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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Texto inspirado em Kalona, por Lara Alves

Olá Filhos e Filhas das Trevas!

Trago-vos hoje um texto feito pela Lara Alves, que foi feito pensando no Kalona (denominado Lakano, neste texto.

Para sempre, em mim. Era uma vez uma menina chamada Luana, uma menina muito bonita com cabelo loiros compridos e frequentemente de tranças, tinha uns olhos de um verde-claro muito reluzentes, cheios de sonhos e esperança, o seu sorriso parecia a de uma criança inocente e o seu falar de uma mulher interessante e madura. Era a menina perfeita, a menina adorada por todos, e sim, essa menina era eu. Sinceramente já me começava a aborrecer ser essa menina “perfeita”, porque eu era tudo menos esse palavrão. Num dia caloroso, eu e os meus amigos decidimos ir à praia dar uma volta e, quando lá chegamos, vimos um senhor de idade caído no chão. Fomos a correr socorre-lo e respiramos fundo quando reparamos que ele ainda respirava. O desconhecido abriu os olhos de repente e olhou directamente para mim. Estendeu-me a mão e reparei que ele me ia dar qualquer coisa. Estendi a minha também e o senhor deixou cair um papel e eu amarrei-o. Ouvimos-lhe sussurrar qualquer coisa parecida com ‘és a nossa única salvação’ e no final o seu coração parou de bater. Ficamos especados, uns a olhar para os outros, e quando olhamos outra vez para o senhor falecido quase que falecíamos nós ao reparar que ele já não estava lá. Os meus amigos disseram-me para ler o que estava no papel e eu fiz o que eles me pediam. A letra estava muito confusa e o papel estava molhado. As palavras que consegui distinguir foram: “elementos”, “barco”, “gruta”, “amigos”, “punhal”, “morte” e a última e a mais assustadora de todas: “Luana”. Parei. O meu raciocínio e o meu senso comum deixaram de fazer sentido e comecei a ver imagens a passar. Foi aí que percebi tudo. Eu, Luana, estava destinada a enfrentar qualquer coisa muito má e como ‘prenda’ o que eu recebia, ou já possuía, eram os elementos fundamentais para a existência humana, a Água, a Terra, o Fogo, o Ar e o Espírito. Sabia onde havia de encontrar o barco em que estava destinada a viajar e sabia que no meu grupo estavam três pessoas no qual eu tinha de escolher para virem comigo. Fechei os olhos e vieram-me os três nomes à cabeça, Mafalda, Luiz e Sara. A Sara era a mais calada do meu grupo e sinceramente não percebi o porquê de ser ela uma das escolhidas… E foi aí que senti realmente que eram estes três os meus companheiros. A Mafalda era a minha melhor amiga e o Luiz era um amigo que já se tinha, ou ainda estava, apaixonado profundamente por mim, mas compreendia que eu não nutria os mesmos sentimentos por ele. Pedi desculpa aos outros e contei-lhes tudo, eles compreenderam e eu e os três escolhidos fomos em direcção ao barco. Pensei como é que estava tão certa que era por ali a direcção, até que sorri e senti o Espírito em mim. Chegamos ao barco e eu pedi-lhes para fazermos um círculo. Demos as mãos e eu sabia o que realmente devia dizer, e o que me saiu foi: “Se me ouves, ajudas-me, se me pertences, guiar-me-ás. Espírito vem até a este grupo escolhido para a salvação e preenche-o com a tua força e união.” Demos uns risinhos quando sentimos aquela doçura rodear-nos e de certeza que não fui a única a sentir-me mais forte. Os meus amigos olharam para mim, confiantes, e disseram-me que tinham a plena confiança em mim para esta viagem. Iniciamos a viagem e eu comandava o barco com o meu elemento a Água, utilizava o Espírito para me dar força e para me guiar e quando de repente o barco parou, os meus amigos que estavam a descansar ficaram todos agitados e com um certo medo a trespassar-lhes pela alma. A Sara foi a primeira a levantar-se, pôs-me a mão no ombro e disse-me que fosse o que fosse o meu grupo estava lá para me ajudar e apoiar. Olhei para eles e vi que possuíam uma aura de cores diferentes. Fui-me juntar a eles e a Sara acompanhou-me. Peguei-lhes nas mãos e sussurrei o que ouvia