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Abandoned: Livros

Livros
16ºCapítulo

Uma vez no dormitório, Alisha fez questão de levar Lord ao nosso quarto.
Ambas ficamos decepcionadas quando percebemos que ninguém deixara lá as coisas habituais para gatos.
-Mas… Mas tu disseste que deixavam! Que injustiça! O meu gatinho não é menos que os outros.
A cara de Alisha era a de quem seria capaz de esganar alguém.
-Calma Al –não conseguia evitar sorrir –talvez se tenham enganado…
-E depois! Eu quero as minhas coisas!
Apesar dos problemas dela, Lord parecia não se importar com aquilo. Entrara no dormitório e olhara à volta, observando tudo com um ar avaliativo. Mal acabara a sua “avaliação” subira para cima da minha cama, e fora espreitar Nala.
Esta levantou-se, olharam-se longamente, depois Nala soltou um “Miauff” que dizia mesmo “Agora vou ter de partilhar o quarto… Desde que não venha para a minha cama!” e voltou a enroscar-se na almofada.
Lord chegou ao pé dela, ignorando aquele seu ultimo “comentário”, e esfregou a cauda no pelo macio das costas dela.
Nala respondeu mudando de posição.
-Ele parece não se importar Al, e tu também não devias.
-Oh!
-Anda, não disseste que a tua mãe chegava hoje?
-Chega. A tua avó também, não é?
-Sim.
-Então anda, acho que a minha mãe não demora muito.
Descemos rapidamente as escadas, deixando Lord lá em cima a explorar o pequeno quarto. Luke estava lá, a falar com um miúdo qualquer.
-Anda Luke, vamos buscar os pais da Al! –chamei.
-Ah, Zo! –exclamou, depois aproximou-se de nós, seguido pelo outro rapaz –Este é o Jason Handler, conhecemo-nos quando entrei para a Casa da Noite.
Depois virou-se para o rapaz.
-J., estas são a Zoey RedBird, a Iniciada esquisita de que te falei, e a Alisha Stevens, companheira de quarto da Zoey.
-Olá! –disse Alisha, sorrindo para o rapaz.
Mas eu estava tão atordoada que nem sequer protestei. O rapaz à minha frente tinha cabelo loiro escuro, com algumas madeixas de mais claras e cabelo completamente despenteado –o que lhe dava um ar ainda mais giro. Os traços eram definidos, suaves, doces… e os olhos tinham uma estranha tonalidade azul, que parecia oscilar entre uma cor arroxeada e um tom acinzentado. Digamos serem olhos cor-de-azul-meio-roxo-com-traços-de-cinzento.
Mas a melhor parte era o sorriso. A pele bronzeada –que acho que não descrevi à bocado –mal se enrugava quando sorria, um sorriso tímido, gentil, e devia ser essa a sua personalidade.
Alisha deu-me uma cotovelada nas costas.
-Estás a fazer figura de parva!!! –murmurou, quase imperceptivelmente. Foi quando me dei conta de que eles estavam a olhar para mim.
-Olá, sou a Zoey, prazer em conhecer-te. –e, como acontece sempre que fico nervosa, disse a primeira coisa que me veio à cabeça –Onde é que estiveste? Não te tenho visto por aqui.
“Merda, merda, merda! Tinha que fazer porcaria!”.
Por sorte, ele não percebeu.
-Fui a Paris.
-A Paris? –não estava à espera da resposta, pensei que ele fosse dizer qualquer coisa como “estive no dormitório dos rapazes” ou assim… Afinal não foi uma pergunta muito estúpida… Ainda bem!
-Sim, Paris.
-Ele ganhou o campeonato de esgrima nacional -o que inclui TODAS as Casas da Noite nos Estados Unidos –e como prémio teve direito a fazer dois meses de intercâmbio numa Casa da Noite da Europa à escolha, e a um portátil muito giro.
-A sério? Isso é incrível, muitos parabéns! –aquilo não era nervosismo, era a personalidade entusiasta de Alisha.
-Obrigado… -desgraçado do rapaz…
Ficamos alguns momentos a olhar uns para os outros, num silêncio constrangedor. Quando deixei de o aguentar, arranjei coragem para falar.
-A… A tua mãe deve estar a chegar Al.
-Oh, pois. É melhor ir. Vêm? -perguntou ela, seguindo a minha deixa.
-Claro.
-Sim, porque não?
Apressei-me a sair pela porta.
“O Zoey, agora não! Por favor, agora não!” dizia para comigo. Será que três rapazes não bastavam? Mas ele parecia tão… simpático. Fazia-me sentir bem, e ainda só me tinha sorrido… Mas porque é que será que eu tenho tendência para a atracção? Não basta já eu ter centenas de problemas? Quer dizer, anda ninguém sabia se eu sobrevivia à mudança, nem eu sabia se sobreviveria à próxima semana, com o meu pequeno “programa” de “visita turística às grutas”… E agora somamos-lhe o facto da cabra da Afrodite não querer vir comigo… Acham mesmo que iria resultar?
