Mostrar mensagens com a etiqueta Texto Vencedor. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Texto Vencedor. Mostrar todas as mensagens

Texto vencedor por Marta Cardoso

Um mundo excepcional

Burburinhos à hora do almoço. Não que não fosse comum, afinal, era hora do almoço. Eram burburinhos demais. Eu não sabia porquê. Não era dada a mexericos, por isso não estava dentro das coisas.
- Sofia?
- Sim, Suzie? O que queres? – Susana era a minha melhor amiga desde que chegara à Casa da Noite. Ela era muito tagarela.
- Nada. Eu não quero nada. Eu só gostava de saber…
- Suzie? – E abanei uma mão na frente da cara dela.
- Não acredito! – Ela estava completamente embasbacada.
- O quê? Aconteceu alguma coisa? Foi a Mudança?
- Não! A Zoey Redbird vem cá! Foi transferida!
Okay, isso era impossível. Zoey Redbird, em Portugal? Só nos meus sonhos mais loucos!

“Então devo estar a dormir.” A conversa do almoço repetia-se vezes sem conta na minha cabeça. Enquanto Zoey Redbird entrava no meu quarto.
- Olá! Eu sou a Zoey. Como te chamas?
- Sofia.
“Estou a falar com a Zoey Redbird. Vou dormir com a Zoey Redbird!” E a Marca dela. Olhei para a Marca. Era linda. E depois uma sensação estranha invadiu-me. Desviei os olhos.
- Okay, podes olhar. Embora eu preferisse que ninguém olhasse. Há pessoas que têm inveja, de eu ter sido tocada pela Deusa. E dizem todos que eu sou especial. Eu só quero integrar-me!
Era isso! Inveja. Não combinava comigo. Agora talvez. Zoey era especial. Eu não. Completamente vulgar. Eu nem bonita era. Era gira. Zoey era linda.
Eu sentei-me na cama, a tentar controlar as lágrimas de raiva. Com os meus pais também era assim. Nada de afectos. O meu pai não mostrava tacto algum ao dizer-me quão vulgar eu era. O meu irmão Marco era excepcional. Eu não. Ele era lindo, inteligente, perfeito. Eu não. Os meus amigos. Eram divertidos e inteligentes. Suzie era linda e tinha afinidade com os cavalos. Eu não. E agora Zoey. Linda, com uma Marca especial. Preenchida e expandida. Afinidade com os cinco elementos. Sumo-sacerdotisa instruenda. Líder das Filhas das Trevas. Eu não. Não tinha afinidades. Não era linda. Eu era completamente comum. Num mundo de pessoas excepcionais.
- Eu não sou excepcional! Porquê?! Todos são! E eu não. Não é justo! – Mia, a minha gata, saltou para o meu colo. Eu acariciei-a. – Mia, … diz-me porquê! Eu não aguento mais.
- Sofia?! O que aconteceu?
- Tu! Tu, a tua Marca… TODOS! Eu não quero viver neste mundo! Zoey, diz-me, conta-me, PORQUÊ?
- Sofia? – Ela murmurava. A sensação estranha ainda lá estava. Mas agora tinha um peso no estômago. Estava zonza.
- Porque sou tão vulgar? E porque tenho de viver num mundo excepcional? – Tudo ficou negro como breu.
- Sofia! – Eu queria gritar, mas não conseguia. Percebi o que era. Não era inveja. Era a Mudança. Eu estava a rejeitá-la. Como todos os outros.

“Tão vulgar.”

Texto vencedor por Tatiana Ferreira

Mais um fantástico texto, este escrito pela Tatiana! Muitos parabéns!

