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Abandoned: Imprevistos

Olá pessoal!
29º capítulo aqui!!!
Já sabem: comentem, a Tina agradece!


Abandoned
29º Capítulo


-Tu vens? –perguntei, surpreendida.
-Pensava que era isso que tínhamos decidido isso, lembras-te? –Pois, mas eu pensava que ela não vinha…- Agora, estamos perder tempo, temos que ir, vieste preparada ou nem por isso?
-Não… -murmurei, olhava para os lados, feita parva, decidida a não a fitar.
Suspirou (juro que se ouvisse mais um suspiro naquele dia matava alguém –OK, a maioria dos suspiros tinham sido meus…)
-Então vai preparar-te, encontramo-nos junto do alçapão daqui a meia hora!
-OK –depois o meu estômago revirou-se –Mas… assim faltamos ao ritual em honra de Nyx…
Ela virou-se para trás, pois já começara a andar.
-Pois faltamos –afirmou, com simplicidade.
-Achas que devemos faltar? Quer dizer, é um ritual importante, arrisco-me a faltar ao meu primeiro?
-Procura dentro de ti –disse ela, sarcástica, mas depois a voz voltou ao normal –A sério, revista a tua cabeça, encontras a resposta.
Virou-se e continuou, em passo apressado.
Girei nos calcanhares e corri até ao dormitório, consciente do que íamos fazer naquela noite. A adrenalina e o medo já corriam nas minhas veias, que latejavam ao triplo da velocidade. Olhei em volta e verifiquei que a noite estava calma, -fria, sem vento ou chuva, e a pouca neve que havia tinha derretido – o que me surpreendeu, devido ao frenesim dentro de mim, que me fizera pensar que estava a chegar um tornado.
Em menos de um minuto já estava no dormitório.
Subi pesadamente as escadas até ao meu (nosso) quarto, sentei-me na cama e comecei a despir-me.
Obviamente que não ia levar uma gabardine tão frágil (e tão gira) para aqueles túneis imundos, e botas de salto alto não eram a minha ideia de sapatos ideais para correr, por isso despi-me, pus uma camisola simples preta e umas calças de ganga confortáveis (e que não me impediriam de correr pela vida), calcei umas botas praticas mas quentes (nem pensar em levar pumas lá para fora, se não quisesse ficar com os pés encharcados) e vesti um casaco qualquer. Prendi o cabelo com um elástico, fiz uma prece rápida a Nyx e preparei-me para sair.
Dei três passos e voltei para trás, com uma ideia tentadora (e algo perversa) na cabeça.
Abri a minha gaveta, e tirei o pequeno frasco.
O liquido vermelho brilho dentro das paredes de vidro, juntamente com as pequenas nuvens de prata.
O frasco já provara ser mais resistente do que os meus olhos pensaram, e duvidava que Nyx me tivesse dado algo tão valioso como aquilo dentro de um frasco quebradiço qualquer. Naquele momento, soube que não se partiria nunca, e soube também que não haveria qualquer mal em faltar ao ritual. Nyx estaria a apoiar-me.
Sorvi uma gota de liquido, que explodiu e me deliciou –embora sem me provocar um desejo escaldante de ter mais daquilo (e não só…). Era uma das muitas propriedades daquele sangue –maravilhoso e reconfortante, mas não algo viciante que eu tinha de ter.
Algo em cima da minha cama tremeu.
Corri para ir buscar o telemóvel, que deixara no bolso das calças que tirara (não ia propriamente falar ao telemóvel com a minha avó quando estivesse a combater mortos-vivos taradinhos ansiosos por me chuparem o sangue até eu estar mesmo bem sequinha) e retirei-o.
Abri o telemóvel giro que me tinham oferecido à três meses (o meu antigo caíra no lava-louças cheio… Um fim triste para um telemóvel que tinha caído mais de cinquenta vezes, ido à maquina três e até tinha sido roubado pelo cão da minha vizinha….) e atendi, sem sequer ver quem era –obviamente que não me teria valido de muito ter visto, porque não tinha aquele contacto… E não fazia a mínima como é que ela arranjara o meu.
-Zoey?
-Afrodite?
-Mudança de planos, encontramo-nos nos estábulos.
-OK.
-Despacha-te, já ai estás à quinze minutos!
-Deste-me meia hora –lembrei.
-Pois, mas chegares antes disso não te ficava nada mal! –e desligou o telemóvel.
“Atrasada mental” reclamei.
Já estava a sair do dormitório (outra vez) quando fui (novamente) obrigada a recuar.
-Alisha?
-Eu vou contigo.
-Hum?
-Eu sei onde vais.