na minha mente: “Foram escolhidos para me seguirem, a vós foi concedido um destino. O mal não vos assustará, a coragem vingará. A morte aparecerá como salvará.” Mal acabei de falar tapei a boca. Os meus amigos olharam para mim com uma coragem indescritível. Comecei a chorar e eles abraçaram-me. O Luiz foi o primeiro a falar: “- Sabes que desde há muito tempo eu sou apaixonado por ti. Se eu fui escolhido para te acompanhar e se tiver de morrer para te salvar sou o primeiro. Amo-te desde o primeiro momento em que te vi, és maravilhosa Luana, senti logo que eras especial. Nem a morte vai mudar o que eu sinto por ti. Este é o destino.” – Senti que ele me queria beijar e sei que eu, naquele preciso momento, também queria o mesmo. Quando os nossos lábios se colaram a minha espinha arrepiou-se toda e aí senti que o meu amor por ele estava escondido bem lá no fundo do meu coração. Disse-lhe que lhe amava e pedi-lhe desculpa por este tempo todo a renegar o seu amor quando eu também estava apaixonada sem saber. Depois, fiquei impressionada de ser outra vez a Sara a falar: “- Luana, tal como o Luiz eu senti que eras especial. Quando soube disto tudo não fiquei muito surpreendida. Sei que era a última pessoa que esperavas que te acompanhasse, mas eu sinto também que tenho este dever e que se tiver de morrer por ti, eu morrerei.” – Olhava para mim com sinceridade e eu ainda chorosa, abracei-lhe. Por último, foi a Mafalda a falar com o seu sorriso acolhedor que eu tanto gostava: “- Minha queria e melhor amiga, tal como eles eu sentia que eras diferente e também sabia que a nossa grande amizade não era em vão. Passamos por muitas coisas juntas e neste momento, eu sei que se morrer a minha alma vai ficar sempre contigo. És a irmã que sempre quis ter, Luana.” – Ela desatou a chorar e abraçamo-nos, um abraço cheio de paz e amor. Amor de irmãs. Paramos de chorar e, finalmente, eu senti que era a minha vez de falar: “- Lamento desiludir-vos, mas nenhum de vocês irá morrer, e sabem porquê? Porque eu vou dar-vos parte do meu poder.” – Levantei os braços e profetizei as palavras certas no momento certo. Olhei para eles e as suas auras estavam cada vez mais brilhantes. Senti-me cair e quando reparei que não tinha embatido no chão, vi o Luiz pegar em mim. Sorri-lhe e ele beijou-me, e mais uma vez senti aquele tão bom arrepio. Foi aí que senti-mos o barco estremecer outra vez. Pedi ao mar para me mostrar o que estava a fazer com que o barco estremece-se tanto e foi aí que o vi. Um homem belo, cheio de magia a rodear-lhe. Esse homem elevou-se até nós e o Luiz pôs-se à minha frente. Mas eu consegui ver a sua cara e os seus olhos penetrarem-se nos meus. Qualquer coisa me atraia até ele, e se caso tenta-se desviar o olhar, o meu coração parecia que se contorcia. Senti o Luiz amarrar-me, mas já não conseguia, a força de atracção entre mim e aquele ser humano era intravável, até o momento em que senti as vozes familiares e tão queridas a clarear-me o raciocínio. Olhei para os meus amigos e vi-os de mãos dadas a profetizar as palavras para o elemento Espírito me chamar à razão. Quando eles repararam que eu já estava composta vieram para a minha beira e o Luiz olhou-me nos olhos: “- Luana, meu amor, ele é uma besta. Está a fazer de propósito para te afastares de nós. Não caias nas armadilhas dele, por favor meu anjo. Fica sempre connosco. Amo-te.” – Olhou para mim de uma tal maneira que as lágrimas começaram-me a cair. “- Não são horas para chorar, amor, tens de ser forte. Tens-nos a nós. Estaremos sempre contigo.” “- Desculpa-me. Desculpem-me. Vamos ao que interessa.” – Mal acabei de falar ouvimos um sorriso assustador que veio daquela criatura maravilhosa. Evitei olhar-lhe nos olhos, apesar de querer muito, mas mesmo muito, deixar-me levar por ele. “- Então, então. Que bela surpresa que tenho aqui hoje. Vens sem me avisar, Luana?” – Sentia o seu olhar penetrar-me e a fazer com que eu cai-se na sua graça. Mas mantive sempre a minha postura. E foi o Luiz quem falou: “- Que lhe queres monstro? Afasta-te