FanArt de Zoey

Olá pessoal!

A Ana Beatriz enviou-nos uma fanart que fez de Zoey! Que acham? Eu adorei! Continua Ana!

Abandoned - 6º Capítulo

"Abandoned"

Capitulo 6: Novo

-ZOEY!
O grito vinha lá de baixo. Era Neferet!
“O que é que eu fiz agora?” pensei, mas tive o cuidado de limpar a mente antes de descer.
-Zoey?
-Sim?
-Quero que saibas que dentro de dois dias terás uma nova companheira de quarto!
Fiquei perplexa. Nunca me lembrara de que talvez alguém viesse substituir Stevia Rae.
-A sério? –esforcei-me por parecer despreocupada –Como é que se chama?
-Chama-se Alisha. Alisha Stevens.
-OK, obrigada Neferet! Suponho que vão preparar as coisas dela?
-Quais coisas?
-A farda, o material de casa de banho e assim…
-Oh, claro! Apanhaste-me distraída! Mas sim, vêm cá dois vampyros enquanto estiveres nas aulas!
-Bem, obrigada pelo aviso!
-De nada! E antes que eu me esqueça… -abriu a mala e tirou uma folha de papel escrita –O professor Loren é o orientador dela, ele pediu-me para te dar isto –e entregou-me a folha – É o horário da Alisha.
-Ok, obrigada Neferet!
-De nada! E se tiveres algum problema com a Alisha, ou ela estiver com um problema, fala comigo ao com o professor Loren, está bem?
-Claro!
Bolas! Não podia falar com nenhum deles!
Subi e fui-me vestir.
Quando desci, reparei em algo que me deu um nó no estômago: Erin, Shaunee, Damien, Jack, Cole e Erik estavam reunidos perto da televisão deles –visto que agora eu já não faço parte –a conversar. Deitavam-me olhares discretos e eu percebi que estavam a falar da cena da faca. Lágrimas solitárias deslizaram pela minha cara ao ver Erik a olhar para mim, deveras preocupado e com… medo!
Sai rapidamente, com medo de me desfazer em lágrimas, para a aula de Sociologia, mas alguém me barrou o caminho.
Afrodite atirou o seu cabelo louro (demasiado) perfeito para trás das costas e encarou-me.
-Lembras-te no favor que me deves?
-Lembro… -disse eu, a recordar o dia em que ela previra a morte da minha avó.
-Porque….?
-Porque preciso de falar contigo sobre ele, quando voltares das aulas.
-Tudo bem, depois falamos…
-Adeus!
-Ade… us? –ela já desaparecera.
Quando olhei para trás vi algo errado, outra vez.
Eles estavam a olhar para mim, como se estivesse maluca, mesmo à porta do dormitório.
Segui caminho, sem ligar a nenhum (Eu sou muito boa no jogo de ignorar as pessoas, tive de me habituar para que Kayla me contasse o que eu queria saber), e a pensar por que raio é que apareciam sempre na altura errada.
-Vê por onde andas!
-Desculpa! –murmurei, para o rapaz que acabara de pisar.
-Deixa estar. És a Zoey RedBird, não és?
-Sou. Porquê?
-Há muita gente a falar sobre ti…
-Já calculava…
Riu-se.
-Eu sou o Luke Nolls, mas trata-me por Luke!
-Nolls? –não pude deixar de me rir.
-Bem, foi o primeiro nome que me veio à cabeça…
-Nolls? Não podias escolher algo que existisse?
Ele riu-se comigo.
Foi quando reparei na sua cara. Era lindo. Tinha uns olhos azuis claros, meio cinzentos, muito perfeitinhos. Tanto a boca como o nariz tinham traços suaves, mas bem definidos, o que NÃO lhe dava um aspecto feminino, e um cabelo comprido e desalinhado de um tom castanho mel.
-Estás a avaliar-me?
Fiquei deveras embaraçada, e corei mesmo, mas como ele o dissera em tom de brincadeira, decidi dizer a verdade.
-Sim…
-E a nota?
-De zero a quê?
-Hum… De zero a dez!
-Deixa ver… nove e meio.
-E o que é que falta para o dez?
-Essa camisola é horrível!
-Ei!
Sorri-lhe.
-Querias que dissesse o quê?
-Queria que me mentisses.
-Deixa estar, minto para a próxima! Agora tenho de ir para sociologia!
-OK, vemo-nos um dia!
“Espero que sim!” ia responder, mas limitei-me a acenar com a cabeça. Pelo menos alguém que falasse comigo!
Passei o dia todo a pensar em Luke, e em como seria maravilhoso se Alisha e eu tivéssemos algo em comum. Talvez pudesse falar com ambos, e esquecer um bocado que o rapaz que eu amava e todos os meus amigos estavam a falar sobre mim, a comentar o facto de estar com problemas mentais.
Dei por mim na aula de equitação, a falar com Lenóbia.
-Zoey, hoje vens comigo fazer saltos. A Ashley vem connosco, montada no Twig, e eu vou a conduzi no StarLight.
Não preciso de dizer que estava super nervosa por ir fazer saltos, nem que o facto de partir o pescoço não me parecesse convidativo, porque isso era demasiado obvio, mas mesmo assim, não conseguia parar de pensar nisso.
Consegui fazer um total de cinco saltos de meio metro, o que seria bom para o inicio, se não tivesse falhado dez, no entanto, Lenóbia felicitou-me.
-Muito bem Zoey!
- Cinco em quinze?
-Pelo menos não caíste do cavalo!
-Pois… -e já me podia considerar sortuda!
Regressei ao dormitório para tomar banho, vesti-me e fui jantar.
Escusado será dizer que Luke se veio sentar ao pé de mim.
-Importaste?
-Não, senta-te!
-Obrigado!
-Não costumas jantar com outros rapazes?
-Costumo, mas estavas aqui sozinha… E pensei que não devia ser nada fácil ser o esquisitinho…
E não era.
-Deixa estar! Foi… a… Um pequeno desentendimento entre mim e o resto do meu grupo. Mas obrigada por teres vindo!
-De nada!
Devorei (ou devo dizer, devoramos) o frango assado com arroz enquanto conversávamos, e o ambiente descontraio imenso.
Dei por mim a falar das expectativas que tinha com Alisha e de como fora difícil perder Stevie Rae.
Já não desabafava assim à imenso tempo, e adorei fazê-lo, especialmente naquele momento.
Ele acompanhou-me ao dormitório, e despediu-se de mim como se fossemos amigos à anos.
Fui-me deitar a pensar como aquele dia tinha sido diferente.
“Isto é bom…” pensei “É algo… Novo! Mas uma novidade diferente… Uma boa novidade!”