"Acordar com a minha companheira de quarto aos berros, a dizer que nos íamos atrasar se eu não me despachasse em cinco minutos, era algo tenebroso de se apreciar. Contrariada, vesti-me completamente à pressa para participar de mais uma nova ronda de aulas. Isto já se tornava num hábito comum do qual aos poucos ia-me habituando. Não é que fosse má esta rotina nocturna. Mas desde que tinha sido Marcada, que o meu quotidiano tinha virado totalmente do avesso. Com as pálpebras a implorarem para se fechar, caminhei até à cozinha, com Sofia a tagarelar sobre um vampyro sextanista giro chamado Rui Ávila. Sinceramente, não o achava muito bonito (talvez por ele me parecer uma mistura simpática do monte de músculos de Rupert Grint e da barba mal aparada de Orlando Bloom). Acenei-lhe com a cabeça a tudo o que ela dizia, mesmo sem lhe prestar atenção alguma. No entanto, ao virar da esquina do antigo convento, vi alguém que me espantou literalmente o sono.Uma rapariga bonita, que trajava um aveludado vestido negro, permanecia parada no meio do corredor, analisando um papel. Ela ergueu o olhar ao ouvir os nossos passos e sorriu abertamente. A testa dela delineava uma marca colorida, sobressaída pela tatuagem cor de safira com o feitio de uma renda que lhe emoldurava os olhos e o resto do rosto até aos ombros. Detive a minha marcha de rompante e estanquei em choque ali mesmo, enquanto Sofia esbugalhava os olhos, igualmente impressionada.

Era ela: Zoey Redbird. Já tinha ouvido falar dela. Dos seus feitos na Casa da Noite em Tulsa e de ser a única iniciada com uma marca quase completa. Além disso, ela era líder do grupo: “Filhas das Trevas” e possuidora de afinidade com todos os elementos (Terra, Água, Fogo, Vento e Espírito), um mérito que nenhuma Sumo-Sacerdotisa formada tinha conseguido até hoje. Todos na nossa escola comentavam sobre isso, até os nossos professores deixavam sempre escapar um comentário sobre a aluna dotada de Tulsa. Como me senti insignificante neste momento, ao estar diante de alguém com a reputação digna de uma heroína de histórias de aventuras. Alguém que eu própria me inspirei para levar a minha nova vida naquele mundo, onde tudo é assustador e entusiasmante ao mesmo tempo.

-Uaaau, o que a Redbird faz aqui? – questionou-me Sofia em tom de segredo, quase sem mexer os lábios. Eu apenas encolhi os ombros ao ver a Zoey aproximar-se numa passada aligeirada.
-Finalmente encontrei alguém. – O seu carregado sotaque inglês misturou-se com o português que ela tentava pronunciar com clareza: - O meu nome é Zoey Redbird. – Como se nós não soubéssemos. Será que ela não tinha noção da estima que o nosso mundo vampírico tinha por ela? – Acho que estou perdida. A Sumo-Sacerdotisa Leonor bem me entregou o mapa da escola, mas eu não estou a conseguir localizar a cozinha.
-Nós íamos agora mesmo para lá. Podemos indicar-te o caminho. – antecipou-se Sofia, gesticulando as mãos no ar. – A propósito, o meu nome é Sofia Queiroz e esta é a Tatiana Ferreira. Somos ambas sextanista.
-Então frequentamos o mesmo ano. – Ela entortou a fina linha dos lábios.
-Redbird, as histórias que contam sobre ti são verdadeiras? – A minha língua estalava de curiosidade.
-Posso dizer que algumas são um tanto exageradas. – riu-se harmoniosamente e fitou-nos. - Mas venham, eu conto-vos pelo caminho o que quiserem saber. Teremos muito tempo para conversar, já que fui transferida para aqui.

Engoli em seco, ainda em choque. Ia ter Zoey Redbird como uma possível companheira de aulas! Isso era algo inimaginável. Enquanto retomamos a marcha, ela contou-nos como era a Casa da Noite em Tulsa e dos amigos que teve de abandonar furtivamente para se proteger contra Nerefet, à medida que arquitectava um plano para a derrotar. Não sei porquê, mas um cheirinho de aventura embargava o ar daquela escura tarde. O que poderia eu fazer perante tal situação? Bom, só me restaria içar velas e navegar por esses mares turbulentos com a minha heroína. Ideia suicida e precipitada, eu sei. Mas durante três anos Zoey tornara-se numa lenda para mim. Alguém impossível de conhecer. E agora ela estava aqui, na Casa Nocturna de Portugal com o propósito de se afastar de alguém maléfico. E eu estava disposta a ajudá-la. Contudo, primeiro teria de criar laços de amizade com ela e acomodá-la naquela escola, como se fosse o seu próprio lar. Depois eu faria os possíveis para lhe demonstrar que seria capaz de entrar num mundo mais escuro do qual eu vivia. No seu mundo, onde tudo parecia estar um caos autêntico. Sim, pela minha lenda viva eu faria qualquer coisa. Mesmo que para isso tivesse de abandonar esta vida monótona e partir para Tulsa com ela."

