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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Abandoned: Inesperado

Inesperado
17ºCapítulo

-Nós depois falamos. –respondeu-me, depois virou-se para Elen –Olá! Eu sou o Luke do apelido patético!
-E eu sou o Jason.
-Mãe, encontras-te o ferro?
-Encontrei.
-Onde é que estava?
Ela suspirou.
-Dentro da gaveta pequena do armário.
-Vês?? Eu disse-te, eu disse-te e tu não me ligaste!
-Eu sei, mas sabes, tinha a certeeeza que o tinha deixado na casa de banho!
-Pois, tu tem sempre a ceteeeza que o deixaste na casa de banho!
-Oh! –pois, aquela era uma expressão que elas tinham em comum!
E depois, como se aquela cena não fosse já muito esquisita para mim, Neferet, que andava por ali a passear no meio das dezenas de pais confusos acabados de chegar, veio fazer a sua actuação perfeitamente decorada.
-Muito boa noite, Sr. e Sra. Stevens. Sabem que os horários na Casa da Noite são diferentes, então gostava de pedir que os aceitassem por uns dias, para ser mais cómodo para nós e para eles. Já agora, gostavam de ficar nos alojamentos da Casa da Noite, aqui ao lado, ou arranjaram um sitio para ficar?
-Já arranjamos, obrigado –respondeu William.
-Muito bem. O pequeno-almoço é servido aqui, para quem quiser, às nove da tarde, por causa das ferias. –e foi-se.
-Como é que ela sabia os nossos nomes? –perguntou Elen.
-Primeiro estão comigo, e tu és parecida comigo, e segundo os vampyros sabem sempre mais, principalmente Neferet. –respondeu Alisha. Quem me dera que Neferet não “soubesse sempre mais”…
Já estava a virar-me para acompanhar Alisha e os pais, quando a pior coisa que podia ter acontecido aconteceu.
O carro Dele.
Isso queria dizer que Ele estava ali.
-Zoey, vens?
-Já vou, vão andando que eu já vou lá ter.
-OK… Vem ter connosco ao dormitório.
-Sim.
Fiquei ali à espera que o carro estacionasse, e fiquei no passeio, à espera que eles saíssem.
Se pensei em fugir? Eu não pensei, eu estava a pensar, mas não ia servir de nada.
-Oh, Zoey!
Ela veio a correr na minha direcção e abraçou-me, com os olhos lavados em lágrimas.
-Olá mãe.
-Zoey… -gemeu –Zoey, não me fales assim…
-Levanta-te Linda, estás a sujar-te toda.
Ela não o questionou e levantou-se. Que lata! E vinha pedir para EU não falar assim?
-Zoey –disse ele, olhando para mim.
Não respondi.
-Zoey –repetiu.
Voltei a não responder.
-Zoey –a voz já denotava raiva.
Fiquei em silêncio.
-ZO
-Se está à espera que o comprimente, então pode ficar calado. –interrompi. Tentei manter-me seria, mas era difícil com tanta raiva a ferver dentro de mim.
-Zoey M…
-Chamo-me Zoey RedBird agora.
Ele começou a bufar, quase como se me fosse bater.
-Então querida, como é que está a correr a escola? –entreviu a minha mãe.
Nessa altura ele passou-se. Virou-se para minha mãe e pregou-lhe um estaladão na cara, que a atirou ao chão.
Todo o parque, antes ruidoso e confuso, parou e calou-se. Todos olhavam para a cena: Um homem, a bufar de raiva ainda com a mão erguida, uma mulher, pequena e indefesa, caída aos seus pés, a engolir as lágrimas.
A cena era tão detestável que me apetecia saltar para cima de John e arrancar-lhe um orelha à dentada –não comentem –mas contive-me, e limitei-me a passar ao lado dele para ajudar a minha mãe.
Ele agarrou-me pelo ombro, com tanta força que a vontade de lhe arrancar uma orelha cresceu.
-Onde é que vais? –perguntou.
-Ajudar a minha mãe –respondi.
-De que ajuda é que ela precisa?
Depois rebentei. Não queria saber se estavam todos a olhar para mim, se era o alvo das atenções de uma centena de pessoas, até podiam ser um milhão: tinham sido três anos, e eu não aguentava mais.
-ELA PRECISA DE AJUDA PARA REPARAR A MERDA –sim, eles ficaram chocados, mas já que ia ser comentada, dizia tudo o que queria – QUE VOCÊ FEZ! ENTÃO SIM, VOU AJUDAR A MINHA MÃE PORQUE ELA PRECISA!
-Tu não falas assim comigo…
-Vai bater-me? Desculpe, penso que não deseja humilhar-se mais!
Sacudi-o e continuei.
Ajudei a minha mãe a levantar-se.
Nesse momento Neferet continuou a sua rotina, quer por maldade, quer por simpatia (Bah!) e toda a gente fez o mesmo.
Comecei a afastar-me, sob o olhar atento dos miúdos, e sem ligar à suplica silenciosa da minha mãe despedaçada.