Abandoned - 5º Capítulo

"Abandoned"
Capítulo 5: Abandonada


Corri para longe, sem saber bem para onde, na esperança de encontrar um sitio abrigado no qual pudesse chorar à vontade.
Imagens daquele momento apareciam na minha cabeça, dando pequenos disparos de dor. Sentia-me pessimamente, como se fosse rejeitar a mudança. E bem podia fazê-lo: A única esperança para salvar a minha melhor amiga tinha-se apagado e os meus amigos, a minha razão de superar aquilo, tinham-me abandonado. O que é que eu ia fazer? Sem nada de significante na minha vida, ia agarrar-me a quê? Sentia que estava suspensa num abismo, e que a corda à qual me segurava cedia rapidamente ao meu peso aumentado. Poderia eu aguentar mais golpes? Não me parecia.
Parei e fiquei surpreendida por estar à porta da casa do jardineiro. Talvez porque me sentira tão bem naquele local, porque tinha ficado imensamente grata por o ter comigo, o meu corpo me tinha levado lá, talvez quisesse recordar algo tão reconfortante. Não esperei muito mais, fosse porque razão fosse, eu precisava de me abrigar.
Deixei-me lá a chorar, sem pensar noutra coisa. Já não tinha amigos –pode parecer mas eu não estava a fazer nenhum melodrama nem era uma criança de cinco anos –todos me tinham abandonado, embora Stevie Rae não tivesse culpa, ela já lá não estava.
Pois, o que é que eu tinha a perder? Erin, Shaunee, Damien, Jack, Cole e até Erik tinham desconfiado de mim, tinham ignorado o que lhes dizia e acreditado nas suas suposições em vez de acreditar na minha palavra! Podia tentar salvar Stevie Rae ou morrer a tentar, porque ela passara a ser o mais importante. Eu não tinha nada, e se fosse preciso morria para ter algo. Mas como é que eu o faria? Precisava de ajuda. Não podia tornar a aparecer lá sozinha, e querer ter a sorte de sobreviver –era pedir de mais.
Fiquei dentro da casa até a chuva amainar (o que só aconteceu ao meio-dia) e depois voltei para o dormitório, para o meu quarto, para a minha cama.
Nala soltou um dos seus “miaufs”, quando eu me deitei, e veio enroscar-se ao pé de mim.
-Eu sei –respondi-lhe, com voz rouca. Só agora me apercebia que não falava à horas –Mas eles não percebem. E não podemos pedir que percebam, eu faria o mesmo.
Depois Nala fez a coisa mais incrível que eu já a vira fazer: enroscou-se mais ao pé de mim e soltou um longo “miauuu” que se pareceu imenso com um ruído de pena, compaixão. Fiquei-lhe agradecida, ela podia resmungar muito, mas eu sabia que ela me entendia.
-Não, estava enganada, eu ainda te tenho a ti –murmurei, dando-lhe festas na cabeça.
Ela começou a ronronar, tranquila, e eu deixei que aquele som me embalasse, entregando-me aos meus sonhos agitados, cheios de ódio, frustração, tristeza e um outro sentimento que eu não conhecia, mas que me parecia ser a corda a partir-se.


