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Parabéns ao Vitor!!!

Olá Filhos e Filhas das Trevas!

Hoje faz anos uma pessoa que já pertenceu ao nosso blogue, o escritor da fanfic "Blessed"... Aposto que já sabem quem é x) O nosso querido Vitor faz hoje 17 aninhos!!!


Parabéns ao Vitor de toda a equipa do blogue Casa da Noite Portugal!!!


Que Nyx vos abençoe!

O fim da fanfic Blessed

Olá Filhos e Filhas das Trevas!

Venho por este meio dar-vos uma má noticia. O nosso Vitor, autor da fanfic Blessed, desistiu de escrever a fic, segundo ele devido ao medo de não conseguir respeitar o horário de entrega. Eu tentei convencer-lo, dizendo que se sempre conseguiu não veria o problema agora e o que os fãs ficariam tristes, mas ele insistiu dizendo que anda sobre pressão devido a ir para o 12º ano e assim.
Bem, a única coisa que posso dizer em nome do blogue ao Vitor é... Boa Sorte!


Que Nyx vos abençoe!

Informações sobre a fanfic Blessed

Olá Filhos e Filhas das Trevas!

Venho por este meio avisar que o nosso querido Vitor está de férias com os pais e durante uns tempos não nos vai poder enviar a sua fanfic. Quando ele voltar voltará tudo ao normal.

Que Nyx vos abençoe!

Fanfic: Blessed - Capitulo 11

ONZE
Zoey
Finalmente a aula da Pentesileia terminou. Não aguentava muito mais tempo ali enfiada naquela sala. Ainda para mais com a matéria que estávamos a dar. Estava realmente estafada. Suportar as aulas, realizar os Rituais, levar com a mesma treta do costume “HEATH / ERIC”. Eu errei. Não queria fazer ninguém sofrer nem nada do género. Simplesmente fui enganada e de um jeito muito impiedoso e mesquinho. Estava ligada ao Heath através da Impressão, mas assim que cometera aquele estrondoso erro com Loren, essa mesma ligação desvaneceu-se e perdeu-se no infortúnio. Com Eric, não se passava o mesmo. Ele sentia-se traído, magoado e furioso. Tudo numa misteriosa fusão constante de termos que eu não entendia. Ele apanhara-me com Loren, vendo tudo o que se passava. Quando me tentei explicar após ter sabido das unívocas razões de Neferet, ele nem sequer se deu ao trabalho de ouvir, limitando-se a ir-se embora. Nem sequer tentou ouvir-me. Agora, raramente me dirige a palavra ou fala comigo. Bem…a não ser nas aulas que ele lecciona.
Sentia-me confusa e perdida no meio daquilo tudo. Os sentimentos dividiam-se entre Heath, o meu suposto namorado humano, e Eric, o meu ex-namorado vampiro adulto, tendo já completado a Mudança. Eu e Eric tínhamos começado uma relação, partindo do nada. Começamos a saber coisas da vida de cada um e partindo do dia para noite, deu-se o primeiro beijo entre nós à porta do meu dormitório. Mas com o Heath era diferente. Eu e ele já nos conhecíamos desde que éramos pequenos. Andávamos quase sempre juntos. Por vezes, oferecia-me prendas e tudo mais, fazendo-me sentir pela primeira vez, importante para alguém. Mas quando chegou a idade do “disparate”, por assim dizer, enfiou-se na bebida e no tabaco. Mas ainda assim, ele beijava-me normalmente, deixando de lado as coisas que lhe traziam mais complexidade à mente ou à vida.
O meu coração ansiava pelo amor e carinho que Heath nutria por mim, mas por outro lado, desejava o jeito amigável e amável de Eric. Duas metades separadas de um todo. Mas eu sabia que não poderia fazer sofrer mais duas das pessoas mais importantes da minha vida. E para isso, tinha que esclarecer as coisas primeiro com Eric, já porque ele está apenas a um passo daqui e assim não tenho de caminhar muito. O que a preguiça me faz. E depois, falarei com Heath. Não sabia a forma de como Heath reagiria ao saber que eu o tinha traído com outro, mas tinha que o fazer entender do erro que eu cometera. E o mesmo se aplicava a Eric. Apesar de ele me ter avisado constantemente para me manter afastada de Loren, eu fizera exactamente o contrário. E foi naquilo que deu. Uma viagem só de ida para a terra da desilusão e da brusca traição.
Como é que eu teria coragem agora de levantar a cara e enfrentá-los aos dois, sabendo que poderia esperar más respostas ou insultos? Mas eu merecia recebê-las e não faria de nada para os evitar, sabendo que a verdade era a que estaria a ser acusada. Tinha vergonha de falar sequer com os meus amigos até, só pelo facto de lhes ter mentido acerca de tudo o que passou. Tudo acerca de Loren, da Stevie Rae e das minuciosas actividades de Neferet. O medo derrotara-me completamente numa batalha que sabia que não poderia ganhar. Eu tinha metido as mãos no fogo e agora completamente queimada até ao pescoço. Eu tinha-me tornado numa versão acústica da Afrodite e de alguma forma, só de imaginar andar tal e qual como ela, arrepiei-me toda. Mas o facto era aquele. Eu tinha sido oficializada a pior vádia da Casa da Noite, a seguir à Afrodite.
Mas também havia o facto de eu ter que cumprimentar a nova aluna marcada, a Melissa. E ainda tinha imensos trabalhos para fazer, já alguns acumulados da semana passada. A minha vida está mesmo um caos total.

Fanfic: Blessed - Capitulo 10


Melissa

Estávamos à porta daquele que parecia ser o meu dormitório. Por mim, pouco me importava, desde que tivesse onde dormir. Tinha a mínima paciência para ouvir o que quer que fosse. Eu e Lenobia nada proferimos no caminho todo. Não deveríamos ter nada ou assunto do qual pudéssemos discutir, isso seria certo. Acho eu.
- Melissa, vamos entrar.
Seguindo o seu pedido, abri as portas do dormitório e fui entrando devagar. O sítio estava bem iluminado. Só a forma como o quarto estava decorado, as luzes nem eram necessárias. A decoração já o fazia por si só. Mas quem é que tinha feito semelhante transformação? – Pensei eu.
- Finalmente chegaste.
Uma rapariga apareceu vinda de fora do dormitório e entrou como se nada fosse. Estava contente e alegre e todas essas tretas relativas à felicidade comum.
- Melissa, esta é a tua colega de quarto. Melody, apresento-te a minha iniciada, a Melissa.
A miúda que estava quase a pinchar de alegria chegou até mim e abraçou-me, como se fosse algo natural. Esta miúda não está bem da cabeça. Ou deve ter algum defeito ou aconteceu-lhe algo grave.
- Olá, sou a Melody. Espero que possamos ser boas amigas.
- Pois. Está bem. – Foi a minha única resposta. Cheguei-me até ao beliche que visualizava à minha frente e deitei-me na cama de baixo, virando-me para a parede. Não queria falar com ninguém agora. Queria dormir até não poder mais.
Não sei o que é que este lugar tem para fazer as pessoas ficarem assim alegres e bem-dispostas. Qualquer dia, também viram malucas.
- Bem, vou deixar-vos a sós. De certeza que se vão pôr a conversar sobre imensa coisa. Até logo, meninas. – Dizia Lenobia, enquanto saía do dormitório e encerrava as portas atrás de si.
- Bem, o que é que queres fazer hoje, amiga?
Amiga? Quem é que disse que ela se podia considerar minha amiga? Ou melhor, quem disse que eu queria amigas sequer?
- Vê se ouves bem o que te digo. Eu não sou tua amiga e nem quero ser. Hoje quero dormir e vais estar caladinha. Senão vamos ter problemas.
Nada mais se ouviu e eu finalmente pude encontrar o sossego que tanto desejava e adormecer no conforto da cama onde estava deitada. Em paz e silêncio.

