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Wrong: Capítulo 5

Olhei-o continuamente espantada, mas desta vez também confusa. A custo, levantei-me da cama e dirigi-me devagar à casa de banho. Olhei-me ao espelho e estremeci. Por momentos achei que era um monstro, pois o meu aspecto era terrível. Fiquei por segundos a observar-me e doeu-me o coração. Oh, o Erik.
-Vais demorar muito? – Perguntou Damien que ainda estava a porta. Não respondi. Lavei a cara e num acto absurdo comecei a chorar, de novo.
Damien abriu a porta e foi até à casa de banho, que apoiou a sua face no meu ombro, e a sua mão friccionava o meu braço, numa tentativa de me reconfortar.
-Está tudo bem, Zoey. – Sussurrou gentilmente.
-Dá-me só um pequeno momento, vou já ter contigo à sala de convivência. Obrigado. – Disse rapidamente, fazendo-o deslizar até à porta e depressa deixar o quarto.
Voltei a lavar a cara e já tinha melhor aspecto. Vesti umas calças quaisquer que estavam no armário e um pólo preto, que se adequava perfeitamente às minhas curvas. Penteei-me e tentei sorrir perante o espelho.
Fui mais uma vez ao quarto e através da janela cheia de gotículas pequeninas de água, vi que estava a chover. Desde que entrara para a casa da noite passei a gostar de chuva, mas nesta ocasião só me dava vontade de voltar para os meus lençóis quentinhos e dormir. Mas não pode ser, não mesmo. Tenho que sair daqui e seguir em frente. Pois, a teoria é fácil. A prática? Não tanto. Respirei fundo antes de puxar a maçaneta da porta e enchi os meus pulmões de coragem. Damien continuava à minha espera, mas estava sentado. Decerto que sabia que eu iria demorar o meu tempo.
-Estás pronta? – Inquiriu Damien ligeiramente feliz. Estaria ele a fazer das suas?
-Sim. – Balbuciei, tentado sorrir. Confesso que nem foi assim tão difícil. – Posso só beber uma Coca-Cola, num segundinho? – Acrescentei, fazendo-o o rir.
Ele acenou afirmativamente e eu dirigi-me à cozinha. Procurei desenfreadamente por uma lata que certamente chamava pelo meu nome. Depois de encontrar uma, sem ser de dieta, dei vários golos de seguida e saboreei aquela bebida. O gás brincava com a minha garganta e ri baixinho quase me engasgando. Voltei a rir pela minha situação estúpida. Voltei para junto de Damien e estava de melhor humor. Ele sorriu pela minha melhoria.
-Preparada? - Questionou ele sorrindo, por momentos a minha mente divagou, foi mais longe, será que o Erik tinha voltado? O meu coração ardeu com aquela ideia tão idiota.
Inspirei profundamente. - Sim!
-Jack entra.
A porta abriu lentamente, mas quando vi o que a porta escondia assustei-me.
O cabelo loiro desalinhado, a cara de criança, os olhos claros. O corpo de desportista, o-h m-e-u d-e-u-s!
-O QUE ESTÁS AQUI A FAZER HEATH? TU SABES QUE É... - só depois de estar a gritar com ele é que reparei na pequena lua que se encontrava na sua testa com alguns cabelos a esconde-la. - O QUE? COMO?!
A minha respiração acelarou. Acelarou demasiado.
-Zoey estás bem? - Perguntou Damien colocando a mão atrás das minhas costas.
-COMO? - Livrei-me dos seus braços e apontei o meu dedo indicador - COMO É QUE TU? Tu, o MEU Heath, te atreves a seres marcado? COMO EXPLICA-ME HEATH! JÁ!!
-Zo, tem calma, eu não tive culpa. - Murmurou. Tinha vontade de o abraçar, mas não o iria fazer, estava demasiado chateada com ele para isso, ele não podia ser vampiro. - Um caça apareceu quando estávamos no treino e todos me viram a ser marcado, eu não pedi nada. Depois disso desmaiei, e tive um sonho estranho. Sonhei com uma mulher a dizer-me que tu estavas em perigo, e que eu devia ajudar-te. Que tu precisavas de encontrar o teu caminho de novo. E quando acordei já estava aqui na Casa da Noite.
-Nix. - Murmuraram Damien e Jack ao mesmo tempo.
-Fiquei preocupado contigo, e não me importo de ser uma aberração se estiver ao teu lado. - as últimas palavras de Heath fizeram com que o meu gelo derrete-se e apesar da minha confusão interior corri para o abraçar, encostei a minha cabeça no seu peito e inalei o seu perfume caro - tinha saudades, quase tantas como tinha de Erik.