Acordei a meio da noite esfomeada.
Ainda tentei acalmar o estômago e deitar-me, mas a fome não me deixava dormir, por isso desci até à cozinha.
Vasculhei nos armários e encontrei umas bolachas quaisquer, integrais, que comecei a comer. Mal dei a primeira trinca percebi que não sabiam a nada e que a minha fome não acalmava.
Desesperada com aquela sensação terrível, voltei à cozinha e tirei outro tipo de bolachas, desta vez umas de canela, e comecei a comer de novo.
Nada.
A fome não acalmava, o sabor não estava lá.
Voltei à cozinha e, no meio do meu desespero, encontrei o que procurava, sem saber que o procurava até o encontrar.
A lamina da faca brilhou na minha mão.
Não sabia o que estava a fazer. Não percebia porque é que tinha de o fazer. Mas sabia que sim –e mais do que isso, sabia que tinha ser do meu; Não ia magoar ninguém.
Sentei-me no sofá, a olhar para o objecto brilhante nas minhas mãos. Não estava hesitante por causa do corte –eu queria fazê-lo -, estava hesitante porque sabia que aquilo era anormal, estranho e ligeiramente obsessivo.
“Deixa estar” tentei (auto) ajudar-me “Vês à manhã no livro de sociologia, tu não tens culpa, é este desejo obsessivo! Acalma-te, não vais magoar ninguém…” e continuei a ignorar a voz que dizia “Anormal! Anormal! Anormal!” na minha cabeça.
Levei a faca ao dedo… Já sentia o cheiro a entrar nas minhas narinas… o sabor… e a excitação de o fazer… Já não tinha de esperar muito mais… Bastava deslizar a faca pelo dedo… deslizar…
-Ah!
Um grito interrompeu os meus devaneios.
Olhei para trás.
Era Shaunne.
-La…La… Larga isso! –vi que ela tremia, como se receasse que eu lhe atirasse a faca.
-Shaunee? Olha eu não…
-Pará! Pará de agir assim! O que é que te deu? Agora queres matar-te? –a sua voz era tão aguda que me apeteceu abana-la e dizer-lhe “Acorda! É normal que eu tenha aquelas tretas do vampyros adultos!! Vês a minha marca??” mas resignei-me.
-Shaunee, eu não me ia matar! A sério, é que…
-Dá-me a tua palavra em como não te ias corta!
-Shaunee, não é b…
-Dá-ma!
-Eu nã…
-DÁ-MA!
-Eu… Eu não posso…
-Porque é que te queres destruir? Tipo, a Stevie Rae foi-se à quase um mês! Já cá não está e só agora é que reages assim?
-Não é por causa dela!
-Então é por causa do quê?
Queria contar-lhe. Dizer-lhe a verdade e pedir-lhe que me acompanhasse às grutas. Mas não podia. Preferia que me achasse louca.
-Eu não te posso dizer… -murmurei.
-Dá cá isso! –ordenou, apontando para a faca.
“Oh, francamente! Eu já não sou uma criança! Posso tratar das facas!”
Abri a boca para responder, mas ela interrompeu-me:
-Dá cá isso, Zoey!
E eu, feita cachorrinho, entreguei-lha.
-Boa, agora vê se esqueces essa loucura de te matares e vai dormir.
E foi-se.
Fiquei ali a olhar para as escadas.
Bem, eu podia ter exagerado ao fazer aquilo dos berros e pensar que eles já não me falavam, mas agora tinha a certeza de que me iam achar maluca. Shaunee ia dizer-lhes. Não que ela fosse má, mesquinha ou parva, mas não ia poder esconder algo tão importante. E eu teria de aguentar mais algumas parvoíces sobre ter batido com a cabeça nos túneis.
Mas a fome continuava a apertar-me o estômago, por isso voltei à cozinha para tirar outra faca.
Cortei o dedo e fiquei ali à espera que a fome amainasse, e amainou.
Depois regressei ao dormitório, estanquei o fluxo de sangue e voltei para a cama.
“Nota mental: Consultar urgentemente a Biblioteca!”

