo? Por amor a Nyx Zo, não andavas (e andas…) numa escola cheia de adolescentes? E quanto ao que tu fizeste, quem é que nunca beijou outro tipo para fazer ciúmes ao namorado? Quer dizer, até já beijei um idiota qualquer para fazer ciúmes ao meu ex-namorado,
-Não és como eu.
-Pois não, mas conheço gente pior, dou-me com gente pior, são meus amigos, o que eles fazem não me diz respeito…
Levantei-me, e sorri-lhe.
-Não me dás hipótese, pois não?
-Nunca!
Começa-mos a caminhar lentamente, em direcção ao sitio onde os festejos de Natal/Daihoma começavam.
-A sério que beijas-te u idiota qualquer para fazer ciúmes ao teu namorado?
-Estava desesperada –justificou-se.
Ri-me.
Caminha-mos mais um pouco e não tardámos a chegar a um salão espaçoso, enfeitado com arvores Natalícias (não, não haviam anjinhos ou estrelas no topo) e estátuas representantes de Nyx e dos seus filhos vampyros, entre os quais reconheci, por estar do lado direito de Nyx e ser quase do mesmo tamanho que esta, Dorothima, a vampyra mãe.
Já se encontrava muita gente na sala, eram nove horas, os festejos iriam durar até às cinco da manhã, e o inicio seria daí a uma hora.
Centenas de pessoas –e com isto refiro-me a vampyros e humanos - estavam reunidas na sala, no entanto esta era tão alta e desenhada de uma maneira tão complexa que quase não se ouvia ruído.
A decoração compunha-se por diversas velas representantes do elementos, dispostas em frente das estatuas, –as velas eram dispostas consoante o elemento com que cada um dos vinte e sete vampyros se identificava mais –acesas (velas de meio metro, devido ao enorme tamanho das estatuas), e uma vela de cada elemento disposta em circulo à volta de Nyx.
Por outro lado, gigantescos pinheiros de Natal, ramos de azevinho, velas brancas típicas do Natal e grandes bolas encarnadas também se encontravam na sala, criando um enorme contraste entre as imponentes estatuas e os familiares ramos de azevinho.
Como estávamos numa Casa da Noite, enfeites Natalícios relacionados com o Cristianismo não existiam, as árvores estavam lá porque o tradicional “Pinheiro de Natal” não derivava de qualquer tradição Cristã, mas sim de outras tradições mais antigas.
Não obstante isto, havia uma outra divisão que tinha sido transformada numa espécie de Igreja, e onde os pais dessa mesma religião poderiam ir rezar ou assistir à Missa (os alunas estavam proibidos de participar em qualquer uma destas situações), e o Templo de Nyx fora também devidamente preparado para um ritual especial (ao qual os pais estavam livres de ir assistir, mas não poderiam participar a não ser sobre certas circunstâncias).
Jason apareceu por trás de mim, rodou-me e encarou-me.
A sua cara estava tão próxima da minha que conseguia sentir o seu respirar leve.
Aproximei-me para o beijar, sem pensar sequer no incidente de à bocado, e de como me sentira à dois minutos atrás, mas ele impediu-me.
-Porque é que desapareces-te?
-Por nada de especial, era só… não era nada!
-Zoey… -interrompi-o, dando-lhe um beijo suave.
-Zoey não, limita-te a não pensar nisso, OK?
-OK –respondeu, contrariado.
A hora seguinte passou rapidamente, estava-mos os quatro a divertirmo-nos (mas desta vez sem tarte no cabelo…), quando uma voz suou por toda a sala.
«Bem vindos a todos! A Casa da Noite de Tulsa gostaria de vos dar as boas vindas. Como devem saber, estamos reunidos para comemorar uma festividade que não é Cristã, esta festividade chama-se Daihoma e não está, de forma nenhuma, ligada à festa Cristã que é o Natal, então se for vosso desejo rezar ao vosso Deus ou prestar qualquer outro tipo de homenagem, agradecia-mos que o fizessem na Capela que prepara-mos, e também é nosso dever informar que a mesma está interdita a qualquer vampyro ou Iniciado, seja por que motivo for. Agradeço a vossa atenção, espero que tenham uma boa festa.»
A voz de Neferet soava e ressoava dentro do salão, saindo de enormes colunas posicionadas lá em cima.
Vi vários adultos e adolescentes humanos abandonarem a sala nessa altura.
Entretanto, Elen e William apareceram.
Elen sentou-se numa cadeira ali perto, esticou as pernas e suspirou dramaticamente.
-Porque é que só chegaram agora? –perguntou Alisha.
-O teu pai perdeu-se
-A tua mãe perdeu-se
Disseram os dois ao mesmo tempo.
-Não –negou Elen –EU disse que era para virar à direita, mas tu insistis-te em virar à esquerda!
-Isso era porque a tua direita era a minha esquerda!
-E como é que isso é possível –inquiriu Elen.
-Se calhar eu estava virado para ti!
-Nessa altura não estavas!
-Estava sim senhor!
-Oh, pelo amor de quem quer que seja, estavas ao meu lado!
-Sim, e depois virei-me para ti!
-OK, –interrompeu Alisha –podem parar com isso? Anda Z, vamos mas é buscar comida!
-Por falar em comida –deitei-lhe um sorriso perverso –Não íamos correr hoje de manhã?
-Oh minha Deusa! Tens razão! Deixa, amanhã fazemos o dobro das voltas!
Desta vez foi a vez dela de sorrir ironicamente.
Suspirei.
-Como vossa majestade quiser! –e revirei os olhos.
-Desde quando é que tu obedeces a Sua Majestade? –inquiriu Luke.
-Desde que ela ameaçou arrancar-me os cabelinhos enquanto me arrastava!
-Hum… -ele pareceu pensativo –Faz sentido… Então, Sua Majestade Alisha, o que deseja beber?
-Traz-me sumo de laranja SEM gás!
-Oh, falas como se eu me enganasse sempre no gás que tu querias!
-Não, falo por via das dúvidas.
Sorriram um para o outro.
-Agora se me dá licença, tenciono retirar-me para que a possa servir. –disse Luke, fazendo uma vénia suave.
-Vai! –ordenou ela, revirando (novamente) os olhos.
Jason abeirou-se de mim –abeirou-se? Mas que raio de palavra era aquela? Talvez os ensinamentos de Damien não me passassem assim tão ao lado…
-E Vossa Alteza o que deseja?
-Que tu não me chames Vossa Alteza E uma coca-cola (que…)
-Não seja de dieta –concluiu ele.
-Pois, isso!