Lenobia

Dirigia-me de novo para as cocheiras, onde iria leccionar a minha terceira aula do dia. Mas será que a Melissa se iria ambientar bem? Será que ela se iria sentir bem integrada? Tantas incertezas para apenas uma pessoa em particular. Mas aquela iniciada intrigava-me. Dava um certo interesse e dava a parecer que queria conhecer muita gente, mas que na verdade não era isso que ela queria. Pelo menos, era isso que ela deixava a parecer.
- Lenobia. – Dizia Erik, enquanto carregava dois ou três livros na mão. – Viste o meu irmão?
- Não. Porquê? Aconteceu alguma coisa? – Perguntei.
Pronto. Mais uma coisa com que me preocupar. Já não estava suficientemente preocupada com a nova aluna e agora também veio mais uma preocupação para a minha lista.
- Não. Só queria falar com ele. O Dragão disse que ele se estava a sentir um pouco cansado demais e foi para o dormitório dele. Só queria saber se está tudo bem. Acho que tenho exigido demais dele.
- Sejamos sinceros, Erik. Tu também não andas bem. E de certo, isso tem alguma coisa a ver com a Zoey. Estarei errada?
Ele deixou transparecer um pouco de fúria pela sua cara. Era normal, pensei eu. Acho. Mas após aquela conversa, ele desviou-se de mim e seguiu caminho até ao dormitório dos rapazes. E eu segui o meu. Para leccionar os meus alunos e torná-los em bons e excelentes cavaleiros.

Blessed - 9º Capitulo


NOVE
Methalia

Permanecia agora deitada, desfrutando do momento que Loren me proporcionara. Ficara a pensar em mil e uma maneiras de destruir a minha irmã, mas devido aos aliciantes toques da mão de Loren a incidirem na minha pele, foi quase impossível pensar sequer.
O submundo continuava na mesma. Sombrio, escuro, tenebroso e, principalmente, chato. Nada cá me poderia chamar sequer a atenção, com a excepção dele. Daquela pessoa que há instantes era um escravo como todos os outros que tinha sob o meu comando e que depois virara meu amante.
A escuridão que profundamente me afectara havia-se misturado com um sentimento que eu achara impossível de adquirir. Sentia-me…bem. Sentia que era poderosa e amada ao mesmo tempo. À medida que o tempo passava, mais força ganhava. Queria sair daqui para poder inundar o mundo com as Trevas infinitas.
- Minha Rainha? – Perguntou-me Loren, colocando o meu corpo junto do seu, como se fossem simples peças de um puzzle perfeitamente encaixadas. – O que se passa convosco?
- Não é nada. Estava a pensar nuns assuntos. Não é nada que valha a pena constatar.
O seu olhar tornou-se penetrante para quem notasse. Este revelava a incompreensão da sua própria alma, ao mesmo tempo que mostrava um sinal de puro sentimento. O ar parecia intacto e todo o ambiente continuava morto e sombrio, como de costume. Mas havia algo de diferente. Talvez fosse o facto de me ter encontrado alguém que me compreendesse tão bem.
- Se a minha Rainha assim o diz. – Murmurou de seguida ao meu ouvido, deixando-o arrepiado.
Encostei a minha cabeça no seu peito, relaxando por completo todos os músculos da minha face. Os meus devaneios deixaram-se apagar enquanto a brisa mórbida os levava pela janela.
Lembrar-me da maneira de como Loren me seduzira tão facilmente. Aqueles olhos brilhantes que pareciam chamar o meu corpo cada vez mais. O desejo dominara-me por completo e agora encontrava-me naquela situação. Não era de todo embaraçosa. Eu queria estar assim.
Embora me sentisse dominada por ele, os meus objectivos ainda não mudaram. Ainda queria a destruição da minha irmã e de todos os seus filhos. Em breve chegaria a hora em que demonstraria todo a minha fúria. Toda a minha amargura espalhar-se-ia pelo mundo todo, controlando tudo pelo medo e pela minha fúria, caso ninguém me obedecesse.
De repente, notei que os seus braços cobriam o meu corpo num terno abraço que não parecia ter fim. O seu calor transmitia-se através do contacto dos nossos corpos. Eu adorava aquela sensação. De certa forma, as Trevas pareciam ter algo a ver com aquele momento pelo qual estava a passar. Os seus lábios pernoitavam na noite que encobria o nosso pequeno espaço no palácio das Sombras, à medida que percorriam o meu pescoço.
- Minha Rainha, olhai para mim.
Fiz como ele me pedira. A sua face brilhava no meio daquela escuridão toda. A sua cara baixava-se terminantemente à procura de algo. Os seus lábios esticaram-se e encobriu o meu rosto de deliciosos beijos que ficavam marcados na minha face e, de seguida, causou um último impacto ofegante colando os seus lábios nos meus.
Eu desejava-o tanto, mas temia que se me apaixonasse, o meu principal objectivo não se realizaria. Mas não podia lutar contra aquilo que queria. Aquilo que eu andava a caminhar no desconhecido à sua procura. Um sentimento que desconhecia, mas que agora denotava um pouco dele.
Parecia que eu tinha encontrado a pessoa especial que me estava destinada. Apesar disso, os meus objectivos eram partilhados com ele e ele compartilhava os mesmos. Podia não saber o que se passara na sua vida anterior, mas sabia o que se passaria agora. Ele gostava de mim. Pelo menos, era o que ele dava a entender. E eu, apesar de ser fria e cruel, também gostava dele.
- Fria, mas suave. – Murmurava ele enquanto deixava um rasto de carinhosos beijos pelo meu pescoço abaixo. – Agora, vossa Alteza, és amada. Amada pelo corpo e pela alma deste pobre e infeliz homem que aqui vês. Ambos sentimos a vingança e o ódio a correr pelas nossas veias. Ambos sofremos muito com a dor, mas agora nunca mais teremos que suportar isso. Estando nós os dois juntos, os sentimentos atrozes como a tristeza, o pânico e o medo não existem.
E naquela noite de infortúnios, ambos nos afundamos no conforto da cama em que estávamos deitados, entregues ao mais puro amor que ambos podíamos sentir.

Blessed - 8º Capitulo

Olá Filhos e Filhas das Trevas!

O Vitor voltou em força com o 8º capitulo de Blessed que vai começar a ser postada às 5ªs Feiras pelas 20h.


OITO

Sean

Enquanto permanecia sentado no banco a descansar, a minha percepção começava a enganar-me. Como é que me pude desleixar tanto? Já nem pareço eu próprio. Eu já nem me conheço. Por um lado, estava chateado por quase ter perdido por causa dela, mas de certeza forma, tremia de ansiedade. Ansiedade por estar ao pé dela e de puder voltar a falar com ela.
- Sean, a aula está quase a acabar. Que tal ires indo para a tua próxima aula? – Aconselhou o Dragão, enquanto punha uma mão sobre o meu ombro.
- Não sei…talvez me faça bem. – Respondi de seguida, enquanto me levantava do banco.
Desiludido comigo mesmo, saí da sala e fui em direcção ao meu dormitório, na esperança de poder descansar um pouco e poder abstrair-me daqueles pensamentos retóricos que me iludiam a cabeça.
Eu mal conhecia aquela rapariga. Mas ela causou-me um impacto de sentimentos estranhos que nem eu me apercebera do que me atingira. Por alguma razão que me era desconhecida, eu começava a desejar aquela rapariga. A desejar que estivesse no leito dos meus braços. A desejar que nunca saísse da minha beira, fosse por que razão fosse.
Eu estava completamente passado. E não estava mesmo nas melhores condições para aguentar mais aulas ou fazer exames e coisas do género. Talvez precisasse de descansar para esquecer aquele dia tremendo. Sim, talvez seja isso. A cada passo que dava, mais intenso ficava o desejo que tinha por ir ter com ela. Embora fosse difícil, eu ia lutar. Ia lutar contra aqueles sentimentos estranhos que começava a nutrir por aquela rapariga novata. Lutaria para que aquela dor infindável parasse de me atormentar, nem que para isso enfrentasse as piores consequências que me causariam. Faria tudo por tudo para esquecer. Esquecer que a tinha conhecido…esquecer aquela voz de musa encantadora…esquecer aqueles olhos azuis brilhantes…esquecer aqueles longos cabelos castanhos que esvoaçavam ao sabor do vento.
Eu tinha de tentar, mas não teria certezas de quem ganharia a batalha que acontecia no meu interior: a razão ou o desejo que o meu coração sentia.

