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Contos de Vampiros


Saiu um novo livro de Vampiros em Portugal com autoria de escritores portugueses ;)

- Para os amantes das tradicionais histórias de vampiros que nos últimos tempos têm ficado saturados de ver o seu género de eleição associado mais a enredos onde a tensão se centra na sua essência nos amores e desamores de vampiros teenagers vegetarianos do que propriamente na sede de sangue humano, recomenda-se vivamente a leitura de Contos de Vampiros, editado pela Porto Editora. Trata-se de uma colectânea de contos, coordenada por Pedro Sena-Lino, onde encontramos originais de Ana Paula Tavares, Gonçalo M. Tavares, Hélia Correia, João Tordo, Jorge Reis-Sá, José Eduardo Agualusa, Miguel Esteves Cardoso, Rui Zink e Susana Caldeira Cabaço.
Entre tantos nomes, é possível encontrar todo o tipo de histórias de vampiros, desde as mais clássicas a abordagens mais inovadoras. “Exangue”, de Miguel Esteves Cardoso, é um destes últimos exemplos. Já Rui Zink, com “O monstro”, dá o protagonismo a Helsing, descendente do caçador de vampiros Van Helsing, numa história carregada de ironia onde é abordado o papel das mulheres na sociedade – muito maltratadas pelos principais personagens, diga-se.
Mas quem pretende mesmo histórias de vampiros à moda antiga, não pode perder “Uma noite em Luddenden”, de Hélia Correia, o conto que melhor reproduz o estilo do género e que consegue recriar na perfeição um ambiente sombrio do início do século XIX, em Inglaterra. Está lá o nevoeiro, a igreja, as ruas desertas, o visitante (português) que chega de noite à estalagem, as histórias assustadoras, as maldições, etc. Todos os condimentos de um clássico, curiosamente num conto assinado por alguém (Hélia Correia) que assumiu não se sentir no seu habitat dentro deste género.
João Tordo oferece-nos também uma pequena pérola ao estilo clássico, numa história com crianças de uma pequena localidade de província, que decorre num parque de diversos decadente, onde encontram um funcionário do comboio fantasma que nem se percebe bem se desempenha um papel naquela diversão ou se faz parte da realidade. Quando algo (mau) acontece a um dos miúdos (aquele que mais maltratava o estranho homem), a dúvida torna-se ainda mais pertinente; é essa mistura entre o que é real ou fantasia juvenil que dá cor (de sangue) a esta história de vampiros.
“Sangue azul”, de Jorge Reis-Sá, apresenta a ideia mais original de todas as que cabem neste livro. Após um eclipse do Sol, quando se esperava o regresso da luz, as trevas acabam por decidir ficar para sempre e acompanhamos então o caos que se instala na sociedade. O medo impera (quem não tem medo do escuro, certo?) e a luz surge de onde menos se espera, mas com um custo praticamente insuportável.
Contos de Vampiros é assim uma obra muito equilibrada – tanto quanto é possível sê-lo uma obra onde coabitam nove autores diferentes –, uma aposta ganha que muito honra um género que ultimamente tem corrido o risco de cair na vulgaridade e na banalização.
Uma última nota para a capa, demasiado vulgar para uma obra deste género, o que é uma pena, já que o conteúdo merecia muito mais do que uma face com sangue a escorrer do canto da boca.

Espero que gostem meus vampiros sedentos!

Que nyx nos acompanhe!!

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