A festa correu lindamente, até à meia noite, quando as coisas mudaram um bocado –não para pior, claro, limitaram-se a mudar.
Neferet acabara de anunciar que faltava uma hora para o nosso ritual, e a Missa tinha acabado de começar.
Luke e Alisha estavam na marmelada, ironicamente posicionados ao lado da estatua de Beynnatha “A Proibida”, Elen tagarelava alegremente com uma mulher qualquer que, aparentemente, era sua conhecida, William conversava com a minha avó e eu e Jason namorava-mos também a um canto –mas desta vez num sitio onde Erik, que também estava na festa, não nos pudesse ver.
Hefer e a minha mãe também lá estavam, desde o inicio da festa, o primeiro com cara de enjoadinho e a minha mãe com uma falsa presunção na cara –mas isto não me incomodava, estavam lá desde o inicio, e eu limitara-me a ignora-los. Nessa altura, ambos saíram para ir à Missa.
Tentei imaginar onde estariam os meus irmãos. Sabia que a minha irmã estava, provavelmente, a dormir com um rapaz qualquer da equipa de futebol, ou então já começara a fazer o mesmo com a de Hóquei, e o meu irmão… Esse já era um bocado mais difícil de inventar…
Estava a divagar assim, sentada ao colo de Jason, quando um a cabra –perdão, rapariga, apareceu.
-O que é que queres Afrodite?
-Falar contigo Zoey –disse ela, com um sorriso fingido.
Virei-me para Jason:
-Importas-te?
-Não, vai –respondeu, sorrindo.
Dei-lhe um beijo rápido.
-Volto num segundo.
E seguia até… lá fora?
-O que é que queres Afrodite?
-Está na hora. Trouxes-te boa roupa, espero.
-Para quê?
-Pensei que íamos fazer uma pequena excursão às grutas do deposito…



(Próximo capítulo: quinta-feira, ás 16h)

Abandoned: Idiota

Olá pessoal!
27º capítulo aqui!!!
Já sabem: comentem, a Tina agradece!