Wrong - Capítulo 4

Adormecera, e contudo era difícil livrar-me da dor miserável que atormentava o meu coração, se é que ele ainda existia após tantas lutas. Shaunee entrou no quarto com um tabuleiro, conseguia cheirar a canja, e vi uma Coca-Cola. O olhar dela tinha piedade, mas porra, eu não quero que me olhem assim.
-Hey Zoey... É melhor jantares algo antes que amanheça. - Atrás dela vinha Erin, com o mesmo olhar.
-Só a coca. - Sussurrei, e a Nala gatinhou pelas minhas pernas aninhando-se no meu ventre.
-Como te sentes? - Perguntou Erin com uma voz passiva
-Agora não, deixem-me apenas estar sozinha por favor.
-Mas Z tens de comer... - Aquele apelido mexera comigo de tal forma que o meu coração doeu ainda mais, e parecia impossível sentir algo assim de novo, as lágrimas desciam pela minha face.
-NÃO! NÃO ME VOLTEM A CHAMAR ISSO! NUNCA MAIS! NENHUM DE VOCES! SAIAM. - Ambas trocaram olhares.
-Zoey... - Continuou Erin, eu levantei-me derrubando Nala para o chão, tirei a Coca-Cola do tabuleiro, e entreguei este a Shaunee.
-AGORA SAIAM! -Gritei, e elas olharam-me com o mesmo olhar de pena, e depois saíram uma atrás da outra batendo a porta devagar.
Senti-me mal por ter gritado com elas, contudo senti uma pontada de razão. As lágrimas continuavam a rolar pelo meu rosto, a Nala roçou-se novamente nos meus pés. Peguei nela e coloquei-a no meu colo, ela ronronou.
-Desculpa. - Murmurei, e desatei a chorar novamente, abafei o choro com a almofada enquanto sentia os bigodes da Nala a fazerem-me cócegas no braço. Minutos ou horas depois, o choro decidiu abandonar-me, e vieram os soluços.
Parecia-me impossível sair daquele quarto. Era demasiado doloroso viver num mundo em que Erik já não residia. Era demasiado doloroso sair e enfrentar todos os olhares de pena e condolência. Nunca fora tão cobarde como agora. Era impossível sair daquele buraco em que o mundo fazia questão de me enterrar mais.
Depois daquele grito duvido que as gémeas voltem a entrar aqui tão cedo, e assim fui perdendo a noção do tempo. Passaram horas? Dias? Não sei. A noção de exterior foi-se desvanecendo em pouco tempo. Admira-me que Neferet não tenha dado numa de mãe cínica e vir aqui. Mas sinceramente não me interessa.
Perdi a noção do tempo, e sempre que acordava tinha alguma coisa para comer em cima da secretaria, acompanhada de uma Coca-Cola. Ainda era cedo, o sol estava a começar a pôr-se, e os reflexos alaranjados encheram o meu quarto. Então lembrei-me do meu piquenique com Heath, quando vi-mos o pôr-do-sol juntos á beira-mar. E questionei-me, se nunca tivesse sido Marcada, nunca teria sofrido, talvez ainda estivesse feliz - ou a fingir - ao lado de Heath, e era apenas uma adolescente normal. Mas se tentassem matar o Heath como tinham feito antes? Lembrei-me dos túneis, escuros e sujos. E senti o coração apertar e a falhar uma batida. Depois observei o sol, vermelho, já quase sumido, e ele lembrou-me o olhar e a marca de Stevie. E a minha mente finalmente iluminou-se, depois de dias vazia.
Stevie Rae morreu, mas ressuscitou. Erik morreu, mas poderá ressuscitar. Erik pode virar um podre, e eu podê-los salvar aos dois. Um sorriso pequenino e estúpido emergiu na minha face, na esperança que a minha teoria estivesse certa.
-Zoey, chega de te fechares aqui! – Disse Damien entrando de rompante no quarto, e olhei para ele espantada. – Por favor, já passou uma semana que estás aqui, estás a perder aulas importantes e acima de tudo, há alguém que deves saber que está aqui. – Acrescentou sorrindo.
-O quê? Quem? – Perguntei e notei que a minha voz estava seca e rouca.
-Anda e verás!


