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Abandoned: Sede de Destruição

Sede de Destruição
15ºCapítulo
Tanto eu como Luke esperamos pacientemente pelo fim daquele abraço caloroso sem fazer qualquer comentário.
No entanto Alisha parecia não querer largar Lord, o que pareceu deixar este deveras impaciente –com a sua agilidade natural começou a deslizar suavemente para cima, como uma cobra a passar por um buraco.
Mas Alisha não deixou. Levou a mão à cauda comprida e delgada do gato e deu-lhe um violento puxão.
Grande erro.
Lord soltou um pequeno rugido, selvagem e furioso, e cravou-lhe as garras afiadas na zona nua mesmo abaixo do pescoço.
Alisha gritou e deu um salto para trás, mas mesmo assim dando tempo para que Lord lhe subisse para o ombro e ficasse a fitar-me profundamente, a avaliar a minha reacção.
Não percebi o que quereria avaliar, porque é que aqueles pequenos olhos me fitavam como se eu fosse um animal esfaimado com um suculento bife à frente, porque é que parecia prestes a saltar para cima de mim, porque é que…
E depois percebi.
Não porque a minha mente funcionava como a de qualquer um e eu já devia estar preparada para aquelas situações, mas sim porque o cheirei… O cheiro delicioso, quente e selvagem daqueles dez pontinhos carmesim… Daquele liquido quase nada afectado pela mudança… O cheiro do sangue…
Deixaram de existir expectativas. Deixaram de existir problemas, enigmas ou mesmo factos. Agora só existia eu –eu e aqueles deliciosos dez pontinhos.
Estava pronta para saltar, para me colar ao pescoço dela e chupar o seu sangue, e com ele a sua vida, até ao ultimo mililitro.
Mas antes mesmo de o fazer uma voz –e como eu a odiei naquele momento! - conhecida chamou uma parte de mim (e foi uma parte mesmo muito pequenina) a realidade.
-Zoey? –Oh, maldito Luke! –O que é? Zoey? Zoey por favor! Estás a assustar-nos!
-Sim!! Pára! –corrobou Alisha.
Mas eu não podia. O sangue chamava por mim. Ele queria que eu fosse até ele… Que eu o bebesse… E eu ficaria eternamente grata quando ele me tocasse os lábios e saciasse a fome adormecida dentro de mim.
“Pára!” gritou uma voz, algures dentro de mim “Não podes fazer isso! Pensa Zoey! Serás mesmo esse monstro? O monstro capaz de destruir a tua amiga?”
“Sim!” gritava o monstro. Mas eu não podia dizer o mesmo. Seria? Era mesmo eu o monstro capaz de destruir vida e amizade pelo ensejo de algo? “Uma criança mimada e insuportável! Precisas de aprender que aquilo que queres não é o que tens de ter!” John Heffer gritava dentro da minha cabeça. Os seus olhos faiscavam na minha direcção “Tens de aprender isso! Enquanto eu cá estiver passarás a dar ouvidos ao Senhor! Não a um estúpido desejo!”
-Não! –gritei. E cai de joelhos –Eu não fiz isso… Apenas… Apenas pedi que me deixasses ir! Estou farta desta vida! Farta!
“O Senhor deu-te centenas de oportunidades! Disso eu sei! Ele dá-as a toda a gente! Mas tu escolheste o caminho errado! Sempre o caminho errado!”
-Não! Não escolhi! Eu escolhi o que queria! Não consigo perceber! Porquê? Porque é que me tratam assim?
“Eu não te trato de maneira nenhuma! Trato-te da maneira que mereces, e não mais do que isso! Vais por caminhos errantes! E agora levanta-te! Antes que a tua mãe chegue e se depare com esse triste espectáculo!”
-Eu…Eu…Eu…
Engasguei-me.
De repente, voltei à lucidez.
Mas que raio? O que é que acabara de acontecer?
Olhei em volte.
Luke e Alisha –que segurava um papel em cima dos pequenos golpes –olhavam para mim. Ora porra! Devia ter estado a gritar as desculpas para o ar!
Eu sabia o que tinha visto. Tinha visto uma cena que se passara dois meses depois de John Heffer entrar na vida da minha mãe, quando lhe pedira se podia sair com Kayla e ele começara a estrebuchar e a dizer-me coisas terríveis sobre falta de moral e escolhas erradas. Bah!
-Alisha? Luke?
-Zoey… Sentes-te bem? –perguntou Luke, reparei que me olhava de modo estranho. Oh, outra vez não! Será que a minha vida eram só coisas daquele género?
-Sinto, eu… Desculpem… Acho que era… sei lá!
-Era como… como se estivesses a delirar Zoey. –disse Alisha.
-Pois… sabem, pode ter sido do local… Acho que este sitio tem uma presença muito forte dos 4 elementos, isso pode afectar… aaa… a minha forma de pensar! –conclui, de uma forma desajeitada. Não me tinha surgido outra coisa que lhes pudesse dizer.
-Pode? Bem, então deve ser terrível essa tua afinidade… -respondeu Alisha, sem se aproximar.
Suspirei.
-E é, quando quer. Não precisam de olhar para mim assim, não vos mordo!
Ri-me da ironia das minhas palavras, no entanto eles acharam o meu riso encorajador e acreditaram em mim. Quem me dera que tivesse sido assim com os outros!
E com todos aqueles pensamentos levantei-me e acompanhei-os de volta aos nossos passeios sem destino.
Eles olhavam-me de forma estranha, mas acreditavam porque não tinham outra explicação. Não tardou a que estivéssemos outra vez a conversar e a rir, e eu a esquecer aquele momento de obsessão.
Mas Lord não esquecia, ele sabia o que eu tinha –mais, ele sabia mais do que eu –e parecia estar atento aos meus movimentos.
O quê? Agora andava a ser vigiada por um gato? Bem, eu tinha de resolver muita coisa na minha vida!

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