Abandoned - 4º Capítulo

"Abandoned"
Capítulo 4:Conversa


-Entre!
Entrei.
-Só podias ser tu…
Fiquei admirada com aquilo. Como é que ela sabia que eu lhe ia pedir ajuda? Logo a ela? Tem um sério problema de ego.
-Como é que sabias?
-Prevejo desgraças. –disse ela com um sorriso cínico.
“Pois, está bem cabra” pensei. Se ela previsse verdadeiras desgraças, sabia que ela própria era um desastre social.
-O que é que queres?
-Pelos vistos não prevês desgraças assim tão bem…
-Se me queres pedir ou perguntar alguma coisa, que tal começares por fechar a matraca?
-Afrodite –disse eu com ar serio –Preciso da tua ajuda!
-Para quê? –fazia ar de desdém, mas percebi que se regozijava por dentro.
-Olha, isto não significa que és superior nem nada, estás a ver?
-Desembucha! Tenho coisas para fazer!
“Sim, tipo o quê?” apeteceu-me responder, mas isso só ia atrasar
-Preciso que venhas comigo salvar Stevie Rae.
-A sério? E eu ia fazer isso porque…?
-Porque ambas precisamos da mesma coisa: precisamos de fazer frente a Neferet!
-Eu não preciso de lhe fazer frente!
-Não? Sabes, se ouvisses a tua conversa com ela, sabias que precisavas.
Ela riu-se.
-Não –abanou a cabeça, para dar mais ênfase à sua resposta –TU! Tu precisas de fazer frente a Neferet. Precisas de salvar a tua amiga e fazer o que está certo. Eu preciso de lhe cair outra vez nas boas graças. E os humanos também não importam, a não ser que tenhamos sede.
-Sabes, nunca pensei que fosses tão desumana! Quer dizer, pensa nos teus pais, eles são…
-Os meus pais? Estás a falar nos meus pais? Pois, os meus queridos pais são os seres mais nojentos à face da terra! Eu odeio-os, porque quereria salva-los?
-São teus pais!!
-E depois? Não me peças para arruinar a minha vida para salvar um frigorífico que já devia estar morto!
-Pára de falar como se não importasse! Pára de falar como se os humanos não fossem mais que bifes, como se a morte de um amigo não fosse nada de especial!
-Eu passei por isso! Eu tenho uma amiga morta como a tua já devia estar! Eu passei por isso e por muito mais, e não pude fazer nada! Lá por teres essa marca esquisita e completa, afinidade com os cinco elementos, seres líder das Filhas das Trevas e estares a ser preparada para ser uma sumo-sarcedotista não quer dizer que sejas um super-herói e que tenhas de salvar o mundo! Pensas que és a única a sofrer? Tu tinhas amigos quando a Stevie Rae morreu! Eu só tinha a Vénus! Não precisava de mais ninguém! Não quis ter mais alguém! E quando ela morreu, nem os meus pais me apoiaram! Disseram: “Recompõe-te Afrodite, ou perdes tudo o que já ganhas-te!”. Bah! Para que é que eu queria aquilo? Governar a Casa da Noite quando Vénus não estava lá comigo!
As lágrimas corriam pelos seus olhos, e ela nem se esforçava para as conter –ver Afrodite chorar era como um choque: Não esperava que ela pudesse chorar por alguém!
Subitamente, lembrei-me de uma coisa.
Sabes Afrodite –Falei num tom incisivo, para que ela percebesse que eu não estava a mentir –Vénus não morreu. Ela está meio-viva, como Stevie Rae.
O choque e a alegria tomaram o rosto de Afrodite por um segundo, mas ela substitui-os por uma mascara de desdém.
-Isso não interessa! Aconteceu o que tinha de acontecer! Ela devia morrer! Ela morreu! Não pode ser salva! É isto que tem de acontecer!
Podiam ser choques a mais (e de certeza que são, mas a Afrodite é tão megera que nos choca com cada uma da suas ideias) mas desta vez fui eu que fiquei chocada. Como é que ela podia dizer aquilo?
-Não! Não tem de acontecer, não quando o podemos evitar!
-Tu não percebes! Se estivesses sempre a ter visões percebias! Tu podes evitar que certas coisas aconteçam, ma só daquela vez! A única coisa que ganhas ao interferir no destino é mais tempo para te afeiçoares a essa pessoa, para depois chorares o dobro quando aquilo que estava destinado a acontecer, acontecer realmente!
-Claro Afrodite! Nada no universo é eterno, nem mesmo as pedras sobrevivem ao séculos, nem o sol, nem o próprio universo! A única coisa que podes pedir é mais tempo para desfrutar do mundo! Porque eu sei que um dia vou acabar, e tu vais acabar e tudo há de acabar! No entanto, tu não queres morrer agora só para não teres mais pena de morrer mais tarde!
-Tu não percebes! Enquanto não chegar a minha hora, não tenho de morrer! Mas quando ela chegar, se eu a evitar uma vez, não posso evita-la para sempre!
-Sabes, não acredito que Nyx te tenha dado um dom para te ver sofrer com as visões! Se realmente podes evitar que erros matem, então deves evitar!
-Quando são erros humanos posso e devo! Mas quando a natureza age e leva alguém, então tens de o aceitar! Não podes contrariar a natureza! O que Neferet faz está mal, está errado!
-Então não me queres ajudar?
-Não posso ajudar. Não me cabe a mim faze-lo. Não vou corrigir o erro de Neferet contra a Natureza, cometendo mais um. –a voz era impassível, como se estivesse a comentar que o tempo estava uma merda.
-Adeus Afrodite!
-Não te esqueças de fechar a porta!
Sai e bati com a porta atrás de mim, com toda a força que consegui impingir sem ter de parar para a reunir.
Suspirei. Não conseguia aguentar os disparates de Afrodite!
Desci as escadas para voltar à sala comum. Reparei que toda a gente olhou para mim quando entrei. Mas que raio! Será que alguém tinha ouvido a minha conversa com Afrodite e pensava que eu estava maluca?
-Damien? Porque é que está toda a gente a olhar para mim?
-Zo? –falava como se eu estivesse delirante –Estás bem?
-Claro que estou! Porque é que dizes isso?
-Pois, é que…
-Tu sabes há quanto tempo é que ninguém entra no quarto daquela cabra? Sem ser ela claro! –Interrompeu Shaunee
-Não, eu…
-Zoey, a ultima pessoa que lá pode entrar foi Vénus. Nem as suas consortes lá entravam! –Erik parecia deveras preocupado.
-Não, eu só precisava de…
-Z, o que raio…-disse Erin.
-…É que estás a fazer? –terminou Shaunee.
-Eu… Eu precisava de falar com ela…
-Pois, mas nunca ninguém precisou de falar com ela –Ok, eu nem o conhecia bem, porque raio é que Cole tinha de se meter na conversa?
-Mas…
-Eu não estou aqui à muito tempo, mas tenho a certeza que nunca ninguém lá entrou dentro!
Desta vez foi de mais.
-VOCÊS FAZIAM O FAVOR DE SE CALAR? –sim, eu tinha noção de que toda a gente estava a olhar para mim –NÃO PERCEBEM! NÃO VÃO PERCEBER! SERÁ QUE ALGUM DE VOCÊS VAI CONFIAR EM MIM?
-Como é que queres que confiemos se num dia dizes que ela é uma víbora e no dia a seguir te metes no buraco dela?
-Damien! Eu não fiz isso!
-Não? Sabes… -espicaçou Erin.
-…Não foi o que pareceu! –Continuou Shaunee
-Mas foi o que aconteceu!
-Zo, devias começar a contar as historias todas porque…
-Oh, também tu? –as lágrimas corriam pela minha cara, não pensara que Erik me iria abandonar –Porque raio é que ninguém confia em mim? VOCÊS NUNCA PASSARAM PELO QUE EU PASSEI! NÃO FORAM MARCADOS ASSIM E OBRIGADOS A SER O ALVO DAS CONVERSAS! NÃO TENTARAM LUTAR COM O QUE EU LUTEI E NÃO VIRAM O QUE EU VI! NUNCA PASSARAM POR ISTO, MAS CONTINUAM A PENSAR QUE SOU DOIDA!
E sai disparada da sala comum. Tinha todos os olhos da sala colados em mim e a chuva ensopava a minha roupa, mas isso não interessava. Eu só queria ir para outro sitio, um em que não estivessem…
Os meus antigos amigos!