By: Júuh e Sheprey

Wrong - Capítulo 3

Foi então que um cheiro demasiadamente conhecido invadiu as minhas narinas e rapidamente as lágrimas brotaram dos meus olhos.
- NÃO! – Gritei, correndo na direcção de Erik, que já permanecia deitado no chão sujo do pátio. Olhei-o e todo aquele sangue grelou da sua boca. E depois das suas ventas, o cheiro era já impossível de ignorar. As lágrimas eram tantas que já nem via focada mente o rosto belo de Erik. No meio daquele vermelho ainda conseguia distinguir os belos olhos azuis, mas estavam tristes. Passei a minha mão pelos olhos de modo a limpá-los. Erik a custo agarrou-a.
- Eu…amo-te Z. – balbuciou muito baixinho entre tosse. Fazia um enorme esforço para me agarrar devidamente na mão.
- Eu sei, meu amor. – Respondi, sussurrando-lhe. Encostei-o contra o meu peito e chorei. As diversas lágrimas molharam o cabelo dele.
Neferet e os meus amigos chegaram ao local e ficaram chocados com aquilo que viam. Estes últimos traziam toalhas, que rapidamente mas passaram e limpamos o corpo de Erik. Neferet deu-lhe de beber aquilo que iria impedir de sentir qualquer tipo de dor. Merda, sabia bem demais esse ritual graças á morte de Stevie Rae. Isto dói demais. Não aguento tantas perdas. As lágrimas duplicaram. Chegaram outros vampes para levar Erik para a… morgue. Observei o seu corpo pela última vez. Erin, Shaunee e Damien choraram comigo. Damien abraçou-me.
- Lamento Zoey. – Sussurrou-me, fazendo-me chorar mais. De seguida as gémeas juntaram-se a nós e abraçaram-me fortemente.

Todos me olhavam de lado, tinham pena de mim, podia senti-lo através de cada olhar que me era lançado. Jack chorava agarrado ao Damien. Perguntei-me porque era assim. Porque tinha de perder tudo o que mais amava, não era justo, nunca foi justo. Ouvi mais alguém a lamentar-se, não, não o deviam fazer, lamentam o quê? Não foram eles a perder a melhor amiga e depois o namorado, não foram eles que viram a melhor amiga a tentar comer o ex-namorado humano! Porra, nenhum deles viu a Stevie de olhos vermelhos e a cheirar a podre, e nenhum deles tinha perdido o namorado, nenhum deles perdera a pessoa que mais amara. Quanto mais perder as duas pessoas que mais amava.
Caminhei até ao dormitório, os meus amigos andavam mais atrás, acharam que devia estar sozinha, estão certos. Entrei no quarto e olhei directamente para a antiga cama de Stevie Rae e desmanchei-me de novo em lágrimas. Nala olhou tristemente para mim e roçou-se na minha perna.
- Acho que roçares-te em mim, não vai ajudar muito. – Falei rapidamente, agarrando nela para a deitar na cama. E deitei-me ao lado dela. Nala aproximou-se e voltou-se a roçar, desta vez na minha cara. E aninhou-se ao pé do meu peito.
- Acho que nada que aconteça possa ajudar de qualquer forma. – sussurrei, mas não me dirigia a ninguém em concreto. Passei a minha mão pelo pêlo macio de Nala e já nem conseguia chorar. Não consigo mais. Estou cansada. Não sei como será a minha vida daqui para a frente. Não consigo. E fechei os olhos com muita força os olhos na esperança de tudo isto ser um pesadelo e que eu acordasse no segundo a seguir e tudo estar bem. Mas não.
O pesadelo era a minha vida. Voltei a fechar os olhos e desta vez a escuridão decidiu finalmente apoderar-se do meu débil corpo.