dela!” – Estremeci ao sentir o espírito do Luiz aos reboliços de tão furioso que estava. “- Ainda por cima, trouxeste um grupinho de amigos, que pelo meu ver, todos capazes de morrer por ti. Ingénuos. E tu, seu atrevido, ousas falar assim para mim?” – Paralisei, olhei para a besta e vi que ele estava a elevar o Luiz e a esgana-lo com o ar. E foi aí que tive de tomar uma decisão. Juntei-me às minhas amigas e disse-lhes para me darem as mãos. Já sentia a calma do Espírito em mim e foi aí que comecei a falar: “- Ar que fazes tu? Se meu és, e se a mim me obedeces, larga-o, larga-o, por favor, porque ele a ti também pertence.” – Quando olhei vi o ar lutar contra as ordens da besta e assim depois fez o Luiz cair no meio do nosso grupo. Vi que ele ainda estava com as feridas no pescoço e tentei cura-las com o Espírito, mas não consegui. “- Podes-me ter conseguido parar, minha Luana, mas ele não durará para sempre. O teu destino é comigo e não é com mais ninguém. Vem comigo, vem comigo, Luana.” “- Para de dizer o meu nome sua besta. Nunca, mas nunca irei contigo! Magoaste a pessoa que eu amo. Vais-te arrepender.” – Senti os elementos a rodearem-me e ordenei a Água, o Ar e a Terra dominarem-lhe e mandarem-lhe para longe de nós. Ele tentou lutar só que não conseguiu, mas fez uma coisa completamente horrorosa. Rasgou a camisola do Luiz ao meio e a mensagem que deixou foi: “Vais ser minha.” E assinou por baixo: “Lakano”. De repente soube quem era e quem fomos antes. Ele era o príncipe do mar e eu era uma sereia, com os mesmos olhos e o mesmo cabelo. Ele era completamente apaixonado por mim e eu por ele. Vivemos uma paixão enorme e muito intensa, só que algo trágico aconteceu. Uma bonita sereia, de nome Anastácia, estava com uma paixão obsessiva pelo Lakano e então decidiu por fim à minha vida com um punhal sagrado. Um punhal que nem ela sabia que possuía tanto poder como os elementos. Lakano refugiou-se numa gruta por vários anos e a Anastácia acabou por suicidar-se por saber que não o teria nunca. Esta triste história acabou por fim na minha mente e eu senti uma breve picada na barriga. Levantei a camisola e vi uma marca estranha que nunca antes tinha visto. Era a marca do punhal que me atravessou até ao outro lado. Decidi não lhes contar nada disto, apesar de me custar guardar este segredo. O Luiz quando acordou, dei-lhe um beijo só que ele estava muito fraco, e quando viu a mensagem na sua barriga ficou ainda mais. Disse-lhe para não se preocupar com aquilo que tudo se ia resolver e também lhe disse para ele descansar. Pedi ao mar para se abrir e nos mostrar um lugar para descansar-nos debaixo dele e pedi à Terra para nos fazer respirar debaixo do mar. Fomos parar a uma gruta. Estremeci dos pés à cabeça quando reparei onde estávamos. Estávamos na gruta onde o Lakano se refugiou da dor que sentia por causa da perda que tivera. A Mafalda e a Sara rodearam-me a mim e ao Luiz. Eu olhei na direcção delas e vi o Lakano aproximar-se. Elas olharam para mim e sorriram. O sorriso da despedida. Eu tentei impedi-las só que elas juntaram toda a sua energia e atiraram-se ao homem metade humano, metade peixe. Senti o meu coração esmigalhar-se quando vi os corpos das minhas amigas caídos sem vida. Desatei a chorar e levantei-me deixando o Luiz nas minhas costas. Senti os elementos fervilharem à minha volta quando comecei a falar: “- Porquê, Lakano? Porquê? Porquê que as mataste? Queres tirar-me tudo o que tenho de bom, é? Eu não tenho culpa que aquela sereia tivesse uma obsessão por ti. A única pessoa que não tem culpa sou eu!” – Olhei-o nos olhos, estava com uma expressão vazia, parecia que estava a vaguear por entre aqueles anos todos, até que olhou para as minhas amigas com uma certa pena, mas parece que esse olhar tinha sido uma ilusão, porque de repente ele olhou para mim com o mesmo olhar que me tinha feito lá em cima. “- Ingénua. Claro que tiveste culpa. Tudo o que está a acontecer é culpa tua. Ela só te matou porque foste ingénua. És e sempre serás ingénua, minha querida. Não sabes que cá em baixo