Alisha juntou-se a mim.
-Mais devagar Zo! Os rapazes estão a ficar para trás! Ou será esse o teu objectivo? Não parecia quando estávamos na Sala Comum mas…
-Importas-te de ficar calada?
-Na verdade, importo.
Acelerei o passo.
Ela deu uma corridinha para me apanhar.
-Vá lá Zo! Não podes ignorar isso!
-Não só posso como estou a fazê-lo.
-Não, não estás “a fazê-lo” coisíssima nenhuma. Estás a “tentar fazê-lo”, e não vai dar resultado.
-Al, confia em mim, ele não vai querer andar comigo.
-Oh, vá lá! Não o viste a olhar para ti? Era mesmo nisso que ele estava a pensar…
-Eu não digo que ele não “gostava”, digo que era melhor se não o fizesse.
-Oh, porquê Zoey?
-Tu não conheces o meu histórico amoroso.
-Estás a dizer-me que não existe? Isso quer dizer que tens vagas!
-Não, estou a dizer-te que está lotado.
-Não me pareces muito lotada…
-Isso é porque é impossível estar com algum.
-Então estás disponível.
-Al, o meu histórico não era nada extenso, e continua sem ser, o problema foi que ele conseguiu aumentar nas ultimas semanas num valor demasiado grande para alguém como eu.
-Conta-me.
-Não posso contar-te sem me achares uma galdéria.
-Zo, eu já te acho uma galdéria, se isso ajudar a tua boca a abrir-se. Mas despacha-te!
Mantive-me em silêncio.
-Zoey!!
-Desculpa, mas não te posso contar porque isso envolve muita coisa que não podes saber.
-Então omite essas partes.
-OK.
Continuamos a andar.
-Então?
-Disseste para omitir o que não pudesse contar, e eu omiti.
-Zo! –gemeu –Não pode ser isso tudo! Então diz-me, quantos foram?
Hesitei.
-Zo…
-3.
-Ao mesmo tempo?
-Mais ou menos… Sabes, tinha problemas com dois.
-Não te davas bem?
-Dar dava, e muito! –“até demais…”- Mas não podia ficar com eles.
-Mais uma vez, a tua vida dava para fazer uma novela… Ou talvez uma saga de livros.
-Achas mesmo? E chamamos-lhe o quê? “A Rapariga Com As Marcas Esquisitas Que Não Sabia Que Rapaz Escolher Ou O Que Fazer Com Eles”?
-Não, o titulo ficava muito comprido… Tem de ser algo que chame a atenção e que diga respeito ao tema…
Já tínhamos chegado ao parque de estacionamento, sentámo-nos num dos bancos dispostos à frente do mesmo e ficamos à espera dos pais de Alisha.
-Já sei! “Voltas Amorosas De Uma Vampyra”.
-A sério: Parece-te um bom nome?
-“Nocturna Sedução”?
-Parece-me um bom livro para ser proibido pelo Povo da Fé…
-E era. O que o tornaria ainda mais procurado!
-Não me parece.
-Hum… Depois pensamos nisso, acho que aquele é o carro do meu pai.
Pelos portões de ferro aparecia agora um carro preto, que me pareceu um Audi A5. Estava a estacionar exactamente do lado oposto aquele onde nos encontrávamos, mas depois deu a volta e estacionou à nossa frente.
De dentro dele, do lado do condutor, saio um homem. Era baixo, com cara redonda, bigode, e um grande sorriso. Tinha uma pequena careca no cabeça, e vestia um fato feito à medida. Fiquei surpreendida por ser o pai de Alisha.
-PAI! –grito ela, e atirou-se para cima dele.
Do outro lado saio uma mulher, a revirar os olhos.
-Vês? Eu não te disse que elas estavam aqui?
-Sim querida, disseste –respondeu o homem, num tom aborrecido.
-Olá –virou-se para mim –Deves ser a Zoey! Já ouvi falar de ti! Sou a Elen Stevens, mas trata-me por Elen.
-Muito prazer.
-Oh, deixa-te disso! Podes falar comigo normalmente.
E já sabia a quem é que Alisha se saia. Aquela mulher alta, cabelos pretos, pele muito morena e olhos castanhos era igualzinha a ela, quer nas feições, quer na personalidade. Alisha apenas herdara duas características do pai: Os olhos lindíssimos e o sorriso, que fazia as mesmas covinhas.
-Ok… Elen.
Ela sorriu.
-Hei… São os teus pais Al? –perguntou Luke, vindo sabe se lá de onde.
-São –respondeu ela, com um sorriso –mãe, pai, este é o Luke Nolls –nem vale a pena comentarem o apelido –e o Jason Handler.
-Olá! Sou a Elen Stevens e este é o meu marido, William Stevens, eu adoptei o apelido dele. –apresentou-se Elen.
Depois lembrei-me.
-Mas onde raio é que vocês estiveram?

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