By: Júuh e Sheprey

Wrong - Capítulo 2

Hands on Me


Eram três da manhã, nunca tinha reparado que o orvalho matinal se erguia tão cedo no relvado. Ou era apenas nevoeiro, tive vontade de invocar o fogo para iluminar o caminho, mas não era necessário, a minha barriga dava voltas em si mesma, e sentia o estômago vazio. Estou nervosa, e sei porquê. Tive subitamente um flash do último mês, mas era apenas com Erik, sentia-me cada vez mais ligada a ele, era como se uma corda invisível me juntasse a ele, e como se essa corda fosse subitamente inquebrável. Estávamos cada vez mais próximos e ninguém o podia negar.
Enchi os meus pulmões com a essência nocturna e fitei a lua por segundos. Sim, agora a noite fascinava-me até mais que o dia. A noite para mim é sinónimo de calma e pureza, não de trevas como outrora pensava. Sem que eu o chamasse começou a soprar uma breve brisa e ao compasso do vento balancei o corpo. Nunca tive jeito algum para dançar, mas aquele apelo para me deixar levar tomara o meu corpo por completo. Sou capaz de ter passado uma meia hora a apreciar aquele momento que se tinha revelado vital. Figurei Erik na minha cabeça e esquecera-me totalmente que queria falar comigo. O Vento indicava-me o caminho até à cantina e encontrei esta cheia de gente, procurei Erik e lá estava ele na minha mesa com os meus amigos como era habitual, sorri perante tal imagem, e depois o meu coração apertou, sentia a falta de Stevie Rae. O sorriso desapareceu ainda mais depressa do que voltara. Fiz uma nota mental para a procurar de novo, tinha de voltar lá. Dirigi-me ao balcão e vi que a comida de hoje era uma apetitosa lasanha. Levei uma garrafa de Coca-cola – nem vale a pena dizer que não era de dieta -, e fui até à mesa onde todos estavam sentados. Nos primeiros minutos nem abri a boca a não ser para deliciar aquele prato. Os vampes da cozinha tinham-se esmerado na refeição de hoje. Quem me visse sem saber que adorava lasanha achava que eu andava á fome há mais de uma semana, jeesh, tenho que me controlar.
- Zoey, isso é que é comer! – Disse Damien rindo-se.
- Vocês não fazem ideia o quanto sou doida por isto – Retorqui tentando-me desculpar. Desta vez adoptei um ritmo mais lento para saborear.
- Foi boa a tua aula? – Perguntou Erik gentilmente. Sorria-me de orelha a orelha.
- Sim, foi óptima. – Respondi pondo de parte aquele sonho estranho. Desloquei-me devagar e beijei os seus lábios.
- Z, o Erik pode comer lasanha não precisas de lhe dar á boca – gozou Shaunee
- Idem, gémea. – Acrescentou Erin e ambas fizeram uma careta. Gargalhamos todos.
Escusado será dizer que horas como estas passam a correr. Dei por mim ansiosa por estar sozinha com Erik, e arrastei-o para o jardim atrás da cantina, de mãos dadas. Sei que não passa tudo de imaginação, e de algo mental, porque nos não sentimos a temperatura, mas podia sentir a mão dele quente bem junta na minha.
Olhei para trás, na certeza que ele estaria lá, e lógico que vai estar lá para sempre. Era uma certeza que não sabia como, mas que sempre tenho. Então num gesto rápido ele abraçou-me e senti os lábios dele igualmente quentes tocarem nos meus, a sua língua brincar com a minha. Podia jurar que ia derreter nos braços dele. O nosso beijo ficou voraz, recuamos uns passos para perto de uma árvore que certamente nos encobria.
- Eu quero estar contigo Z. - Sussurrou no meu ouvido e de seguida mordeu o mesmo
Beijei-o, sabia que ele percebera aquela resposta.
- A sós Zoey. Só nós. - Olhei nos olhos dele, e por momentos vi uma sombra de tristeza que logo se iluminou com o restante azul quente que provinha do seu olhar.
- Oh Erik eu também.

Então iniciamos mais uma sessão de beijos quentes e senti a sua boca percorrer o meu pescoço, gemi baixinho. Porra, como é que alguém é capaz de me deixar assim?
Ele parou novamente e sussurrou:
- Logo, duas horas antes de o recolher no estábulo que dizes?
- Onde estiveres é perfeito. - Então ele voltou a guiar os seus lábios para o meu pescoço, e a sua língua abriu um arranhão mal cicatrizado, de ontem. Gemi uma vez mais, e ele bebeu um pouco.
Então o seu corpo enrijeceu, e passou novamente a língua pelo meu pescoço, pôs o cabelo por cima do arranhão.
- Erik que foi?
- Não sei, só preciso de me sentar... - Deu dois passos em direcção à entrada na cantina e tossiu. Depois caiu e gritou de dor. Uma voz desconhecida ecoou.
- RÁPIDO O ERIK ESTÁ A MUDAR!