Texto vencedor por Sílvia Catarina Silva

Aqui fica o 1ºtexto vencedor do Passatempo Traída! Muitos parabéns Sílvia!

"Naquela noite, caminhava por uma rua de paralelos onde o escuro preenchia cada passo meu. A chuva que caía obrigava-me a correr mesmo que algo me dissesse para não o fazer, era como se sentisse que cada metro daquela rua deserta nunca deveria ser percorrido. Ao fundo da rua uma luz intensa cegou-me os olhos e senti que a meta estava perto, o que me deu mais vontade de correr para outro mundo que não o meu.
Acordei com o burburinho que existia no corredor, e desde logo, percebi que para meu alívio já não estava a sonhar. Desde que entrei na Casa da Noite todas as minhas noites são preenchidas por pesadelos que chego a coleccionar dentro da minha cabeça. Olhei para o despertador e poucos minutos faltavam para as seis e meia da tarde – soltei um sorriso por aquele pesadelo, de qualquer modo, estar condenado a não se prolongar muitas mais horas. Levantei-me e reparei que a cama da minha companheira de quarto estava vazia e arrumada. Num ápice, tomei banho e preparei as minhas coisas. Estava disposta a saber o que se passava de tão importante para a minha amiga se ter levantado tão cedo sem me chamar. Com tudo preparado saí a correr dos dormitórios com destino à sala onde esperava o meu pequeno-almoço e a minha amiga.
O percurso que demorava uma eternidade a percorrer ficava mais pequeno à medida que os burburinhos vindos dos vários corredores se aproximavam e instintivamente mudei de rumo. Virei a última esquina e subi o lance de escadas até ao corredor dos Terceiranistas. No meio do barulho que ali existia consegui reconhecer a voz da minha companheira de quarto que conversava em tom baixo com outras conhecidas. Assim que cheguei perto dela, o barulho daquela sala deixou de existir.
- Hei, mas o que é que te deu para saíres sem mim para o pequeno-almoço, Katy? – Disse com um tom de voz agressivo indiferente à ausência dos burburinhos que minutos antes, preenchiam aquela sala.
Ela permanecia de boca aberta com os olhos arregalados na minha direcção, tanto como todas as pessoas que estavam naquele corredor. Algo que antes não tivera qualquer importância para mim tornou-se uma prioridade. Os constantes burburinhos que me acordaram daquele maldito pesadelo tinham uma razão que teria de ser totalmente nova para causar tanto alvoroço na Casa da Noite, na minha casa. Sem tempo de reflexão, virei em direcção contrária e dei de caras com a razão por a qual estavam espantados.
Ela iria destacar-se no meio de todos os que a acompanhassem, e não por a sua beleza natural ou pela roupa que embrenhava. Mas sim pela Marca azul safira que cobria o seu rosto com diferentes formas e diferentes cores. Num canto oculto da minha mente tentei retirar o máximo de informação daquele momento para poder reflectir posteriormente.
- Zoey Redbird, Terceiranista e líder das Filhas das Trevas de Tulsa. Ela foi transferida para cá e chegou na madrugada de ontem após terem terminado as aulas. – Sussurrou Katy ao meu ouvido.
Abanei a cabeça para deixar os meus pensamentos para mais tarde e tentei concentrar-me no que fazia mais sentido para mim naquele momento. Percorri a distância entre mim e a líder das Filhas das Trevas de Tulsa, parando em frente dela.
- Bem-Vinda à Casa da Noite de Portugal Zoey! – Disse numa voz alta. – Terei o maior prazer de te mostrar a nossa casa. – Acrescentei com um enorme sorriso.

E ela acenou com um ligeiro sorriso que fez a sua Marca ficar ainda mais profunda."

Vencedores do Concurso!

Aqui fica o 3º e último texto vencedor do passatempo Marcada!

Este pertence a Alexandra Pimenta! Muitos parabéns!

Bem pessoal...que grande imaginação destes grandes vencedores...aproveitem bem o livro! :)

"Naquele dia em que o vampyro chegou e me marcou com aquela tão vivida lua nem soube bem o que pensar, agora que olho para trás vejo que nada me preparou para o que aqui encontrei.