Zoey
As aulas da Pentesileia costumam ser bastante boas e inovadoras, mas hoje não conseguia aguentar o cansaço que se debruçava nos meus ombros. Os meus olhos não cessavam de abrir e fechar e quase que apostava que já tinha olheiras. E ainda tinha que preparar o próximo ritual. Mais trabalho para cima de mim. Como se o facto de ter recebido outra vez a bênção de Nyx, figurando-se em belas tatuagens que se estendiam pelo meu corpo, e o facto de estar a ser treinada para ser Sumo-Sacerdotisa não fosse suficiente.
- Zoey, acorda. – Dizia uma colega ao meu lado, abanando-me o braço.
- O que é? Não vês que estou cansada? – Respondi, por entre bocejos. – Tenho andado sob muito stress ultimamente.
Ela empinou-se logo e mergulhou a sua cara no manual. Senti uma onda de tensão a vir na minha direcção. Levantei a minha cabeça e ergui o meu manual, folheando algumas páginas, tentando evitar o olhar desconfiado que Pentesileia lançara sobre mim. Um formigueiro fazia-se sentir num dos meus pés, deixando-me incomodada. Tinha que me recompor. Tinha muita coisa marcada na minha agenda, por assim dizer. Primeira – Organizar e planear com o resto da malta o ritual da meia-noite. Segundo – Resolver o dilema Heath / Erik. E Terceiro – Dar as boas-vindas à nova caloira da Casa da Noite: Melissa.

Personagens Blessed

Feliz encontro Filhas e Filhos das Trevas!

E que tal umas caracterizações de mais personagens do Blessed?? xD Infelizmente o nosso querido Vitor ainda não pode continuar a escrever Blessed mas enviou mais estas 2 caracterizações. É mesmo para ficarmos com vontade de ler mais não é menino Vitor!? xD


Melody Willard – Melody é uma pessoa amável e quer sempre ajudar os outros em tudo o que pode, incluindo a sua nova colega de quarto, Melissa Blackhorn. Melody é também persistente, pois não desiste enquanto não ver a sua (futura) melhor amiga ao lado de Sean. Amante de leitura e de rapazes bonitos, ela cai na suposta rede de amor de Matt.

Livros Favoritos – Stephen King: O Beijo do Vampiro, entre outros.
Programas de TV – Donas de Casa desesperadas e Crime, disse ela.
Filmes – High School Musical 1, 2 e 3.
Músicas – Paramore, Jonas Brothers.
Melhor amiga – Melissa.
Paixoneta por uma estrela de cinema – Jared Padalecki


Matthew (Matt) Clinton – Gosta que o tratem por Matt, pois odeia quando lhe chamam Matthew. É um guerreiro vampyro adulto. Começa por gostar da Melody, pois esta foi a primeira que o tratou como uma pessoa normal e não como um monstro. Dedica-se a aturá-la, por assim dizer, nos seus tempos livres, mas ele gosta do tempo que passa ao lado dela.
Livros Favoritos – Flashforward, de Robert J. Sawyer.
Programas de TV – Investigação Criminal e CSI.
Filmes – G.I Joe The Rise Of Cobra e o Quarteto Fantástico, O Surfista Prateado.
Músicas – Nickelback e Black Eyed Peas.
Melhor amigo – Darius.
Paixoneta por uma estrela de cinema – Jessica Alba. 

Que Nyx vos abençoe!

Blessed - 7º Capitulo



SETE
Melissa


Enquanto caminhava por entre o seco e espesso feno que estava espalhado no chão das cocheiras, senti uma leve brisa que pairou sobre o meu corpo. Arrepiei-me logo e comecei a ficar um pouco resfriada. E eu a pensar que os vampyros não sentiam nem calor nem frio. Sempre imaginei que fossem daquele tipo que só bebe sangue. Enfim…rumores exagerados, pensei eu.
- Estás bem? – Dissera a Lenobia, oferecendo-me um casaco. – Aqui por estes lados costuma soprar mais vento do que é costume.
- Obrigada. – Respondi, vestindo-o de seguida. – Mas há uma coisa que não percebo. Aliás, que não percebi desde que aqui cheguei.
- E o que é que não percebes, criança? – Por um lado, odiei que me tivesse chamado aquilo, mas por outro, achei uma certa piada.
- Muita gente do meu bairro…quer dizer…do meu antigo bairro, dizia sempre que este sítio era uma escola de monstros e coisas afins ou que estavam aliados a Satanás e que todos os que estavam aqui eram monstros sobre a terra. – Já tinha pensado nisto meses antes de ser Marcada…enquanto ainda era uma humana.
- Isso são apenas argumentos baratos e completamente estúpidos, se queres que te diga. – Disse ela, com voz firme e directa. – Ninguém nos pode criticar sem nos conhecer primeiro. Fazem julgamentos com base em casos particulares, mesmo sabendo que muitos de nós não têm culpa. Enfim…continua, por favor.
Esta professora era simples e convicta. Mostrava um sentido de honestidade enorme. Uma das poucas qualidades que se pode encontrar numa pessoa. Tudo aquilo que sabia sobre os vampyros de nada valiam quando confrontados com a realidade.
- Este sítio serve para quê?
- Poucos iniciados perguntam isso, mas pelos vistos, tu és um caso raro. A Casa da Noite serve para ajudar os estudantes marcados a passar pela Mudança. Alguns completam-na e tornam-se vampyros adultos. Mas há outros cujo corpo pode rejeitá-la e pode… - Enquanto pronunciava as últimas frases, um pesar na sua voz começara a notar-se, embora fosse pouco nítido.
- Pode o quê? – Agora tinha ficado curiosa e, ao mesmo tempo, preocupada.
- Não queria estar a alarmar-te, porque este é o teu primeiro dia. Alguns acabam por se aperceber daquilo que lhes poderá acontecer dias após…
Interrompia-a e então disse logo:
- Por favor, diga-me. Eu não sou nenhuma criança. Eu posso aguentar.
- Ok. Aqui vai…aqueles que não completam a Mudança, morrem.
Aquela mensagem fora um completo choque para mim. Eu podia morrer? Mas…tudo acontecera de forma tão repentina. Já a minha Mudança seria algo muito pesado para carregar em cima dos ombros, mas ter que me preocupar com a minha possível morte era outra coisa. Mas também já tinha pedido aos céus que levassem a minha alma deste mundo. Por isso…se morresse já me estavam a fazer um favor e nada mais do que isso.
Mas o mais estranho que pensara logo naquele momento era se algum dia alguém sentiria a minha falta. No que é que eu estava a pensar? Claro que ninguém sentiria. Nem sei sequer se o meu pai mostraria algum tipo de sentimento se me visse num caixão. Não tinha amigos nem amigas que quisessem saber de mim ou que quisessem saber daquilo que sentia. Sou apenas mais um ponto neste planeta. Um ponto insignificante cuja vida estava destinada à desgraça e ao fracasso.
Enquanto as outras pessoas levavam a sua vida com normalidade, eu sentia inveja delas. Sentia isso, porque elas tinham algo especial em si. Tinham um pouco de tudo, enquanto eu nada tinha. Bem…eu tinha uma casa e isso. Mas queria algo mais. Eu queria alguém que fosse gentil para comigo…que fosse amável e, mais importante de tudo, que gostasse de mim como eu era.

