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Fanfic: Unprotected - 2º Capitulo

Capítulo 2

Savanna Miller – E se me deixassem morrer de uma vez?

“Merda da dor de cabeça!
Merda da dor de costas!
Merda da dor de… Hum?” Foi o único pensamento que me ocorreu. Doía-me o corpo e a cabeça, mas não havia nem uma sombra da dor de pulmões.
Mas onde raio é que eu estava deitada? As camas de hospital costumam ser confortáveis… Ou seria aquilo uma cama na Morgue? – e depois lembrei-me: Ah! Eu estava morta! Pois é, estou sempre a esquecer-me destes pormenores insignificantes.
Abri os olhos. Tinha uma certa expectativa em relação ao que iria encontrar… E eu iria adorar se estivesse dentro de uma casinha minúscula, com um belo bife acabadinho de fazer e um pacote de batatas fritas… E um rapaz. Um rapaz tão giro como Bernard, mas com corpo de atleta, cabelo loiro, olhos azuis e muito, muuito, querido… O que é? Estava morta, qual o problema de criar aquele tipo de expectativa?
No entanto, fiquei ligeiramente frustrada quando abri os olhos… Ok, muuuito frustrada.
Alguém me tinha enfiado num beco sujo e em mau estado, muito apertado e entre duas grandes casas.
Bem, tal como a morte era uma treta, o paraíso era uma treta… E eu não merecia o Inferno… Ponto.
Levantei-me, estranhando a facilidade que tinha em erguer o meu corpo, outrora demasiado frágil para se poder erguer sozinho… Um ponto para o pós-vida.
Massajei a testa dorida enquanto percorria o beco escuro… Oh, alguém ia pagar-mas pelo que me tinham obrigado a fazer!
A noite lá fora estava calma, com uma leve brisa a murmurar aos meus ouvidos… No entanto, a cidade não parecia estar.
Janelas partidas, parapeitos e varandas destruídas, caixotes do lixo derrubados, estradas esburacadas… E mais, muito, muito mais.
E não era só: toda a localidade exalava um cheiro adocicado e enjoativo a carne podre… Mas eu não via lá muita carne… Só ossos, muitos ossos. A carne já mal existia.
Credo, o que é que eu fizera de tão mau para ir parar ao Inferno? Ou pior… Aquele sitio era aterrador, completamente aterrador, e eu não tinha companhia.
-Oh Minha Deusa! –Exclamou uma voz do outro lado da rua. Os meus olhos revistaram-na, à procura da origem do som, mas não encontraram nada… Até… -Conseguiste fugir? Como?!?
Alguém corria velozmente na minha direcção, fazendo os meus joelhos tremer de medo e um arrepio subir-me pela espinha… “Por favor não me comas! Por favor não me comas!” Sussurrava a voz estúpida e cobarde que toda a gente tem na cabeça.
No entanto, não foi bem isso que me apareceu à frente.
-Anda, eu levo-te à Zoey! –murmurou um homem possante, agarrando o meu braço –É perigoso andar aqui à noite. Jack, por favor, tem calma.
Olhei, embasbacada, para o homem que se erguia à minha frente… Era… Bem, era lindo – e parecia uma montanha.
-Mas Dário! –sussurrou a primeira voz que eu ouvira, provavelmente a do tal Jack. E nesse momento, surgiu um rapaz mais pequeno e magro, com o cabelo loiro desalinhado e com um aspecto sujo –Ela conseguiu fugir! A Zoey tem de saber! Talvez tenhamos de mudar os nossos planos e…
Deitou-se numa longa conversa com o suposto Dário… Zoey? Não me dizia nada. Dário? Só me dizia que era lindo e sensual. Jack? Bem… Só me dizia que parecia ligeiramente histérico e sublinhava algumas palavras de um modo estranho.
E depois olhei melhor… Muito melhor, para as caras deles. Olhei o suficiente para distinguir, ao de leve, um esboço de meia lua e uma meia lua preenchida, decorada com vários padrões ao longo da cara… Mas como é que eu não vira logo?