No momento da marca os meus pensamentos estavam totalmente ocupados com a imagem do vampyro, alto, moreno e de olhos tristes, como se me viesse amaldiçoar, o que no fundo não era uma grande mentira. Parecia que sabia o que me esperava e que também ele não estava feliz com isso, mas mesmo assim fê-lo.

Não me recordo bem de como o fez, estava fechada no meu mundo vendo aquilo acontecer a outro alguém que não eu, mais tarde descobri que é uma reacção normal entre os recém-marcados.

Depois de marcada, lembro-me apenas de pensar no que me iria acontecer e no que diria aos meus pais, recordo-me de correr durante horas e horas sem destino ou sem me aperceber, mas por outro lado o meu cérebro pensava, “não há-de ser tão mau, nada pode ser pior do que já tens, sendo que afinal o que é que tens? Nada.”

Mais calma voltei para casa, e já noutro espírito mais alegre e resignada e de repente dei por mim a pensar numa lista de pessoas que morderia se pudesse, talvez dar uma trinca no pescoço do Johnny Deep ou quem sabe do Bush, mas por razões diferentes, se me entendem.

Decidi que não contaria nada a ninguém, se quisessem poderiam procurar por mim, não seria tão difícil de encontrar, ou estaria num hospital, na morgue, na prisão ou então na escola de vampiros… esta última possibilidade não era tão lógica, sendo eu a filha rebelde poderia muito bem ter “simplesmente desaparecido”.

Fiz as minhas malas rapidamente e parti, sem saber bem onde ir, estava eufórica e ao mesmo tempo apática. Andei durante toda a noite e acabei na casa do meu irmão mais velho, não sei de inconscientemente queria fugir do que me estava acontecer, mas sempre pude contar com a sua protecção e os seus conselhos e assim aconteceu.

Na manhã seguinte parti para a escola onde tudo um conjunto de novas realidades me esperavam, e posso dizer que foi o melhor que poderia ter feito, mas isso será algo que contarei noutro momento."

Vencedores do Concurso!

Fica aqui o 2ºtexto vencedor do concurso realizado pelo blog Volturi Guard!

Este é do Bruno Macedo! Muitos parabéns!

"Nunca me tinha questionado sobre o que faria se fosse marcado, sempre soube que não o queria, era algo repugnante e inconcebível para mim. Mas nunca tinha imaginado que isso pudesse mesmo acontecer. Quando há poucos anos a minha irmã mais velha tinha sido marcada, lembro-me de pensar que ela estava para sempre condenada. Nunca mais seria NORMAL! Depois de marcada afastou-se da família, aquela rapariga simpática e bem-disposta tinha desaparecido, estava transformada em algo malévolo.

Eu odiava vampyros desde o momento que se puseram à descoberta anos antes. Odiava o seu aspecto esbranquiçado, a sua beleza exuberante, o seu modo de subsistência e claro a forma como tratavam os humanos, pequenos joguetes nas suas mãos pálidas e frias. Lembro-me da minha irmã chegar a casa radiante por ter sido “escolhida”. Os meus pais até que ficaram maravilhados com a ideia, como se o facto de se ser eterno com um coração morto fosse uma vida perfeita. Preferia pensar que ela estivesse morta ao ser como eles, uma vampyra sedenta. Será que ela ainda possui alma?

Eu levava uma vida perfeitamente normal até ser marcado, tirando o inconveniente da minha irmã! Tinha 17 anos, uma namorada, amigos, uma vida relativamente sociável, não me podia queixar de nada, não era gozado na escola e não tinha problemas com os meus pais. Porquê eu? Já não bastava terem levado a minha irmã? Ela significava tanto para mim, foi como uma segunda mãe.

Bem sabia que a minha vida estava a acabar… Tinha previamente decidido que se isto algum dia acontecesse, o faria… A minha realidade face ao ser marcado era tão diferente aos marcados habituais Eu vampyro? Nunca nem em vida nem em morte.

Ser marcado? Que ridículo! Os vampyros sempre com a sua mania de mauzões e depois marcam-nos com estas meias-luas brilhantes e amaricadas. Mas raios, como esta porra dói!