quem manda sou eu? Eu sou o príncipe destas águas profundas, devias saber disso. Os teus poderes nada podem fazer contra mim. Agora, minha paixão, estás sob o meu controlo. E esse rapazito atrás de ti vai morrer, também. Mais ninguém tem o direito de entrar na tua vida.” – Vi-o olhar para o Luiz com um olhar furioso. Levantou a mão e eu pus-me à frente do Luiz. “- Pára! Não o faças, por favor. Eu vou contigo, Lakano. Deixa-o em paz.” – A minha alma chorava, o meu coração estava destroçado e o Lakano sabia disso. Olhou para mim abraçada ao Luiz: “- Sai daí se não queres morrer tu. Sai Luana!” “- Mata-me, Lakano. Antes morrer do que deixar que o mates.” – Fechei os olhos e senti a dor agonizante do raio e do grito que aquele monstro fez. Mandou-me outro raio, e mais outro, e mais outro. Estava a começar a perder o fôlego e senti o espírito do Luiz a entrar dentro de mim. Senti o Luiz morrer nos meus braços. Deixei-o e olhei directamente para os olhos do Lakano. Olhou para mim com ar triunfante e eu falei com uma voz tão poderosa que ele ficou espantado a olhar para mim: “- Tu que os matas-te. Tu que comandas nestas águas. Serão elas todas a teu favor? Serão? Nunca te perdoarei, Lakano. Para mim estás morto agora.”- Lakano rui-se às gargalhadas, mas ficou sério quando levantei os braços e comecei a profetizar as palavras certeiras: “- Sofreste por mim e estás a usar os meus queridos para me veres sofrer a mesma dor. O único problema é que eles neste momento estão todos presentes aqui comigo e tu estás sem ninguém, Lakano, sem ninguém! E sabes outra coisa? Vais morrer sem ninguém também.” – Senti os meus amigos darem-me as mãos e senti o Lakano tentar lutar contra mim. Viu que não conseguia nada e era a minha vez de atacar. “ – União é o que nos caracteriza, ninguém, nem mesmo tu tinhas o direito de os levar. Agora juntos pelo Espírito, ordeno-vos elementos meus, mandai esta besta de vez para o Inferno!” – vi a revolução dos elementos rodearem o Lakano e vi-o desaparecer. Quando desapareceu deixou cair uma coisa. Fui ver o que era e era o punhal sagrado. Nele tinha uma mensagem: “Amar-te-ei mesmo que o destino te obrigue a fazer o que está certo. Gravada estarás sempre no meu coração. Lakano.” Senti as lágrimas cair-me na cara e senti-me completamente sozinha. Guardei o punhal e quando olhei à minha volta, não vi-a os meus amigos. Saí da gruta, fraca de ter gasto tanta energia e vi alguém vir na minha direcção. Reparei que era o senhor da praia e ia começar a falar, mas ele apressou-se: “- Luana, obrigada querida. A tua missão acabou. Lakano andava há muito tempo a agonizar estas águas, a matar casais que via, era completamente horroroso. Imagino que não tenha sido fácil para ti isto tudo, mas agora acabou. Podes regressar a casa, se quiseres.” Já não conseguia chorar mais. A hipótese de voltar para casa agradou-me e por fim olhei para o senhor, que também era metade homem metade peixe, e disse que sim, que queria voltar a casa. Ele deu-me um colar e disse para eu andar com ele, para me trazer energias positivas. Agradeci e desejei voltar a casa. Lembro-me de acordar no meu quarto, de sorrir e ver que no meu pescoço estava o colar que o senhor me tinha dado. Vi também o punhal que tinha guardado e abracei-o junto ao meu coração. Desejava que tudo tivesse sido diferente. E mal pensei nisso fui ao meu telemóvel e tinha uma única mensagem. “Anda ter à praia, meu anjo.” Era o Luiz. Saí de casa a correr sem dizer nada aos meus pais. Perguntei-me se ainda tinha os meus poderes e logo a seguir senti-os à minha volta a rodopiar. Pedi ao Ar para me levar à praia o mais rápido possível e quando lá cheguei estavam todos os meus amigos que deram a vida por mim, como aqueles que ficaram em terra à nossa espera. Abracei-os e beijei o Luiz. O arrepio continuava e eu dei uma gargalhada de felicidade. Apesar daquela felicidade que sentia, sentia também o Espírito do Lakano em mim. Mas agora era o Lakano de antigamente. O antigo amor que me queria ver feliz.




Que acharam?


Que Nyx vos abençoe!