Lenobia

Em todos os meus anos de ensino, nunca encontrara uma aluna assim como esta. Ela era jovem e forte, pelo que eu conseguira perceber. Seria uma iniciada prodigiosa, no meio de tantas outras? Talvez, mas isso só se saberia quando ela começasse a seguir o seu horário – isso é certo. Agora tinha mais um cargo a exercer. Não era só professora dela. Era também a sua mentora. Eu teria de guiá-la neste percurso que a deusa criou. Teria de orientá-la nas suas decisões, para a ajudar no seio do certo e do errado. Teria um fardo enorme, mas seria interessante ver como é que ela se sairia. Mas uma coisa me preocupava. Em todas as palavras que trocáramos, o seu tom de voz foi sempre o mesmo. A tristeza estava misturada entre aquilo tudo que ela dissera. Eu gostava de a puder ajudar de alguma forma.
- Algo te preocupa, Melissa? – Perguntei eu, deixando-me levar pela minha impetuosa “sinceridade”.
- Não. Bem…é algo que…oh, deixe estar. Não é nada. – As palavras soaram breves como frases de um livro, mas curtas como a publicidade que dava na televisão.
- Sabes que podes contar comigo para te ajudar. Tens a minha palavra de honra.
Uau. Nunca tivera que usar a minha palavra ou um juramento qualquer com muitos alunos, mas fi-lo com aquela rapariga. Engraçado – pensei eu.
-Ok. Podia guiar-me até ao meu dormitório? Estou um bocado cansada. E preciso de me preparar para começar com outra vida escolar. Que seca. – Dizia ela, enquanto deitava um olhar meio aborrecido, meio calado.
Achei piada o que ela disse. Queria rir-me até parar, mas não podia. E não queria mesmo. Causar má impressão à minha iniciada não constava na minha lista.
- Vais ver que a Casa da Noite não é assim tão aborrecida. Há muitas maneiras de se divertir por aqui. Temos tanta coisa que os humanos não têm. E temos uma coisa que alguns não têm – crença e amor. Enquanto alguns não crêem em nada, nós temos a nossa deusa Nyx, que nos ama como seus filhos e que nos guia durante a vida eterna. Mas agora também não vou estar com muitos rodeios, visto que queres ir descansar. Segue-me, Melissa. – Dizia eu, a levava para fora das cocheiras.
Depois limitei-me a levá-la até aos dormitórios. E durante o caminho que fazíamos até lá, nada proferimos. Mas eu já tinha criado um elo com ela. Um elo de uma possível amizade.

Blessed - 6º Capitulo


SEIS
Sean


Por que é que ela me tratara tão mal? Terá sido alguma coisa que eu disse? Ou terei feito uma figura totalmente parva à sua frente? Geralmente, eu dava-me bem com as raparigas, mas ela…não era como as outras. Era diferente. Não sabia bem explicar como, mas sentia isso. E era o que ela parecia dar a entender.
- Por que é que tu ainda não estás a ajudar a nova aluna?
Aquela voz grave e assustadora surgira dum pleno canto escuro. Era o meu irmão outra vez. Não havia ser mais chato à face da Terra.
- Eu tentei, mas ela ignorou-me. Por isso, deixei-a sozinha, porque era o que ela queria. Agora se não te importas, eu vou para as aulas. E tu não devias estar a leccionar Teatro agora ou coisa parecida?
Ignorei-o e continuei o percurso até chegar à sala de Esgrima – cuja aula era ensinada pelo Dragão Lankford. Pessoalmente achava que a Esgrima era um desporto sem alguma utilidade prática, mas ficara redondamente enganado quando um colega meu me explicara o que era ser esgrimista e o porquê de ser tão importante. Formava-nos não só com um sentido de defesa bem apurado, mas também desenvolvia-nos habilidades em nós nunca antes vistas. Assim se formavam os guerreiros vampyros antigos – coisa que me despertou completamente o interesse.
- Sean, mostra aqui à turma como se domina a arte do sabre. – Dizia o professor Lankford, enquanto me entregava o sabre. – O teu adversário já está pronto.
E então virei toda a minha concentração para aquele desafio. Vesti o fato de esgrima, pus o capacete e empunhei o sabre de acordo com a minha posição. Saudei o adversário e começamos então o duelo.
A meio do duelo, um pequeno flashback surgiu dentro da minha mente. Era sobre aquela estranha rapariga. Quando a vi, com os seus cabelos a esvoaçar ao vento…e os seus belos olhos azuis. A sua voz quando se cruzou com a minha pela primeira vez. Ela já não me saía da cabeça. Sentia-me completamente dominado por um sentimento desconhecido. Senti-me desorientado e então o adversário tocou-me e ganhou assim o seu primeiro ponto. Isto não estava mesmo a acontecer. Perdi um ponto por me ter distraído com aquela rapariga.
- Sean, o que se passou contigo há pouco? – Perguntou o professor, ainda pasmado com o ponto que eu sofrera. – Aquilo foi um erro que só um principiante podia cometer.
- Desculpe. Foi insensato da minha parte, mas consigo recuperar a vantagem. – Disse logo de seguida.
E então eu e o meu adversário retomamos o duelo, erguendo os sabres à nossa frente. Estava a ser bastante renhido. Ele tinha bastante técnica, já para não falar cada vez que eu tentava acertar-lhe, ele conseguia evitar-se mesmo à rasca. O som que ressoava na sala dava a entender que se trava uma luta dentro da escola. Até teve uma certa piada.
Após uns dez minutos, estávamos empatados. Cinco pontos para cada lado. Estávamos ambos cansados. Mas no final, consegui vencer mesmo à justa. Quando tudo parou, fui-me sentar no banco por alguns minutos, para recuperar o fôlego daquele feroz, mas excitante combate.
A rapariga continuava na minha cabeça. A ideia que eu tinha dela no princípio era bastante vaga, mas agora…eu já nem pensava sequer de forma racional. Ela deixou-me maluco. Agora só desejava deitar-me na minha cama e desfrutar de umas boas horas de descanso. Mas num pequeno canto do meu íntimo, desejava estar ao pé daquela rapariga que me deixava completamente desorientado. Sentia um forte apelo para a ajudar, não sabendo de onde vinha. Mas sabia que era a coisa certa a fazer. Porém, sentia como se uma força me atraísse para junto dela, não sabendo como ou o que é que provocara tamanha reacção.


Que Nyx vos abençoe!