Abandoned - 3º Capítulo

Abandoned:
Capítulo 3: Planos


Ele ajudou-me a vestir a camisola vermelha gira do American Eagle , como se nada se tivesse passado. Não, não havia qualquer tipo de tenção entre nós os dois, como se nada de mais tivesse acontecido – como se eu não tivesse acabado de perder a minha virgindade.
Só a ideia assustava.
Reparei que ele me tratava com gestos muito mais gentis, e sorria para mim. Foi quando me apercebi que não era nada de mais – Durante séculos preservara a virgindade e agora percebia que, independentemente do que mãezinhas preocupadas podiam pensar, não era mais que um título.
-Voltamos? – Perguntou-me, a sorrir.
-Claro! – Deu-me a mão e puxou-me para cima. Depois passou um braço pela minha cintura e começamos a andar, meio abraçados.
Chegamos ao dormitório pouco depois, eram sete e meia e Saunee, Erin, Damien, Jack e Cole – que estava a falar com Shaunee num clima mais, quente – estavam perto da NOSSA televisão, a ver um filme qualquer.
Se algum deles percebeu o que tinha acontecido, nenhum deles fez comentários – mas de certeza que perceberam – o que eu agradeci com todas as forças. Eu e Erik fomos instalar-nos no sofá, e eu comecei a pensar em Neferet.
Tinha de haver uma maneira de fazer alguma coisa, de me escapulir até ao depósito ou simplesmente arranjar maneira de fazer-lhe frente.
Analisei as minhas hipóteses.
Se contasse ao resto do grupo, eles iriam ter centenas de ideias, entre as quais estaria pelo menos uma boa –mas isso estava fora de questão, não os podia por em perigo.
Haviam testes nesta semana. Quer dizer, o primeiro período estava a acabar e tinham de ser feitas as avaliações –sim, a Casa da Noite não é nenhuma escola anormal, existem aulas, testes e até férias…- E tinha a minha solução! As férias estavam quase a chegar, o que me dava uma enorme vantagem: Tínhamos de passar as férias todas na Casa da Noite, porque se nos afastássemos dos vampes adultos durante mais de umas horas, morríamos; no entanto, nada impedia os pais de se instalar perto da escola, estar com os filhos durante as férias e até de passar Natal com eles, na festa que a Casa da Noite organizava. A vantagem? Neferet estaria ocupadíssima a falar com os pais, dar instruções aos miúdos para que não se afastassem, controlar as visitas e essas coisas todas que tinham de ser feitas, essa seria a ocasião ideal, e só faltava uma semana para o Natal (as ferias na Casa da Noite começavam mais tarde, mas acabavam mais tarde também por uma razão: Quando acabavam as ferias dos empregos dos pais, os alunos podiam gozar de alguns dias de descanso, antes das aulas e sem os paizinhos que muitas vezes só iam lá para os censurar ou dar boa impressão ao vizinhos –do género “Eu não vou abandonar o meu filho” –senti um arrepio na espinha, provavelmente a minha mãe e o traste do meu padrasto também iam…
-Z? O que é que foi?
-Nada Damien, estava a pensar nas ferias e lembrei-me dos meus pais!
-Oh, pois… Eu percebo isso!
-Eu sei que sim.
E depois virei-me para o filme que eles estavam a ver, para ver se me esquecia do terrível nó que o meu estômago dera.


-Zoey?
-Neferet?
-Podes dizer-me qual foi a importância da introdução dos direitos vampyricos na sociedade?
-Claro! Os direitos vampyricos foram importantes porque antes destes existirem, os vampyros não eram julgados perante os Direitos Humanos, e eram tratados como coisas, podendo até ser executados por crimes menores.
-Perceberam? O que Zoey disse –e muito bem –foi que antes de ser feita a Declaração dos Direitos Vampyricos, os humanos não nos aplicavam penas com base nos Direitos Humanos, visto que por sermos vampyros, não nos podem considerar humanos.
E acrescentou, com um ar maternal:
-Muito bem Zoey, fico feliz por ver que tomas atenção nas minhas aulas!
Fiquei furiosa. Quer dizer, ela e eu éramos rivais declaradas, no entanto ela tratava-me como se a nossa antiga relação ainda fosse viva e profunda, coisa que já não era.
Passei o resto da aula a pensar naquilo, sem perceber uma palavra sobre o facto de Lewis Smith ter reclamado com a falta de direitos dos vampyros, e de ter sido executado dias depois por causa de um alegado ataque à moral do pais (esquisito, não é?).
Só ouvi as ultimas palavras de Neferet:
-E para TPC quero que me entreguem uma composição sobre Lewis Smith sobre o conteúdo da aula.
“Merda!” pensei “Não ouvi uma única palavra durante a aula e não tenho o livro!”
Sai, na companhia de Damien, a pensar naquilo.
-Toma –disse ele, entregando-me o livro de Sociologia – Encontravas-te ligeiramente aluada na aula!
-Obrigada –agradeci. Nem sequer fiz comentários ao seu estranho vocabulário.
Continuei o dia todo a pensar no que havia de fazer para me escapulir até ao deposito nas ferias, incluindo na aula de equitação, coisa que, não passou despercebida a Lenóbia.
-Zoey? Oh, por favor! O que é que se passa contigo hoje?
-Desculpe, estava a pensar!
-Pois, vejo que sim, mas ainda falta um pouco para as férias, e tens de te concentrar para praticar para o exame de equitação, amanhã!
-Sim, desculpe. Vou fazer um esforço.
Ahh! Que raiva, já não me podiam deixar pensar em paz?
Finalmente o ultimo toque soou. Era uma das mais reconfortantes sensações, saber que podia desanuviar a cabeça e deitar-me na minha cama a pensar no assunto…
E fui mesmo!
Despachei Erin e Shanee que me interrogavam sobre a minha conversa com Erik (eu sabia que aquilo ia acontecer mais tarde ou mais cedo!), subi as escadas até ao dormitório, fiz rapidamente o ensaio do trabalho que Neferet mandara (ainda tinha três dias mas…) e depois deitei-me na cama.
Quer dizer (e eu começava a pensar sempre com esta frase, não precisam de perguntar!) eu não ia fazer aquilo sozinha, não conseguia –mas não podia contar a nenhum dos meus amigos porque isso faria com que ficassem em perigo, e eu não os queria por em perigo.
Sim, mas sozinha eu não ia! Não me podia por ali a rezar a Nyx que me abençoasse e me deixasse sobreviver a um batalhão de Iniciados mortos-vivos (sim, eu não sabia quantos eram) sozinha. Se fosse preciso, até ia com a minha pior inimiga…
Raios! Era só isso que me restava: a minha pior inimiga! Era irónico que eu fosse pedir à rapariga que mais odiava (mas que mesmo assim conseguia ter sido mais decente que Kayla) ajuda para salvar a que mais adorava!
Mas não me restava escolha: eu prometera a Stevie Rae que voltava, e a palavra de um Vampyro é vinculativa.
Então levantei. Se era para fazer aquilo, fazia já. Sai do quarto e dirigi-me à porta de Afrodite.