Abandoned
27 Capítulo

-Zoey!! Zoey! – gritou Alisha. Eu estava no quarto, a revirar um colar de prata (enganei-me, afinal Heath não sabia o quanto odiava que misturassem o Natal e o meu aniversário) com um pendente semelhante a um floco de neve numa mão e a carta decorada com (mais outro que não sabia sobre a mistura Natal/Aniversário) uns bonecos de neve.
-Diz?
-Zoey – ofegou ela, abrindo a porta do quarto –O Lord?? Viste-o?
-Não… Ele não anda por ai á uns dias, só agora é que te lembras?
-Ele não tem estado por cá, só agora é que te lembras?
-Não percebes! Ele tem estado por cá! Mas agora desapareceu!
-Assim como?
-Eu… Sinto-o, dentro da cabeça, como uma luz, uma presença… Eu sei SEMPRE onde ele está, SEMPRE! E agora deixei de o sentir! – exclamou, (demasiado) preocupada.
-É um gato, ele pode… ter-se afastado mais um pouco e quebrou a vossa ligação, não é nada de mais…
-Tu não percebes – interrompeu, chorosa – Ele não estava longe, e depois já cá não estava!
-Relaxa, não á de ser nada de mais! – tranquilizei-a (OK, não a tranquilizei, eu TENTEI, mas pelos vistos não deu…)
-Mas é!!!!
-Olha, porque é que não vamos dormir, vais ver que amanhã já cá está.
-Não íamos dar um passeio.
“Ah… Pois íamos…Paciência!” dialoguei, para mim mesma.
-Vamos, estou super cansada, vamos mas é dormir e amanhã logo se vê!
-OK, vou só avisa-los.
-Ah – acrescentei, quando ela sai pela porta – Respira fundo.
Ela deitou-me um sorriso irónico, e eu brindei-a com o meu genuíno.
Lavei os dentes, vesti o pijama e enfie-me na cama.
Nyx tinha razão: Aquela noite fizera-me bem, muito bem, sabia bem descontrair. Mais, sabia bem descontrair sem receber prendas cheias de Pais Natal.