-De que é que estás a falar? –interroguei, embora me apetecesse mais perguntar algo do género “Como é que descobris-te?”
-Porque estás a abandonar a festa uma hora antes do ritual, tu nunca farias isso.
-Eu tive de vir buscar uma coisa!
-E também tiveste de mudar de roupa?
-Vou buscar uma coisa a casa da minha avó –ela alugara uma casa ali perto, para poderemos estar juntas.
-Zoey… -murmurou.
Raios me partam! Como é que resolvia aquilo? Levá-la connosco era deixa-la saber tudo e coloca-la em perigo (fora de questão) mas deixa-la seria o mesmo que mandar uma carta a Neferet a dizer que nos íamos pisgar, e creio que ela percebia a mensagem. Merda, porque raio é que não se limitara a ficar colada a Luke?
-Por favor Zoey, eu amava-o. –Estava a referir-se, claro, a Chris, que fora brutalmente assassinado pelos tarados malcheirosos três vezes malditos mortos-vivos de um raio, (excluído Stevie Rae, que era apenas malcheirosa e um bocado tarada) e que era ex-namorado dela.
-Eu sei. Lamento pela tua perda.
-Então levas-me contigo? –o rosto dela iluminou-se.
-Para vir buscar as flores da minha avó? –perguntei, fingindo-me confusa. Alisha colocou uma expressão de magoa tão grande que, por um segundo, me apeteceu leve-la comigo, mas dei um safanão a mim mesma e prossegui – É melhor voltares para a festa, aposto que o Luke está à tua espera.
-Pois…-murmurou –Até já Zoey.
Afastou-se abatida.
Só tornei a respirar quando ouvi a porta lá em baixo bater.
Depois disso apressei-me a pôr o frasco no bolso e a descer rapidamente para a cozinha –tinha de beber uma cola (que não fosse de dieta) antes de ir.
Abri a lata e sorvi meia quase de uma vez, depois sai, correndo em direcção aos estábulos.
Esperava ver Afrodite a bater o pé e a queixar-se que eu demorara vinte e sete minutos e quarenta e nove segundos, e já pensava na resposta que lhe daria quando ouvi relinchos, imensos relinchos.
Corri rapidamente para lá, deixei a cola na primeira superfície que vi e acorri para as boxes, onde estavam os cavalos, todos um pouco nervosos.
Olhei para os lados, tentando identificar qual a boxe da qual vinham os gemidos de dor, e verifiquei, apavorada, que eram de Perséfone.
Cheguei para ver que Afrodite estava lá, aflitíssima, a tentar acalmar a égua que se ia deitar naquele momento.
-Não a deixes fazer isso!! –berrei-lhe, com toda a força. Sabia o que é que ela tinha. Tinha cólicas, umas horríveis dores naqueles intestinos que deveriam ter um tamanho colossal, se se deita-se, provavelmente morreria de dores –é verdade, os cavalos são uns picuinhas.
-O que é que fazemos? –perguntou, com uma expressão de pânico. Era evidente que não fazia a mais pálida ideia do que se passava.
-Vou telefonar a Lenóbia.
-Estás maluca? Assim toda a gente vai saber que estamos nos estábulos! Vais dizer-lhe que vieste aqui dez minutos antes do ritual para os montar?
-Não, vou pedir-lhe que corra e que não fale com ninguém, Neferet deve estar a preparar o ritual e não vai saber. Por enquanto.
Dirigi-me ao telefone grande que se encontrava à porta do estabulo (ao lado da minha cola) e marquei o numero de Lenobia, que estava escrito na folha colada à própria mesa, juntamente com outros números de emergência.
-Estou?
-Professora Lenobia?
-Ah, Zoey, és tu! Faltam dez minutos para o ritual, o que raio estás a fazer nos estábulos?
-É a Perséfone, tem que vir, rápido.
Deve ter percebido, pela minha voz e pelos relinchos que algo não estava bem.
-Vou já para ai.
-E não diga a ninguém, ninguém mesmo!
-Mas Zoey, porque é que…?
-Só não o faça!
E desliguei o telemóvel. Regressei para o pé de Afrodite.
-O melhor era fazê-la mexer, mas não temos tempo, Lenobia está aqui não tarda. Tens que me ajudar a encher a boxe, se a encher-mos muito ela não vai poder deitar-se.
-OK.
Fizemos aquilo rapidamente.
-E agora, como é que vamos? Não temos cavalo e não acredito que estas pilhas de nervos sejam boas para ser montadas. Eu nunca me pus em cima de um desses bichos, não quero cair da primeira vez.
-Então ajuda-me, vai buscar uma manta.
Ela ergueu as sobrancelhas perfeitas, em jeito de pergunta.
-Deixa. Eu vou. Vai até à sala de Lenobia, vamos na Gingret.




(Próximo capítulo: terça-feira)

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