Abandoned - 2º Capítulo

"Abandoned"
Capítulo 2: Sangue


Já tinha dado dois passos para fora do dormitório quando me lembrei que me tinha esquecido do chapéu de chuva. Pois, nós os vampyros podemos resistir ao frio mas não gostamos de ficar ensopados até aos ossos.
Voltei para trás e subi até ao dormitório, abri o armário e tirei o meu anorak azul escuro do armário (tinha comprado aquele quando as chuvas começaram, á duas semanas) de onde caiu um pequeno objecto: o meu telemóvel.
Abri-o, mais por instinto e vi, maravilhada, que tinha uma mensagem de Heath.
#Estou bem Zo, dscp por ñ ter dito nd mas so hj é que me deram o tlmvl.
Ps: Sonho cntg todos os dias, Amo-te!
Apressei-me a responder. #Fico feliz Heath, qnd é q sais?
Guardei o telemóvel no bolso e voltei lá para baixo. Estava a sair de casa quando o meu bolso vibrou. Abri o telemóvel. #Ñ sei, pelo – mais uma smn aqui!
Respondi. #Dsd q melhores…
E continuei.
Trocamos mais umas mensagens pelo caminho.
#Já m sinto melhor, qr ver-te!
Suspirei
#Ñ sei s vai dar
#Zo! Aql ñ foi nd!
#Pds ter morrido!
#Por ti, ñ me importava.
#Heath…
#Ñ vou desistir Zo, e ñ posso falar + ou a mnh mãe tira m o tlmvl!
#Tá, bjs
#Amo-te!
E não mandou mais nenhuma.
Fui até ao estabulo a pensar (outra vez) no que é que ia fazer com aquela embrulhada, enquanto escovava Perséfone.
Eu amava Erik, quer dizer, ele era a minha alma gémea, como aquela coisa do Yin e do Yang, eu não gostava só da parte física, eu gostava de estar com ele, falar com ele e coisas assim... –perder Erik seria como perder uma parte de mim e deitar álcool nas feridas que se recusavam a sarar (OK, eu não sabia fazer comparações!)
Por outro lado, Heath já fazia parte da minha historia –eu sempre tinha estado apaixonada por ele e agora a minha nova atracção física (e sanguinária) recusava-se a desaparecer e a deixar-se esquecer… Perder Heath seria como perder uma parte da minha historia (para não falar no melhor dos sabores do mundo…).
Mas entre um e outro…
-Se quiseres podes monta-lá –disse Lenóbia, fazendo-me dar um pulo. Dei um safanão á cabeça e os últimos pensamentos sobre os meus amores desvairados perderam-se.
-Oh… Quer dizer, claro!
Sorri.
-Óptimo! Sela-a e vem ter comigo ao picadeiro, estava a treinar saltos com o StarLight .
StarLight era a nova aquisição da Casa da Noite, e Lenóbia parecia tê-lo adorado.
Retirei-me até á sala onde estavam os arreios, tirei a sela e a cabeçada dos cabides esquisitos que diziam “Perséfone” a letras douradas e fui sela-la.
Depois guiei-a até ao picadeiro e montei-a, sem ter de ajustar os estribos, visto que era a única a montar Perséfone.
Lenóbia deu-me algumas instruções antes de partir com StarLight para a pista de saltos do outro lado do estabulo.
Com uma pequena ordem das minhas pernas Perséfone começou o seu andamento leve a passo, enquanto eu retomava os meus pensamentos anteriores –“Loren” surgiu-me. Pois, esse era outro dos meus problemas. Loren e eu tínhamo-nos voltado a encontrar num corredor, no intervalo das aulas, e eu voltara a detectar um brilho de interesse no seu olhar, no entanto, tinha-o tratado como se ambos alimentássemos uma excelente relação de professor-aluna. Também era difícil esquecer Loren, ele fazia-me sentir adulta, sensual e incrivelmente confiante e eu não podia ignorar isso…
Oh, se ao menos Stevie Rae ainda cá estivesse, em vez de andar a deambular por grutas húmidas e fétidas…
Tornei a ferrar os calcanhares em Persefone, e esta começou num trote normal e saltitante, como se estivéssemos ambas muito felizes, coisa que, pelo menos eu não estava.
E depois havia Neferet. Eu não estava propriamente apaixonada por ela, mas ela era mesmo um problema a resolver… O que é que eu podia fazer com aquela situação? Quer dizer, eu mostrara muita confiança ao confronta-la, coisa que na verdade, não tinha. Dava voltas e voltas á cabeça, mas nunca arranjava maneira de fazer algo ou de me escapulir até ao deposito…
Três bater de pernas e Perséfone desatou a galope.
Parei de pensar, apenas naquele momento, e aproveitei a sensação do ar fresco a bater na cara e do meu deslizar pela sela macia. Incentivei-a para que corresse mais depressa, para que me fizesse esquecer os meus problemas e para que o vento varresse os pensamentos sobre o meu insuportável comportamento junto de três rapazes.
Finalmente tive de parar. Puxei as rédeas para trás e apeei-me. Peguei nas rédeas e estava quase a entrar no estabulo quando vi um rosto familiar, a espreitar da duas portas abertas.
Sorri.
-Há quanto tempo estás aqui? –perguntei.
-O suficiente para perceber que és uma excelente cavaleira, nada de novo! –Respondeu Erik.
-Mas porque é que vieste? Podias esperar por mim no dormitório…
-Estava ansioso por te ver.
-É urgente –Acrescentou baixinho, com ar melancólico.
-Erik? O que se passa?
-Nada de novo… Eu falo contigo depois!
-OK.
Entramos ambos nos estábulos, onde eu me encarreguei de tirar a sela a Perséfone, dar-lhe banho, escova-la e fazer-lhe algumas festas antes de sair com Erik.
-Então?
-Não te quero dizer aqui… Prefiro ir falar para um dos pátios.
-OK, mas deixa-me ir ao dormitório primeiro para tomar um banho, cheiro a cavalo!
-Claro.
Fomos o caminho todo até ao dormitório de mãos dadas e a trocar alguns comentários, mas de resto fomos calados, a apreciar o tempo juntos.
Quando cheguei ao dormitório dei de caras com Damien e Jack a jogar ás Damas junto da televisão onde Shaunee e Erin viam “Project Runway” e discutiam qual a melhor das peças de roupa.