Blessed - 5º Capitulo


CINCO
Melissa
Agora é que estava mesmo perdida. Enquanto continuava a percorrer os corredores, a imagem dele não me saía da cabeça. Mas por que é que isto me está logo a acontecer a mim?
Quando dei por mim, estava em frente de umas cocheiras um pouco antigas, mas em bom uso, a meu ver.
- Que estás aqui a fazer?
Uma súbita voz se estendera na minha direcção. Quando me virei, observei aquela senhora que por acaso tinha ajudado. Aquela que me ajudara a vir até este lugar. Embora não quisesse admitir, respondi:
- Desculpe…parece que me distraí e me perdi pelo caminho. Já agora, obrigada por me trazido até aqui.
- De nada, minha querida. – Disse ela, enquanto passava a mão pela madeira dos portões. – É sempre bom acolher novos alunos na Casa da Noite.
- Também este sítio é enorme, já para não falar nestas cocheiras.
- Pois são. Tu ainda não sabes o teu horário de aulas, por isso, ficas comigo até te darem um, pode ser?
Assenti com a cabeça e mesmo quando estava a passar por um monte de palha, senti um leve sopro no meu cabelo. Virei a minha cara, por poucos segundos, e reparei num cavalo forte e robusto que ali estava. Tinha o pêlo todo negro e a sua crina ainda se contrastava mais, à medida que ele se mexia.
- Vejo que o Hades já se apercebeu. – Disse ela, enquanto se aproximava mais dele e lhe oferecia uma cenoura. – Quando há comida por perto, não há quem o pare até obter o seu alimento.
Então o sopro que ele fez não tinha sido direccionado para mim, mas sim para a cenoura que aquela senhora tinha no bolso. Soltei um pequeno riso logo de seguida.
- Achaste engraçado? – Dizia ela, enquanto se ria também. – Os cavalos têm a tendência para nos deixarem assim. – O seu tom de voz mudara para um já calmo e sereno. - À nossa perspectiva, eles podem ser apenas animais, mas têm sentimentos como qualquer um de nós. Já me esquecia. Ainda não fomos devidamente apresentadas: Eu sou a professora Lenobia, mas gosto que os meus alunos me tratem apenas por Lenobia. Fica menos formal. E tu como te chamas, minha querida?
Nunca ninguém me tratara assim com tanta gentileza. Desconfiei de novo aquela atitude, mas aquela senhora parecia ser mesmo uma boa pessoa. Então proferi a minha resposta:
- Chamo-me Melissa. Melissa Blackhorn.
- Hum…Melissa. Gostei. – Dizia ela, enquanto direccionava o seu rosto para mim.
Corei durante largos minutos, mas não me importei muito com isso. Em toda a minha vida nunca conheci alguém que fosse tão alegre e bem-disposta. Fiquei mesmo surpreendida. Eu ia, com certeza, dar-me bem com aquela professora. O cheiro das cocheiras deixava-se inalar dentro de mim e por certo intervalo de tempo, senti que estava num campo que deixava transparecer a calma e a sensatez pelas suas brisas constantes.
Uma parte de mim estava felicíssima por aqui estar – talvez porque aqui nada nem ninguém me chamaria de aberração…talvez só alguns mo chamassem, mas também sempre aprendi a ignorá-los. Mas a minha outra parte sentia saudades – saudades de estar em casa. Por vezes, até sentia pena do meu progenitor. Podia até odiá-lo de morte, mas continuava na mesma a ser meu pai. Da mesma maneira que eu continuava a ser a Melissa, mesmo que isso significasse deixar para trás tudo e todos.
A minha maneira de ser nunca mudaria. Mesmo que tentasse, como é que saberia se ninguém me trataria mal? – Tanta insegurança me fazia fechar mais em relação ao resto do mundo.

Blessed - 4º Capitulo




QUATRO


Sean
Andava agora que nem maluco à procura dela. Ela podia precisar de ajuda. Algo em mim dizia que ela era especial, mas também não soube interpretar muito bem aquela súbita mensagem. Passava agora pela sala onde Neferet dava aulas. Apesar de ser quartanista, nunca gostei daquela professora. Emanava uma aura maligna em seu redor. Por vezes, fizera-me tremer de medo. Mas todos já tinham percebido isso.
- O que fazes tu aqui?
Vira o meu irmão mesmo ali à frente. O que significava sarilhos para mim.
- Eu…estava à procura da nova aluna.
- O quê? Tu deixaste-a sozinha a deambular pelos cantos? – O tom de voz que usara agora até me fez mais arrepios do que o normal. Quando ele se chateava mesmo a sério, isto era o menor dos meus problemas.
- Ela entrou sozinha. E nem sequer me olhou. E não pareceu precisar de ajuda. Mas agora compreendo o meu erro e vou tentar remediá-lo.
Despedindo-me dele, continuei à procura dela por todos os cantos e recantos da escola. Ela sabia desaparecer mesmo bem. Quando já estava prestes a desistir, vi-a mesmo ali…sentada ao pé de uma árvore seca e negra.
- Ei. Estás bem?
A sua cara olhou de relance para a minha e o meu coração começou a bater descompassadamente. Mas que tipo de efeitos é que esta rapariga me está a causar?
- Claro. Agora vai-te embora. Quero ficar sozinha ou ainda não percebeste? – A sua voz era completamente azeda e fria, mas ao mesmo tempo, induzia em mim um tipo de sentimento que me era completamente desconhecido.
- Desculpa se te incomodei. Enquanto estiveres aqui, conta comigo para o que precisares. Qualquer dúvida que tenhas ou assim, vem falar comigo.
De repente, levantou-se e pronunciou:
- Mas que tipo de confianças é que são essas? Se eu quisesse alguma coisa, dizia. Mas como não é o caso, desaparece!
A sua voz fez parecer que ela tinha criado uma barreira. Mas fiz o que ela me pedira, deixei-a sozinha. Comecei então a dirigir-me para a aula que teria a seguir. Mas algo me suscitava uma dor enorme. Parecia que ao afastar-me dela, a dor começava a aumentar. Eu realmente não sei o que se passa comigo. Ela era diferente. Será que era isso que a tornava…especial? Mas o que é que eu estou a pensar? Ela não me quer ver à sua frente.
Levantei um leve suspiro e continuei a seguir caminho, ainda a pensar nela.

Melissa
Tinha logo de me vir chatear aquele rapaz. Mas no que é que ele estava a pensar? Talvez estivesse a gozar comigo só para ver a minha reacção…talvez estivesse a aprontar alguma contra mim…
Mas por que é que eu não consigo de deixar de pensar nele?
Tinha de arranjar alguma maneira de me abstrair dele. Levantei-me do sítio onde permanecera sentada e comecei a explorar as enormes divisórias que dividiam ou poderiam dividir aquele lugar que seria a minha nova casa. Os corredores eram enormes, já para não falar das salas de aula. Fiquei surpreendida, no entanto, mantive sempre a minha postura de resignação e continuei a explorar.
Continuava a pensar nele. Mas por que é que ele não me saía da cabeça? Será que ele me tinha lançado um feitiço ou algo do género? Mas magia era coisa que não existia – nisso eu acreditava profundamente. Aquilo que recordava melhor eram os seus olhos azuis e ternos a olhar para mim.
Aquelas estranhas, e ao mesmo tempo encantadoras, memórias fizeram-me esboçar um sorriso. Não sabia bem o que fizera, mas tinha que admitir: o rapaz era giro.


Comentem que o Vitor agradece.
Que Nyx vos abençoe!

Blessed - 3º Capitulo


Methalia


Agora que já tinha marcado o meu outro eu, tinha de começar a realizar os preparativos para ela revelar a afinidade que lhe conferi desde que a Marquei. Deambulava de um lado para o outro na varanda do palácio das Sombras, onde eu regia como soberana do mundo dos Mortos, sempre a pensar nalguma ideia mas nada vinha ao de cima. Começava já a ficar aborrecida e impaciente. Que a morte recaia sobre a minha irmã Nyx, que me encarcerou aqui, para que nunca mais possa viver.Embora ela fosse a própria personificação da Noite, eu sou a personificação das Trevas. Eu tinha claramente mais poder. Ódio, rancor, amargura, desprezo…eu nem sei sequer que mais pensar dela, a não ser que tinha de destruir a sua sacerdotisa.

- Minha Rainha, que se passa convosco? – Aquela voz repentina que surgira do nada viera até mim e o seu corpo fez-se clarear. - Nada, Loren. – Respondi a seguir, ainda com tom de frustrada. – Em breve, sairei deste lugar hediondo e poderei levar a escuridão eterna ao mundo da superfície, onde os filhos da minha irmã caminham alegremente.