Uma musica Natalícia –daquelas mesmo muito irritantes, que se ouvem em praticamente TODAS as peças de teatro nas escolas primarias – acordou-me, de manhã.
-É Natal, é Natal… -cantarolava Alisha.
-E eu quero dormir! –interromopia, cantando a ultima frase com ironia.
-Credo, Z, não sabia que tinhas mau humor matinal!
-E não tenho, quando tu não me acordas!
-Oh, por amor da Deusa! É Natal!
-Daihoma, para tua informação, e este é considerado um dia sagrado, e, imagina só! Um dia de descanso também! –OK, admito, naquele dia eu estava especialmente mal humorada. Não tinha pregado olho por estar a a pensar em Erik e na sua carta, Stevie Rae não me saíra da cabeça –aposto que ela estaria a cantar o mesmo tema que Alisha naquele momento, mas com o seu sotaque do Oklahoma, e que quando nós chegasse-mos lá abaixo se ia deitar a fazer um bolo qualquer, que como todos os seus outros bolos, saberia a algo semelhante a serradura. Mas isso não interessava, porque nós íamos comer aquele bolo, eu ia elogia-lo, Shaunee e Erin iam dizer-lhe a verdade, e Stevie Rae ia acabar a dar-nos um sermão sobre os seus bolos típicos, e muito apreciados pelo resto da sua família. Resumindo: Ia ser o melhor Natal que eu tinha, pelo menos, desde á três anos atrás –isto se não fosse melhor do que os outros também.
Uma lágrima solitária escorregou do canto do meu olho, e rolou até acabar por cair em cima do meu pijama. Tive de a limpar rapidamente, com medo que Alisha olha-se para mim –quer dizer, se num segundo ela estivesse a resmungar por ter sido acordada, e no seguinte estivesse a chorar, provavelmente acabava a chamar-lhe bipolar, e eu não queria parecer mais alucinada do que já parecia.
-OK, quero lá saber se não tens paciência ou se não te queres levantar, põe-te mas é a mexer ou eu arrasto-te! –exclamou ela, virando-se para mim bruscamente. –E despacha-te a vestir, está gente lá e baixo à espera!
-E eu é que tenho mau humor… -resmunguei.
-Não sou eu que estou a resmungar! –retorqui-o.
-Sempre às ordens –deitei-lhe um sorriso irónico.
Ela revirou os olhos e suspirou.
-Anda, depois do pequeno almoço vens comigo correr!
-O quê? Deves estar a brincar! Não achas que estou cansada o suficiente?
-Não! Para além de que comi demasiado no teu Jantar, agora vens comigo, de castigo por me teres obrigado a comer aquela tarte de natas!
-Tu não a comeste, tu atiraste-ma!
-Comi duas colheres!
-OK, então vai tu correr, eu sinto-me bem assim!
-Ai não que não vou, sozinha não vou!
-Então não vás. Simples, não é?
-Tu vens comigo minha amiga, nem que tenha de te arrastar pelos teus lindos cabelinhos pretos!
-Hoje deu-te para me arrastares para tudo?
Ela semicerrou os olhos, mas depois cedeu e desmanchou-se a rir.
-Uau, isso acontece-te muitas vezes? –Agora já acreditava que ela talvez fosse bipolar…
-Nem por isso, só acho piada à ideia de te arrastar pelos cabelos até ao American Eagle… -deitou-me um sorriso atrevido
-Já te disse um milhão de vezes, não me apetece passar três horas a escolher uma camisola que só vais usar uma vez!
-Mas eu PRECISO de camisolas!
-A sério? E que tal usares uma das tuas trezentas?
-Uma das minhas trezentas que por acaso estão VELHAS?
-Oh, compra-mos duas anteontem!
-Sim, eu usei-as e pu-las para lavar!
-Como é que consegues usar duas camisolas num dia?
-Habilidade, técnica e jeito. Já pratico à uns tempos… Mas que tal irmo-nos vestir?
-Uma ideia decente, pela primeira vez… Já sentia a falta disso, mas contigo já devia saber, não é?
-Pois. –respondeu.
Suspirei, pela enésima vez, e dirigi-me ao armário.
Umas calças pretas, umas botas de cano alto encarnadas, a camisola encarnada –e gira do American Eagle – e uma gabardina preta que me chagava aos joelhos, simples e rápido, era assim que eu me vestia… Ao contrario de Alisha, que ainda estava indecisa entre uma camisola preta com um decote mesmo giro e uma T-Shirt esvoaçante.
-Leva a camisola preta –aconselhei.
-Eu sei, estava a pensar nisso, mas parece demasiado casual para vestir numa época destas, não achas?
-Claro, o mais adequado para esta época é um vestidinho branco com um cinto florido e preso atrás num grande laço.
Ela deitou a língua de fora, com cara de quem tinha chupado um limão azedo.
-Nunca na minha vida eu vestiria uma coisa dessas!
Acenei com a cabeça.
Passamos a meia hora seguinte a escolher a roupa –era mais Alisha que estava a escolhe-la, eu limitava-me a acenar e a suspirar, suspirar muito.
De qualquer maneira, acabamos por descer.
Luke e Jason estavam lá em baixo, assim como Elen e William e a minha avó.
Sorri-lhes.
-Aqui a Miss não se conseguia decidir entre dois pares de bota, aparentemente idênticos!
-Eu já te disse, eles não são idênticos, um deles tem o corte na boca da bota mais profundo, e eu queria saber qual dos dois condizia melhor com o decote da camisola!
-Obviamente, porque toda a gente costuma olhar para isso!
-Não tenho culpa que te vistas de qualquer maneira, pergunta ali à Sr.ª Elen, ela passa este tempo a escolher um colar!
-Podem parar com isso? –suspirou Luke. Depois avançou para Alisha, rodeou-lhe a cintura com os braços, sorrio e beijou-a –Eu acho que ficas sempre perfeita!
Jason fez o ar de quem ia vomitar.
Estava a rir, quando olhei para o lado. Erik estava lá, assim como todos os outros, com um prato de qualquer coisa na mão. Eles riam-se todos, a conversar. Erik desviou o olhar por um segundo, olhando para mim. Não queria, de maneira nenhuma, que ele visse como olhava para eles, por isso, por instinto –ou talvez por ser a primeira coisa de que lembrei (embora admita que tinha lá um pouco de malícia à mistura) – avancei até Jason, deitei-me nos seus braços rapidamente e beijei-o. Ele pareceu surpreendido, de inicio, mas depois correspondeu ao meu beijo, calorosamente.
Pronto, naquela altura já estava realmente a apreciar o beijo, quando um ruído de algo a partir me chamou a atenção.
Afastamo-nos, e olha-mos –como toda a gente na sala –para o sitio onde estava Erik, com um prato partido em dois nas mãos.
O olhar era o de um cachorrinho ferido, e a dor era tanta que até a mim me doeu. Apeteceu-me correr até ele, pedir-lhe desculpa, dizer-lhe que o amava, mas sabia que não podia.
Ele levantou-se, e dirigiu-se à porta rapidamente, a ser seguido por todos os olhares na sala. Soltei-me dos braços de Jason, que ainda me seguravam, e corri atrás dele.
-Erik –murmurei, mas ele já deixara a sala.
Fiquei ali, feita estúpida, a olhar para a porta. À minha volta, o ruído começava a alastrar, até que a divisão voltou ao seu estado turbulento normal.
Olhei para trás. Erin e Shaunee olhavam para mim com um olhar que transbordava de raiva, Damien parecia incrédulo e Jack magoado.
Suspirei e fui em direcção à porta, deixando todos para trás.Precisava de estar sozinha.
Acabara de magoar aqueles que adorava, não ia demorar a magoar Lue, Alisha, Jason e todos os outros que se aproximavam de mim…
“Agora sim Zoey, agora estás uma verdadeira cabra!”


(Próximo capítulo: terça-feira, ás 16h)