Arranquei o braço da mão de Dário, demasiado distraído para me agarrar correctamente, e fiquei ali, a fitá-los enquanto conversavam.
-O que foi? –perguntou Dário, interrompendo-se. –Alguma coisa errada?
Não consegui falar. Limitava-me a fixar a sua tatuagem brilhante com um misto de surpresa e horror.
-O que foi? –repetiu, hesitante. Um facto: Não tinha jeito para adolescentes em estado de choque. Mas também não me tinha batido, por isso…
Engoli em seco, tentando suprimir as palavras menos próprias que faziam a minha garganta flamejar. Eu nunca tivera uma opinião formada sobre os vampyros… Conhecia quem gostasse, quem fosse imparcial e quem os odiasse… Eu simplesmente nunca tinha pensado no assunto. No entanto, agora estava a olhar para um campo desolado e cheio de morte… E só estavam ali eles… Só podiam ter sido eles…
Afinal, eles vinham mesmo do Inferno… Era lá que eu estava, certo?
-Hum… Dário –chamou Jack. O meu olhar permaneceu estático –Eu acho que ela… Hum… Foi Marcada à pouco tempo!
Hum? Marcada? Eu? Mas o que raio é Marcada? Bem, eu sinto que tenho a obrigação de saber, mas simplesmente não me consegui lembrar onde já ouvira aquilo…
-Achas? –perguntou Dário, parecendo observar-me com mais atenção.
-Acho –respondeu o outro –Ainda está meio esbatida, vês?
E depois passou os dedos pela minha testa.
Quase que consegui ouvir um “click” no meu cérebro, porque de repente tudo fez sentido: A excelente visão nocturna (pela qual só tinha dado agora, dado não haver luz), a mulher a entrar no quarto, a dor de cabeça horrível, o facto de falarem comigo como se fosse dos deles, os dedos dele a percorrer a minha testa…
Mas como? Bem, fosse como fosse, eu não estava morta, e isso era bom. Queria lá saber do resto.
Mas havia algo que não batia certo… «Está errado. Tu devias… Bem, ela não te Escolheu, mas eu Escolho-te! Tu pertences-me, e não partirás já!» ecoava na minha cabeça… OK, isso não fazia sentido. Nem aquele caos todo.
-Onde… Onde é que estou? – forcei a minha voz a perguntar.
-Estás perto da Casa da Noite de Tulsa, estás em Tulsa, No Oklahoma. – esclareceu Jack.
Abafei um grito. ONDE? Era impossível, eu vivia em Washington… E havia uma Casa da Noite naquele sitio, isso eu sabia muito bem…
Mas depois o nome Tulsa trouxe-me outra memória…
A memória de à dois dias, no noticiário das cinco… E em todos os Canais.
«Ninguém sabe ainda o que se passa em Tulsa, Oklahoma. Não há registo de qualquer chamada vinda de lá, ou de qualquer chamada atendida. As empresas eléctricas afirmam que a sua energia continua a ser utilizada, mas que não sabem onde, apenas nos sabem dizer que usam agora dez vezes menos energia do que ontem de manhã. As estradas estão bloqueadas de uma forma inexplicável, como que uma barreira intransponível, como explica o general Lewis, comandante das forças armadas.
»O tráfego aéreo está também em pandemónios e não é possível circular na zona devido à enorme praga de Corvos.
»Tulsa não dá noticias de vida nem de morte, e está agora isolada do resto do seu estado. Várias pessoas residentes nas proximidades ofereceram-se para vir explicar o caso e… »
Bem, depois disso tinham-se seguido várias mulherezitas velhas a falar sobre corvos, alguns tarados a dizer que aquilo era obra dos Vampyros (que eram sempre culpados quando algo assim acontecia…) e outra meia-dúzia de pessoas a relatar o que tinha acontecido na altura em que Tulsa se “fechara” do resto do Oklahoma…
E eu estava em Tulsa, no Oklahoma.
-Achas que devemos levá-la? –perguntou Dário.
-Não sei… Acho que a devíamos levar porque…
Jack foi interrompido por um horripilante crocitar, um som que percorreu o ar e quase me furou os tímpanos.