- Compreendo, sua Alteza. Mas… - Ele continuou a caminhar até chegar suficientemente perto e solicitar uma das minhas mãos, beijando-as e acariciando-as suavemente. – Será que poderei ir consigo? Eu conheço melhor o mundo actual. Aliás, também tenho a minha vingança contra o Povo da Fé. Por me terem morto. Mas eles nem sabem o que lhes espera.

- Concordo severamente contigo. Precisamos de mostrar ao mundo quem nós realmente somos. A minha vingança por ter estado aqui fechada vai ser finalmente executada. A minha irmã apenas me selou aqui…no mundo dos Mortos, porque temia o meu poder. Tinha medo que eu me descontrolasse e que perdesse o equilíbrio da própria Natureza.

Desta vez, os seus braços subiram até à zona da minha cintura. Ele fez-se aconchegar naquele íntimo que nos separava e quando finalmente parou, ele selou os seus lábios nos meus. Achei realmente que ele podia estar a brincar comigo, mas não fora isso que senti. Ele queria mesmo fazer aquilo...queria mesmo beijar-me…

Eu nunca soube o que era amar. Não tive oportunidade de dar largos ao conhecimento que eu tinha do mundo em si. Eu tinha um controlo sobre as Trevas e elas tinham um controlo sobre mim. Parecia que estávamos em plena sintonia. Ela selou-me pouco tempo depois de descobrir que eu possuía as Trevas na sua totalidade. Passado muito tempo, fui observando as almas dos mortos a chegar e a caminhar para o que a vida eterna lhes reservara. Os que haviam cometido enormíssimos pecados ficavam a servir-me. Foi assim que conhecera Loren. Ele parecia uma alma renegada por tudo e por todos. Até pela Neferet, a quem eu confiara uma parte dos meus poderes, tinha negado ouvir mais a minha irmã e desde então, começou a ouvir-me a mim. Eu sentia-me poderosa ao pactuar com ela. À medida que o tempo escasseava, ela foi também deixando de me ouvir, acabando por querer também o controlo sobre o mundo, tanto dos vivos, como dos mortos.

Mas agora eu sabia o que me ligava a Loren – Um ódio semelhante ao meu e um total desprezo pelas pessoas. Amor poderia até existir entre nós. Afinal, eu precisava de alguém a meu lado para quando reinasse. Sem mais demoras, retribuí aquele beijo ofegante, que me fizera perder o controlo sobre mim mesma.

Ele pegara em mim e levara-me de novo para dentro do palácio. Pousou-me gentilmente sobre a cama que havia dentro do meu quarto e retirava cuidadosamente as roupas que eu tinha vestido. A vontade que ele tinha finalmente ganhou força dentro de mim. Comecei também a retirar-lhe a camisola que trazia vestida.

- Minha Rainha… - Os seus gemidos tornavam-se cada vez mais aliciantes e uma vontade grotesca em mim nasceu. Os seus beijos tornavam-se cada vez mais ofegantes e cada vez mais frequentes, começando a percorrer todo o meu corpo.

- Loren…Tu agora fazes parte de Methalia…fazes parte de mim.

Após lhe ter ditado a mensagem que há muito guardara naquele pequeno espaço, ele voltou a selar os seus lábios nos meus. Aqueles sedentos lábios, combinados de paixão e ódio – algo que me fazia querê-lo muito mais daquilo que eu imaginava.

- Iremos ter a nossa vingança contra o mundo dos vivos. – Disse ele, enquanto a sua voz fluía pelos meus ouvidos. – Voltaremos a caminhar sobre a terra e teremos aquilo que desejamos há muito tempo. Governaremos em ambos os mundos. Mas agora deixemo-nos desfrutar este momento.

- É verdade. Mas uma parte de mim reencarnou no outro mundo. Partiu para a Casa da Noite, em Tulsa. Onde tu leccionaste aulas de poesia, creio.

- Isso é bom saber. Marcaste-a?

- Sabes bem que sim. Preciso que o meu outro eu se una a mim. Duas pessoas são melhores que uma, certo?

Enquanto me beijava sedutoramente o pescoço, pude ouvi-lo sussurrar:

- Que tal três pessoas?

Sentia-me mesmo dominada por um morto. E não parecia mesmo mau de todo. Estendi um dedo na sua testa e Marquei-o como meu…para toda a eternidade. Ele gemeu um pouco, devido à dor. Mas pouco tempo depois, recuperou a consciência e retomou os seus longos e carinhosos beijos na minha barriga. Com o mesmo dedo que usara para o Marcar, arranhei o meu braço e disse-lhe:

- Bebe e sê eternamente meu.

Ele assentiu com a cabeça e comecei a sentir o aliciante toque da sua língua a devorar aquela linha escarlate que eu perfurar no meu próprio braço. De seguida, ele estendeu o seu e perfurou-o também e a minha língua seguiu o percurso que o sangue morto traçava, à medida que escorria.
Numa noite de puro amor e ódio conjugados, estávamos finalmente decididos. Iríamos proclamar o que era nosso por direito. Iríamos ter a nossa vingança.


Que Nyx vos abençoe

Blessed - 2º Capitulo, Parte 2


Aquela beleza incandescente mal se podia descrever. Eu estava realmente fora de mim. E só a vi há instantes. Como é que podia ser? Estaria eu enfeitiçado de alguma forma? Sinceramente, eu não sei como é que me tinha deixado apanhar tão facilmente. Nem sequer pude causar uma boa impressão. Agora sinto-me ridículo. Um completo zero à esquerda. Decidi voltar à realidade, porque depois não estava mesmo para aturar as queixas da professora Lenobia.

Tinha acabado de chegar às cocheiras e pousei os sacos à porta. De repente, senti algo a encostar-se ao meu ombro. Virei-me e vi que era aquele cavalo que me tinha chamado à atenção no primeiro dia em que tinha chegado aqui…a este sítio.

O nome dele era Hades. Não sabia muito bem porque a professora havia escolhido semelhante nome, mas também não liguei muito. O que importava mesmo era o cavalo e não o nome. Ele retinha ainda aquele escuro pêlo na sua crina – o que era bastante giro. Os seus olhos reflectiam uma aura de alegria e serenidade. Estar à sua beira causava-me uma onda de tranquilidade.

- Hoje estás cheio de mimo. - Disse-lhe eu.

Quando lhe disse aquilo, Hades limitou-se a confortar-se no meu ombro e logo repousou durante poucos segundos.

- Estás mesmo cansado, amigo. – Passei a minha mão esquerda levemente pela sua crina.

- Ele conseguiu mesmo afeiçoar-se a ti, Sean.

Aquela voz que me tinha comunicado semelhante frase fez-se olhar. Era a professora Lenobia.

- Eu sei. Os cavalos são mesmo queridos. Pelo menos, é o que eu acho.

Ela olhou-me com uma expressão de admiração. Senti como se estivesse a ser julgado perante um tribunal.

- Não sabia que gostavas assim tanto de cavalos. Os jovens de hoje tendem a virar-se mais para a tecnologia em vez de explorar o que o mundo tem para nos oferecer.

Agora eu é que tinha ficado admirado. Mas não havia razão para tal, visto que ela era uma das professoras mais respeitadas na Casa da Noite.

- Concordo, mas pelo menos alguns têm o bom senso e apercebem-se do que estão a perder. – Nem sabia bem o que estava para ali a dizer, mas só conseguia inventar, acima de tudo conseguia sentir aquilo que acabara de proferir. – Professora, agora tenho de ir. Aquela rapariga precisa de alguém que…a oriente nos seus primeiros dias.

- Muito bem. Vai lá e dá-lhe os meus cumprimentos.

Assim que finalizamos a conversa, levei o Hades para o seu cantinho preferido na cocheira. Depois saí pela porta principal e despedi-me da Lenobia com um simples aceno. Dirigi-me então até ao edifício da escola, na esperança de a encontrar. Até já estava a pensar no que iria dizer. Nem sei como me sentia tão nervoso. Era uma simples rapariga. Uma rapariga que me fizera sentir estranho logo quando a conheci.