By: Júuh & Sheprey

Fanfic: Wrong

Feliz encontro!
Trago-vos hoje uma fanfic escrita por duas meninas, a Júuh e a Sheprey. Elas decidiram em conjunto escrever a continuação de "Traída", uma continuação bem diferente...

Todas as semanas será postado um novo capítulo das aventuras de Zoey neste nova Fanfic: Wrong! Podem encontrar também na barra direita uma nova secção para esta história. Espero que gostem e não deixem de comentar!

Capítulo 1

Divagar será solução?


Um mês, há um mês que tento evitar cada chamada de Heath, há um mês que me tento focar apenas no Erik e deixar a impressão fechada no bocadinho mais escuro do meu coração, mais escuro não, mas um pouco mais afastado. O mais escuro é para a minha família tirando a avó RedBird. Agora está tudo impressionantemente calmo, mas as noites continuam frias, geladas (embora seja no sentido figurado já que um vampyro está geneticamente protegido dadas às circunstâncias climáticas), e já não é tão estranho para mim dormir de dia e viver á noite.
Apenas um pedacinho – ou deverei dizer pedação – do meu coração que permanecia fechado obscuramente a sete chaves. Stevie Rae, a minha melhor amiga falecida. Um mês e eu podia jurar que apenas tinham passado uma semana. Essa parte obscura do meu coração ainda permanecia recentemente ferida.
Doía olhar para a cama ao meu lado vazia, agora era Nala que ocupava a cama que outrora fora de Stevie Rae. Alem de tudo isto tinha de me preocupar com a falsidade de Neferet, que continuava extremamente dócil comigo. Preciso de sorrir. Não posso pensar nisto. E tenho de tomar o pequeno-almoço, Count Chocula. Isto sim é capaz de me deixar estupidamente bem-disposta de manhã. Vesti-me rapidamente e passei pela sala de estar, olhei para a televisão que se encontrava ligada estava a dar Gossip Girl. Enchi a tigela de Count Chocula e sentei-me no sofá que se encontrava vazio a admirar o sorriso de Chace Crawford, um dos vampyros mais lindos de Hollywood.
Como seria de esperar as Gémeas e o Damien não demoraram muito mais a acordar.
-Oh minha deusa, o Chace é tão bom-bom - Verbalizou Erin com um sorriso matreiro nos lábios, com os olhos vidrados para a TV.
-Idem, Idem Gémea! – Retorquiu Shaunee levando Erin para um dos sofás da sala de convívio.
-Odeio a ideia, mas tenho que concordar com vocês – riu-se Damien com o mesmo entusiasmo.
-Vocês precisam dum babete? – Questionei num jeito de brincadeira comendo a última colher de Count Chocula.
Os três afrontaram-me simultâneamente com caras de parvos e entre trocas de olhares astutos, todos rimo-nos. Oh, como sabia bem rir de novo!
A meio do segundo episódio consecutivo de Gossip Girl e após muita baba por parte de todos, incluindo de Jack, que se juntara a nós, a sala estava a rebentar, e havia um círculo enorme em volta do televisor. Levantei-me e levei a tigela à cozinha e passei pelo quarto - demasiado - vazio para pegar na mala. Quando voltei Erin, Jack, Damien e Shaunee já se encontravam à minha espera para seguirmos para a aula. Jack abriu a porta e sorriu, e sussurrou um «Olá de novo». Damien foi atrás dele assim como as gémeas, curiosa como sou espreitei para ver quem estava á porta e deparei-me com uma imensidão azul que provinha do olhar mais sedutor que alguma vez vira, puxou minha mão e senti uns lábios colarem-se aos meus, não era necessário perguntar quem era.
O sabor dos lábios, e o cheiro do perfume falavam por ele. Correspondi o beijo e mexi no cabelo dele.
-Yuuke arranjem um quarto! - Afirmou Shaunee
-E de preferência de dia, para que eu não possa ouvir a cama. - Completou Erin como sempre acontecia, todos gargalharam.
-Até já pombinhos... - Disse Damien arrastando as gémeas com ele.
-Bom dia. - Sussurrou Erik ao meu ouvido, o que me causou um arrepio, a voz dele era melódica.
-Boa noite. – Corrigi. Podia ficar assim para sempre com a mão dele a guiar-me para algum sítio escondido ou para a aula, isso não importa. Apenas ele, eu e a mão dele a segurar a minha.
Ele sorriu e voltou-me a beijar. Sem nunca me largar a mão, levou-me até à entrada da sala de aula e despediu-se com um novo beijo mas desta vez atrevidamente longo enquanto se ouviam inúmeros assobios e boquinhas à nossa volta.
Entrei rapidamente e pedi desculpa à professora Pentisileia pelo atraso e sentei-me numa secretária ao pé da janela. Olhei lá para fora e apreciei o cantarolar dos pássaros e dei por mim a olhar para o vazio, quando finalmente percebi para onde olhava, o meu corpo estremeceu. O muro ocidental levou-me inevitavelmente a Stevie Rae. Em poucos segundos a imagem aterradora dela nos túneis de Tulsa naquela noite com Heath, me assombrou. Tinha de arranjar uma maneira de voltar a encontrá-la e, ainda pior, fazê-la voltar ao normal. Merda, a minha melhor amiga tinha virado uma sanguinária e sem saber o que fazer. Falar com as gémeas e o Damien estava fora de questão, aliás tinha que ficar calada, mas bolas, estou mesmo desesperada.
-Menina Zoey? – A minha tagarelice mental foi imediatamente interrompida por Pentisileia.
-Peço desculpa. – Assenti e desta vez tentei prestar mais atenção à aula que fazia questão de passar o mais devagar possível. Raios, o mundo começa a virar-se contra a minha existência.
Perguntei-me se Neferet já tinha descoberto que a minha memória voltara, ou se eu era tão parecida com Afrodite que ela era incapaz de me ler a mente. Fechei um dos punhos com força -, não queria ser uma cabra depravada como ela.
Eu sei que me devia concentrar mas até o estudo daqueles textos ambíguos me lembravam da minha vida extremamente confusa. Já referi que o Loren foi transferido? Agora tenho menos um para me preocupar. Okay, só tenho um para me preocupar, porque o Heath está bem quando está longe de mim, - ou não, o mais provável foi ter reforçado a impressão naquele encontro menos apropriado. Senti-me com calor quando relembrei o sabor da linha escarlate do seu pescoço. Pronto, são dois para me preocupar, e digamos que fico bem entretida.