Olhei para o céu, em busca da origem do ruído, e deparei-me com um vulto preto lá no alto.
-Estivemos cá fora tempo de mais… -murmurou Dário.
Jack protegeu as mãos com a cabeça, todo choroso, e começou a correr, pegando num enorme saco de plástico que tinha pousado.
Dário esticou a mão para mim.
-Vem, nós damos-te abrigo.
Mas eu não o ouvi. Estava demasiado petrificada de Terror… «corvos… corvos a travar o Tráfego aéreo… Os pássaros não voavam tão alto… Ou não deviam.».
Ignorei os resmungos e chamamentos de Dário e desatei a correr, tentando escapar à criatura que, de qualquer maneira, me tinha assustado de morte.
“Por amor de Deus, Savanna! É só um pássaro!” gritava um lado de mim. O outro lado de mim dizia que eu devia continuar a correr.
-Savanna! – ouvi o meu nome a ser gritado, quando um vulto correu na minha direcção. Estava farta de vultos.
Uma mulher ruiva, alta e bonita chegou perto de mim, apertando-me num meio abraço. Não reagi, tal era o pânico ainda dentro de mim.
-Voa mais alto, meu filho, que aqui não encontras jantar! – gritou a mulher – e, por mais espantoso que pareça, ele ouviu-a e fugiu, ainda a crocitar.
-Anda filha, eu levo-te para dentro – disse a mulher, com uma voz calorosa. Depois deitou-se a explicar-me tudo –Eu sou Neferet, Sumo-Sarcedotista da Casa da Noite de Tulsa. E é aí que tu estás. Ah, e não te preocupes com ele – fez um aceno de cabeça na direcção do céu –É só mais um Corvo esfomeado. Eles nunca te fariam mal!
“Talvez não a mim, que sou uma aberração…”
-Eu… Eu… O que é que se passa aqui? – perguntei, com a voz trémula. Tinha medo. Medo do pássaro. Medo da Neferet. Medo de mim.
Neferet suspirou, com um ar triste, melancólico e cansado.
-Infelizmente, os humanos esqueceram-se de que tínhamos tréguas… Foi horrível, destruíram tudo por onde passaram… E Nyx apoiou-os! – a sua voz parecia conter, agora, um toque de veneno e raiva abafados –Deixou-os destruir-nos, incitou-os a fazê-lo! Imagina, a nossa Deusa virou-se contra nós!
OK, eu sabia quem era Nyx, sabia que os vampyros a adoravam… E sempre ouvira dizer que ela era generosa e pacifica… Ou pelo menos era o que se dizia, quer dizer, vocês sabem como é: Liceus, os factos distorcem-se facilmente.
Nefret prosseguiu:
-Por isso, tivemos de pedir ajuda a outra divindade… Erebus, consorte de Nyx, veio para nos apoiar! E os Corvos vieram com ele, para nos ajudar também!
Ela conduziu-me por centenas de corredores intrincados, num grande edifício da cor das trevas.
-São seis da manhã, tens de ir dormir! Se quiseres, Savanna, podes ficar no edifício dos professores, até eu descobrir como vieste cá parar. Deves saber que Tulsa está isolada.
Acenei, com a cabeça hirta. Ela não parecia minimamente afectada por isso, apenas triste… Muito triste. Veio-me à cabeça que talvez ela não quisesse aquilo, talvez ela fosse obrigada a isso… Talvez ela não fosse má…
Estava cansada, tão cansada que nem me apercebi bem do caminho. Limitei-me a ser encaminhada por vários corredores, até chegar a um quarto pequeno.
Nem me apercebi bem de como é que ele era, limitei-me a deitar-me e a adormecer de imediato.



Tina

4 comentários:

Ines disse...

Uau gostei imenso de ler. Está mesmo fixe.

Que Nyx te abençõe
Bjx ines

Jane disse...

Lindo querida!
Eu disse a Vii para vir também xD
Keep Going Sis!

Jane

Verónica disse...

Oi oi! Ela disse e eu vim xD
Mas porque é que TU não me disses-te?
Mau mau...
Tá linda, mas também já deves estar habituada!

Bjitos:
Vii

Tina disse...

lol!
Obrigada Jane, ela agora não me larga -.-
xD
Obrigada Inês!
E olá Vii!

Bjs,
Tina!