Comentem o Vitor gente xD

Que Nyx vos abençoe!

Blessed - 2º Capítulo, Parte 1



DOIS – PARTE I


Sean

Apesar de estar tudo silencioso e calmo, por vezes desejava que acontecesse algo que mudasse o ambiente deste sítio. Algo que, enfim, desse um pouco de agitação. Algo…

- Sean? Acorda, meu. – Disse o Erik, estalando os dedos à frente dos meus olhos.

Foi impossível não notar. Ele consegue ser mesmo chato.

- O que foi? – Disse-lhe eu, enquanto tomava uma postura meio cansada.

- Por acaso, ouviste o que eu disse? Eu nem sei sequer por que é que estou a perder o meu tempo aqui contigo. A nova aluna que foi Marcada chega daqui a nada e quero que tu a ajudes a ambientar-se ao seu novo lar, percebeste?

Eu nem hesitei em responder: “Sim, professor Night.”

Comecei a notar que ele ficava um pouco convencido e adoptando uma postura um pouco orgulhosa demais, disse-me:

- Gosto disso. Vai lá ver se a professora Lenobia e a nova aluna já chegaram.

Reajustando a minha posição, comecei a caminhar por entre aqueles corredores até chegar à entrada da Casa da Noite. Um carro começava a atravessar os portões e reparei na professora que estava no lugar de condutor. Mas no que notei mais foi na aluna nova que estava sentada no lado oposto ao do da professora. Era realmente espantosa, mas não no sentido negativo. A sua Marca era totalmente negra. Algo que me suscitou um leve arrepio no corpo, mas a sua beleza deixava-se transparecer pelo cabelo, quando esta saiu do carro. Uma leve brisa levantou aqueles cabelos castanhos e finalmente reparei nos seus olhos. Estes eram revestidos de uma cor imprescindível: um azul da cor do mar, combinado com um tom de branco que quase não se notava.

Ela parecia ter ar de poucos amigos, mas isso em breve iria mudar. Isto porque eu tinha o dever de ajudá-la a integrar-se.

- Sean, vem cá ajudar-me. – Pediu a professora Lenobia, abrindo a mala do carro e tentando levantar uns sacos da mala do carro. – Estes sacos não se carregam sozinhos, sabes?

Encolhi os ombros e lá a ajudei, continuando a olhar de relance para a rapariga misteriosa que ficara de braços cruzados e a levar a sua mala em direcção à entrada do edifício.

- Mas o que é que ela tem? – Perguntei eu, dirigindo o meu olhar para a professora.

- Não te preocupes com ela, Sean. E vê se tomas atenção ao que estás a fazer. Se os cavalos ficarem com a comida estragada, obrigo-te a trabalhar nas cocheiras, ouviste? E leva esses sacos para lá, já! Agora!

Fiquei bastante perplexo com o que ela havia dito, mas eu tinha de aceitar esse facto. Ela é como aquelas pessoas da autoridade, não se pode desobedecer a elas, mesmo que quiséssemos.
Peguei em mais de metade dos sacos e dirigi-me então até às cocheiras, mantendo na cabeça a imagem daquela esbelta rapariga que tinha os olhos mais bonitos que eu já havia visto em toda a minha vida.

Blessed - 1º Capítulo

Olá Filhos e Filhas das Trevas!

Hoje vamos postar o primeiro capítulo da fanfic do Victor, Blessed, e começará a ser postado um capítulo novo todos os Domingos às 19h. Espero que gostem!



Blessed - 1º Capítulo

Melissa

Agora que fui Marcada, só há um lugar para onde tenho de ir: para a Casa da Noite. Muitos dizem que aquele sítio está cheio de criaturas horrendas, outros dizem que está inundado de monstros. Nunca liguei muito a boatos, mas agora que aconteceu o que aconteceu, se calhar eles até podiam ter alguma pontinha de verdade. A primeira coisa que fiz foi pegar numa mala que estava dentro duma mala que estava ao pé do armário. Parecia um pouco gasta, mas era o que havia. Peguei em meia dúzia de roupas e coisas minhas e guardei-as de seguida. Fechei as janelas do meu quarto e com uma mão, peguei na mala e comecei a descer as escadas.

Nem sequer me dei ao trabalho de deixar um papel ou algo a dizer onde estava, pois sabia muito bem que o meu pai não quereria saber. Só quando algo lhe interessa, é que ele se mexe.

Dispensando aqueles pensamentos da minha mente, abri a porta de casa e saí, atirando as minhas chaves para cima do sofá. Virei-me e comecei a minha longa caminhada para enfrentar o que o destino me reservara. Apesar de ter deixado o lugar que havia sido o meu lar durante muitos anos, não deixei de sentir uma dor no peito, o que me fez derramar umas poucas lágrimas de tristeza e saudade.


Mas por que é que me sinto assim?

À mente vieram-me os tempos em que o meu pai era simpático e protector. Sim, é verdade. Ele era assim, mas depois começou a mudar de forma inesperada. Vinha para casa bêbado, começava sempre aos berros por tudo e por nada e as chamadas vindas do seu trabalho continuavam sem cessar até que por fim atendi uma e lá me consegui ouvir qualquer coisa sobre uma luta qualquer no escritório. Quando fui falar com ele, ele nunca se dava ao trabalho de me dizer fosse o que fosse. Foi então que me começou a ignorar…por vezes a tentar evitar-me.

Tenho de deixar estes pensamentos de lado. Mesmo que abdicasse a minha vida, não fazia qualquer diferença. Estando sozinha até me faz ver como as pessoas realmente são, quando tentam não mostrar a sua face oculta.

Quando fora a virar uma esquina, fui mesmo de encontrão com uma senhora e pelos vistos, os sacos que ela trazia caíram. Estava mesmo para não ajudar, mas se tentasse mudar um pouco as minhas acções, talvez mas só talvez a sorte me viesse bater à porta. Recolhi todos os sacos que pudera e então disse à senhora:

- Peço desculpa. Não via por onde ia.

Ela apenas desenhou um sorriso engraçado na sua face e respondeu-me:

- Não faz mal. Por vezes, também consigo ser um pouco azelha. – Desviou a sua atenção para fixar o seu olhar na minha testa. – Isso que tens aí…é uma Marca?

Agora tinha mesmo ficado sem palavras, mas também não o iria negar.

- Pois…sim. Mas como é que…

Antes que eu pudesse continuar, a senhora cortou-me a fala, continuando:

- Sei? Porque sou uma professora. Da Casa da Noite, para ser mais exacta. De certo que não deves saber o caminho, pois não?

Apesar de não o saber, não queria mesmo ficar mal. Ainda por cima, perante uma professora.

- Não, senhora. Estou há duas horas a tentar encontrar esse sítio, mas como encontrar uma agulha num palheiro.

- És engraçada, criança. – Dizia ela, enquanto se ria. – Anda que eu levo-te lá. De qualquer maneira se não me despacho, aqueles seres maravilhosos não vão poder ter uma boa refeição.

Mas de que seres é que esta está para aqui a falar? Agora estou confusa.

- Não te preocupes com nada e segue-me.

Apesar de não ter a certeza do que seria a minha vida daqui para a frente, duma coisa estava certa: esta professora até não parecia má de todo, apesar de só a ter conhecido há poucos minutos. E eu a pensar que não podia acontecer nada mais estranho.

Apesar de duvidar da sua palavra, algo me dizia para a seguir. Continuamos a caminhar até chegarmos ao seu carro. Entrei por uma das portas e lá fiquei sentada até ela entrar e se sentar no lugar do condutor. Meteu as chaves na ignição e então começamos a tomar rumo ao desconhecido e intocável lugar que provavelmente seria a minha nova casa. Mas como é que lhe poderia chamar isso sequer?