-Olá, Z! –disse Damien, absorto no seu jogo –Foste a mais uma sessão de equitação?
-Hum, fui…
-A que horas acordas-te?
-Ás três.
-Pois, devias retardar a tua hora de adormecer ou não te aguentas em pé!
-Nunca ouviste dizer “Deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer”?
Desta vez foi Erin quem respondeu:
-Já! Quando tinha p’rá e…
-6 anos?!? –terminou Shaunee.
-Tiraste-me as palavras da boca gémea!
E desataram a rir. Fiz-lhes uma careta.
-Pois, vou tomar banho enquanto vocês continuam com as vossas… Infantilidades…-sibilei, no gozo.
Tomei um banho relaxante, eliminando aquele fedor a bosta e cavalo.
Escolhi uns sapatos giros, encarnados, que condiziam com a camisa encarnada -que tinha comprado no American Eagle na manhã em que vira Heath e lhe tinha bebido sangue, completando a nossa impressão. Vestia as calças de ganga escuras que estava para levar naquela manhã e o meu casaco de camurça preto. OK, vou admitir, ficava mesmo gira assim! –Não que eu fosse do género de rapariga que se acha uma brasa linda de morrer como a cabra da Afrodite, eu tinha apenas uma auto-estima saudável.
Desci de novo para a sala comum onde Erik estava á minha espera.
Shaunee assobiou.
-Ei! Não estavas á espera disto, pois não Erik? –Perguntou Erin.
-Pois, imagine-se lá o que é que vão fazer hoje á noite! –Completou Shaunee.
-Estejam caladas sim? –disse eu, e depois acrescentei, a tentar ser mazinha –Não tenho culpa que a vossa vida amorosa seja um desastre!
-É, sabes é que… -Começou Shaunee.
-…Nós não nos contentamos com pouco! –Acabou Erin, começando a rir novamente.
Rangi os dentes.
-Deixa estar –tranquilizou-me Erik –E elas têm razão, está mesmo gira hoje!
Ri-me, e tenho a certeza de que pareci uma parvinha.
Ele deu-me o braço, á moda antiga –coisa que, repito, teria parecido ridícula se fosse possível que alguém como Erik pudesse parecer ridículo.
Ele encaminhou-me até um dos pátios mais antigo, onde os alunos tinham deixado de ir, e sentamo-nos num dos velhos e decrépitos bancos de pedra.
-Então? –Perguntei eu. Encostando-me a ele enquanto observava a lua.
Erik suspirou.
-Zo… -parecia estar a ser difícil, como se as palavras lhe queimassem a garganta (acreditem, eu sei o que isso é!) –É que… Bem, eu sou sextanista.
-Sim… Só me querias dizer isso? Não parece difícil de deduzir…
-Pois… -Já eram reticencias a mais – Mas eu; eu posso…ããã… mudar, entretanto.
-Oh! –A noticia atingiu-me como uma pancada, não tinha pensado naquilo… -Quando é que vai acontecer?
-Bem, é difícil de deduzir, pode demorar três meses ou pode ser já daqui a três horas…
-E o que é que vamos fazer? Quer dizer, quando tu fores um vampe e eu for uma Iniciada e tal…
-Tenho pensado nisso… É que se eu vier ensinar teatro ou assim para a Casa da Noite podemos estar juntos, mas não podemos namorar porque é proibido…
-Mas não nos podemos separar!
-Não. Foi o que me levou a pensar que talvez tenha de vir viver para aqui…
-Para aqui?
-Sim. Arranjo casa aqui ao pé e podes sair da escola para me visitar, quanto mais não seja, sais pelo alçapão.
Estremeci.
-Zo? O que foi?
-Ahh… Pois, foi lá que eu vi pela primeira vez os corpos do Elliot e da Elisabeth Sem Apelido. Não gosto daquela zona, sabes?
-Tudo bem… E também não me agrada que venhas a pé com aquelas criaturas por ai.
-Olá!! Tipo, eu deito fogo dos braços??!!??
-Pois,e é a coisa mais gira que eu já vi mas não me parece que consigas vencer um batalhão de mortos vivos!
-Se quiser, venço!
-Sim pois… Mas á uma coisa que eu queria fazer antes que seja tarde de mais.
-O quê?
Riu-se. Depois, com a unha do polegar direito, fez um rasgão na pele do pescoço.
Sobe que o fizera não porque vira, pois o golpe tinha sido feito do lado contrario aquele em que ele estava, mas sim por causa do cheiro: era doce e cativante, com um toque de mistério e coisas exóticas que despertaram em mim o meu lado Afrodite (e com isto quero dizer galderia sem vergonha ansiosa por coisas eróticas) . O cheiro não era tão bom como o de Heath mas mesmo assim era cativante. Aproximei-me do seu lado esquerdo, contornando-o com uma lentidão propositada, e lambi aquele risco. O sabor era maravilhoso, melhor que o cheiro mas com as mesmas características. Ao mesmo tempo, o desejo aumentou e eu empurrei-o contra a parede por detrás do banco.
-Zo! –ele arfava –Tem calma, aqui não!
-Porque não? –murmurei para o seu pescoço –Porque não aqui? Porque não agora?
-Porque se alguém aparece, não me parece que estejamos a fazer boa figura!
Aceitei, relutante, os seus argumentos.
-Então porque te cortaste?
-Eu não disse que não era agora, só disse que não aqui!
-Claro! Então onde? –Obriguei-me a afastar-me do corte e a manter contacto visual com ele.
Ele pensou por uns segundos.
-A velha casa do jardineiro?
Torci o nariz. A velha casa do jardineiro era uma casinha bafienta, criada quando a Casa da Noite era ainda um convento ou uma coisa assim, e ficava na parte mais desolada do campus, ninguém ia lá, e eu sabia bem porquê – nada ali tinha interesse.
-Tu sabes que já ninguém vai lá!
-Exactamente por isso! Ou tu queres público?
Suspirei, e tive de voltar a aceitar os seus argumentos.
-Vamos, rápido!
Ele riu-se, pegou-me ao colo como se me fosse embalar e começou a andar.
Eu já referi que os vampes têm muita força? Pois, ele era quase um!
Chegamos ao outro lado do campus em 15 minutos.
Depois disso tudo se tornou uma mancha enevoada.
Só sei que aconteceu – e que me deu imenso prazer.