“Eu ainda sou novo!”, pensei desgostado, “ Ainda tenho muito para viver, muitas mulheres para conhecer, quem sabe casar...” Mas uma decisão é uma decisão. E depois de ver a minha namorada pela última vez, despedindo-me dela, se é que me entendem… levei avante com essa decisão. Peguei na arma do meu pai, dirigi-me para o meu quarto, tranquei a porta e sentado na cama aconteceu o único desfecho possível. Às 14.30 de uma tarde de quinta-feira a minha vida chegava ao fim… Não seria um vampyro e também não iria viver mais como um humano."

Vencedores do Concurso!

Olá pessoal!

Bem nós divulgamos também que os nossos afiliados, Volturi Guard, estavam a fazer um concurso no qual ofereciam três livros Marcada.
Agora finalmente chegaram os vencedores! E os nossos amigos disponibilizaram-nos os textos para mostrar-mos a todos os fãs a criatividade destes três grandes vencedores!

Bem os concorrentes tinham que responder há pergunta: o que farias se fosses marcada/o?

Aqui fica a 1ª das três respostas mais originais, da Sara Mimo! Muitos parabéns pelo fantástico texto!

Deixem a vossa opinião! Comentem!

"Ansiava, desesperava, necessitava de sentir aquela sensação, desprender-me desta face mais racional, desta parte mais frágil que me denunciava como sendo um deles… deste meu lado mais humano. Por isso, grande parte de mim desejava ser marcada.

Agora, nestas ruas húmidas, percorrendo esta calçada invadida de pequenas poças de água, sob um intenso nevoeiro matinal, reflicto este meu desejo tornado realidade. E revejo, através de imagens que fulminam no meu pensamento, o momento em que isso aconteceu. Ao relembrar, as minhas mãos, denunciando a minha (ainda) actual situação humana, começam de imediato a suar, o bater do meu coração acelerado emite um rufar de tambores que parecem agora, estar instalados no interior de cada um dos meus dois ouvidos. “Acalma-te”- pensei. Sabia que a minha vida iria mudar, que aquele sentimento de aversão face à sociedade em que me encontrava iria desaparecer, que agora que lhes iria pertencer ou, pelo menos tentar, aquela sensação de não fazer parte de nenhum dos dois lados iria desaparecer por completo. No entanto, o vazio que este sentimento iria deixar, seria preenchido não sei bem pelo quê e, por mais que me concentrasse no lado positivo daquela notícia, por mais que o meu cérebro se esforçasse em me centrar na alegria daquele anúncio, uma vez mais, o meu lado humano me denunciava, demonstrando o medo que me invadia.

Todos os humanos sabiam da importância de se ser marcado. Mas nem todos lhe davam o mesmo ênfase que eu, nem todos tinham passado toda a infância a sonhar com isso, nem todos desejavam loucamente tornar-se um vampiro. Porém, todos sabiam da importância do modo como essa transformação iria, ou não, ocorrer. Sentei-me debaixo de um velho toldo, pertencente ao antigo sapateiro da cidade, encostei a cabeça naquela porta de madeira já corroída pelo passar dos anos e, por fim, fechei os olhos. Pensei nos meus pais, nos poucos, mas demasiado importantes, amigos que tinha, e até no Boro, o meu gato. Teria de os abandonar para iniciar o meu novo percurso, teria de ver o rosto dos meus pais reprovarem a ideia tentando, em vão, esconder a dor que isso lhes causava. E, pensando em tudo isto o meu coração mantinha ainda o seu bater incessante, como se, a cada batimento seu, me fosse injectada uma dor que percorria todo o meu corpo, uma dor insuportável, uma dor de perda.

Foi então que, abri os olhos de repente e, me permiti pensar no que realmente ser marcada implicava na minha vida, no quanto tornar-me vampira me transformaria na rapariga mais feliz do mundo – a possibilidade de ser igual a ele. Fechei novamente os olhos, desta vez com demasiada força, tentando controlar as lágrimas que agora me escorriam pelo rosto. “Vou ser como ele” – tranquilizei-me. E estava certa, tornar-me-ia no mesmo ser que amava. Bastou-me então, apenas essa constatação, para que aquela notícia fizesse, agora sim, todo o sentido. Fui marcada, e lutarei incessantemente para me tornar vampira, para me tornar num deles, para viver como ele."