- Estás bem? – Perguntou a professora, olhando de relance para mim, com um olhar um pouco e tanto preocupante. – Sentes-te bem?

- Sim, mas… - Inspirei bem fundo para reflectir no que iria dizer a seguir. – Porque é que me ajudou, se nem sequer me conhece?

Desta vez olhei directamente nos seus olhos, para que ela me desse uma resposta. Ela simplesmente olhou para a frente e continuou a conduzir, dizendo:

- Todos os seres necessitam de uma ajuda. Ninguém merece estar a vaguear por este mundo sozinho, ou neste caso sozinha, não achas?

Eu ficara meramente impressionada, porque nunca ninguém me tratara assim com tanto respeito…pelo menos, desde que eu me lembro, isso é certo.

Então tinha encontrado, pela primeira vez, uma óptima companhia com quem me iria dar bem naquele sítio que todos diziam ser horrível e rodeado de criaturas menosprezáveis.

Que Nyx vos abençoe!

Fanfic Blessed: Personagens

Olá pessoal, deixo aqui mais um post para vos deixar mais curiosos sobre a Fanfic Blessed. Eheh Recordo que isto é uma continuação de Escolhida inteiramente criada pelo Vitor.


Melissa Blackhorn – Melissa é uma pessoa muito reservada, pelo que quando chega à Casa da Noite, afasta-se de toda a gente e tenta não ser o centro das atenções. Mas duas coisas irão mudar a sua vida:o amor, quando conhece Sean, porém não admite os seus sentimentos; e a misteriosa afinidade com as Trevas que se revela pouco depois do Ritual da Meia-Noite.

Livros Favoritos – Todos do Harry Potter
Programas de TV – American Idols e MTV
Filmes – Van Helsing e a Lenda do Cavaleiro sem Cabeça (onde entra o Johnny Depp)
Músicas – The Muse, Paramore
Melhor Amiga – Melody e Zoey
Paixoneta por uma estrela de cinema - Jensen Ackles


Sean Night – Ele é uma pessoa divertida e sempre bem-disposta. É o irmão mais novo de Erik. Quando ele conhece a Melissa, ele fica perdidamente apaixonado por ela, acabando por conseguir ajudá-la em todos os problemas em que está metida. Passado pouco tempo, Sean e Melissa começam a namorar.

Livros Favoritos – Edgar Allan Poe e tudo de Shakespeare
Filmes – Matrix e todos do X-Men
Músicas – Pop e Rock
Melhor Amigo – Erik Night
Paixoneta por uma estrela de cinema – Taylor Swift

Blessed


Prólogo


Melissa

Tudo se envolve no escuro. A luz será consumida pelas trevas, independentemente do que possa acontecer. Só vejo negro e negro à minha volta. Por vezes, venerava a morte, para que finalmente pudesse ter descanso. A minha vida deu uma grande reviravolta quando mudei o meu estilo para gótico. Foi uma escolha um pouco estranha, mas era o que eu queria. Não pretendia chamar a atenção de ninguém, só queria estar só. Sempre vivi assim...sem amigos...sem ninguém com quem falar...uma vida que podia ser completamente descartada. Às vezes, quando me olhava ao espelho, perguntava sempre por que é que eu existia. Sou apenas uma pessoa a mais que não merece viver, após ter tido sérios problemas com a Polícia. Tudo em mim não fazia sentido, pois não conseguia com que alguém se aproximasse de mim. Essa foi uma das razões que me levou a transformar o meu “eu” num novo ser, mas a principal razão foi o meu pai. Andava sempre a ignorar-me, nunca falava comigo, andava sempre de um lado para o outro em viagens e ficava eu novamente sozinha...condenada a viver assim miseravelmente para o resto dos meus dias.
Gostava que algo mudasse,por instantes segundos, desejara que o próprio mundo onde eu vivia desaparecesse e se isso significasse que eu também poderia ser uma vítima, por mim tudo bem.
Sentia sempre uma dor profundamente agoniante no peito. Não era doença, isso é certo. Sentia que algo me faltava...algo para me completar.
Precisava de arranjar um objectivo, algo que me fizesse bem. Por isso, comecei a entrar no ramo da música. Comecei a tocar uns acordes na minha guitarra e foi assim que me tornei um pouco conhecida na minha cidade. Toquei várias vezes para um bar de um conhecido do meu pai, visto que fora obrigada a fazê-lo. Eu não ligava muito à fama. Não queria ser conhecida, queria apenas tocar e cantar para me sentir bem comigo própria, mas tudo o que me saía eram sempre melodias tristes.
Hoje era 13 de Março. O dia começava já num alvoroço, visto que estava já a anoitecer. Muitos carros na rua a fazer os habituais sons ensurdecedores, as pessoas a gritarem umas com as outras. Esperava que hoje o meu pai me visse, afinal era o meu dia de anos, completaria 16 anos. Como sempre, tinha o dia totalmente por minha conta. Família não tinha, se é que se pode chamar isso ao reles ser que me ignorava sempre e que nem sequer se dignava a deitar-me um olhar.
Durante duas horas preparara um pequeno bolo para mim, para ao menos ter algo que representasse o meu aniversário. Após isso, coloquei as minhas pulseiras, vesti-me e fui fazer mais uma tatuagem, mas desta vez no braço direito. Escolhi algo entre ramos negros de oliveira e garras penetrantes, mas no final acabou por me ficar perfeitamente aceitável.
Estava no meu quarto, dando voltas e mais voltas, sem saber o que fazer. Liguei um pouco a televisão e deleitei-me na minha cama, a ver os “American Idols”.
- Estes júris não arranjam ninguém melhor? Parecem todos uns completos ignorantes!
Desligando a televisão, enfiei-me por debaixo dos lençóis e encostei a minha cabeça à almofada e pouco a pouco, comecei a adormecer, deixando a realidade para trás para voltar ao mundo que eu havia criado. Parecia tudo tão negro e profundamente morto. Algo que por um lado me agradara, mas que por outro me provocara um enorme arrepio. Um estranho nevoeiro cerrado cercava os bosques da minha mente, fazendo um vulto negro aparecer à minha frente. Este estranho ser sussurrava umas frases assustadoras, depois dirigiu a mim, dizendo:
- Olá, minha cara...
Não sabia bem o que dizer, visto que nada igual me tinha aparecido assim nos sonhos. Inspirei fundo e então respondi:
- Olá...porque veio ter comigo?
- Venho apenas dar-te um presente. Digamos que é para celebrar o teu, como dizem os mortais, aniversário.
Começou a aproximar-se cada vez mais e um dos seus braços começara a elevar-se na minha direcção e com um dedo, tocara na minha testa, deixando-me completamente paralisada.
- Calma...isto não vai doer nada...
Uma dor exuberante começou a nascer na minha cabeça. Não sabia como, mas aquilo parecia tão real...
- Daqui para a frente, marco-te como minha.
- AHHHHHH.....

Quando tinha reparado, os meus olhos tinham aberto e um grande medo assombrava o meu corpo. Aquele sonho era mesmo macabro. Quando passei a mão pela minha cabeça, notara que havia algo de diferente. Então rapidamente me levantei e acendi a luz do meu quarto e observei-me atentamente ao espelho. Enquanto levantava alguns fios de cabelo, descobria uma estranha marca a cobrir uma pequena parte da minha testa: um quarto crescente negro virado ao contrário.
Então lembrei-me do que o vulto dissera: Daqui para a frente, marco-te como minha...
Aquilo tinha mesmo acontecido. Não tinha sido um sonho, mas um pesadelo. Um pesadelo do qual nunca haveria de acordar.




Vitor