Conhece as personagens!

Olá pessoal! Bem isto tem andado calminho...mas venho agora mostrar-vos uma nova secção no site oficial da House Of Night!

Chama-se Meet The Characters (Conhece as personagens). Nesta secção poderão ver muitas outras personagens, que aparecem apenas nos livros mais há frente, bem como algumas alterações que irão ocorrer nos seguintes livros, por isso quem não quiser Spoilers, não aconselho.
Podem também ver os personagens divididos nas suas diversas categorias, vampyros azuis, vermelhos, humanos, outros...

Cliquem aqui!

Wrong - Capítulo 3

Foi então que um cheiro demasiadamente conhecido invadiu as minhas narinas e rapidamente as lágrimas brotaram dos meus olhos.
- NÃO! – Gritei, correndo na direcção de Erik, que já permanecia deitado no chão sujo do pátio. Olhei-o e todo aquele sangue grelou da sua boca. E depois das suas ventas, o cheiro era já impossível de ignorar. As lágrimas eram tantas que já nem via focada mente o rosto belo de Erik. No meio daquele vermelho ainda conseguia distinguir os belos olhos azuis, mas estavam tristes. Passei a minha mão pelos olhos de modo a limpá-los. Erik a custo agarrou-a.
- Eu…amo-te Z. – balbuciou muito baixinho entre tosse. Fazia um enorme esforço para me agarrar devidamente na mão.
- Eu sei, meu amor. – Respondi, sussurrando-lhe. Encostei-o contra o meu peito e chorei. As diversas lágrimas molharam o cabelo dele.
Neferet e os meus amigos chegaram ao local e ficaram chocados com aquilo que viam. Estes últimos traziam toalhas, que rapidamente mas passaram e limpamos o corpo de Erik. Neferet deu-lhe de beber aquilo que iria impedir de sentir qualquer tipo de dor. Merda, sabia bem demais esse ritual graças á morte de Stevie Rae. Isto dói demais. Não aguento tantas perdas. As lágrimas duplicaram. Chegaram outros vampes para levar Erik para a… morgue. Observei o seu corpo pela última vez. Erin, Shaunee e Damien choraram comigo. Damien abraçou-me.
- Lamento Zoey. – Sussurrou-me, fazendo-me chorar mais. De seguida as gémeas juntaram-se a nós e abraçaram-me fortemente.

Todos me olhavam de lado, tinham pena de mim, podia senti-lo através de cada olhar que me era lançado. Jack chorava agarrado ao Damien. Perguntei-me porque era assim. Porque tinha de perder tudo o que mais amava, não era justo, nunca foi justo. Ouvi mais alguém a lamentar-se, não, não o deviam fazer, lamentam o quê? Não foram eles a perder a melhor amiga e depois o namorado, não foram eles que viram a melhor amiga a tentar comer o ex-namorado humano! Porra, nenhum deles viu a Stevie de olhos vermelhos e a cheirar a podre, e nenhum deles tinha perdido o namorado, nenhum deles perdera a pessoa que mais amara. Quanto mais perder as duas pessoas que mais amava.
Caminhei até ao dormitório, os meus amigos andavam mais atrás, acharam que devia estar sozinha, estão certos. Entrei no quarto e olhei directamente para a antiga cama de Stevie Rae e desmanchei-me de novo em lágrimas. Nala olhou tristemente para mim e roçou-se na minha perna.
- Acho que roçares-te em mim, não vai ajudar muito. – Falei rapidamente, agarrando nela para a deitar na cama. E deitei-me ao lado dela. Nala aproximou-se e voltou-se a roçar, desta vez na minha cara. E aninhou-se ao pé do meu peito.
- Acho que nada que aconteça possa ajudar de qualquer forma. – sussurrei, mas não me dirigia a ninguém em concreto. Passei a minha mão pelo pêlo macio de Nala e já nem conseguia chorar. Não consigo mais. Estou cansada. Não sei como será a minha vida daqui para a frente. Não consigo. E fechei os olhos com muita força os olhos na esperança de tudo isto ser um pesadelo e que eu acordasse no segundo a seguir e tudo estar bem. Mas não.
O pesadelo era a minha vida. Voltei a fechar os olhos e desta vez a escuridão decidiu finalmente apoderar-se do meu débil corpo.


By: Júuh e Sheprey