***

Finalmente chegara uma das minhas aulas preferidas; equitação. Para além da professora Lenóbia ser extremamente simpática, podia encontrar o meu estado de equilíbrio e paz quando escovava Perséfone. Erik disse-me no intervalo que queria falar comigo sobre uma coisa importante, curiosa como sou não consigo desprender daí. O que ele quererá falar? Nem mesmo a minha égua me fazia distrair, porém quando fechei os olhos as preocupações começaram a afastar-se ouvindo-as cada vez mais longe. Via-me a mim a escovar Perséfone num dia solarengo (sim, é estranho, talvez sejam as saudades que o meu corpo tem de apanhar um calorzinho), estávamos num campo distante onde podia cheirar erva recentemente cortada e fresca, tal como cheirava nos rituais quando chamava a terra. Bolas, comecei a chorar. Stevie Rae, desta vez normal, estava sentada debaixo dum carvalho a tocar guitarra (mais uma vez estranho, pois ela não tocava guitarra). Engoli as restantes lágrimas queimando a minha garganta. «Tenho saudades tuas» ouvi-me lamentar.
-Zoey? Está tudo bem? – Raios, hoje todos os professores me queriam interromper?
Abanei a cabeça e matei a suspeita, era a professora Lenóbia.
-Sim, apenas me distrai. Dediquei-me demais a escovar Perséfone. – Disse tentando formular um sorriso na minha cara.
-Sabes Zoey, a Neferet é a tua monitora, mas sabes que podes falar comigo – Informou retribuindo um sorriso.
Quase não me ouvi a agradecer. E tocou, o som da campainha tinha um efeito terrível em mim o que me fez definitivamente acordar daquele, talvez, sonho?


By: Júuh e Sheprey