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sábado, 14 de novembro de 2009

Abandoned: Pesadelo

Capítulo 12
Pesadelo


Foi o sonho mais estranho que já tive.
Eu estava a olhar para Stevie Rae, mas não pensava como se fosse eu, mas sim como se fosse ela. Estava dentro da cabeça mas fora do corpo. Logo eu estava a olhar para mim, certo?
De qualquer maneira, aquilo não batia certo.
“Eu estava ali à cerca de duas horas, a chorar contra a pedra fria, húmida e fétida. Eles já tinham partido à imenso tempo, no entanto eu não os via, ouvida ou cheirava, a única coisa que dava para cheirar era Gisele, uma vampyra qualquer ex-iniciada que decidira ficar para trás, como eu.
O lesma do Elliot tinha ido à frete, ele podia ser um bronco, mas no que tocava a arranjar comida ele era o mestre. Eu não gostava daquelas coisas. Eram nojentas! E depois havia Neferet, sempre por ali a pavonear-se pelos corredores e a dar ordens, inclusive a mim, como se não passasse de mais um monte de sangue e carne podre. “Maldita curadora!” pensava, sempre que ela o fazia “Pensas que podes dar ordens à senhora da terra? Não passas de uma cínica de merda!”. E também não me podia ler os pensamentos, ou lá o que ela fazia, ou parecia que não pela sua expressão frustrada.
Mas não era por isso que eu estava a chorar, não era por isso que sempre que eles saiam ou não estavam por perto eu me desfazia em lágrimas… Isso acontecia porque ela tinha despertado em mim um lado que eu pensara ter sido roubado… Ela prometera vir, mas ainda não viera… Era certo que ela devia ter coisas para fazer, mas eu não tinha, por isso os meus dias tinham-se transformado numa terrível monotonia.
Ouvi passos ao longe.
“Maldita Gisele…” comecei, mas depois percebi, pelo cheiro, que não era só uma pessoa/ser/coisa, mas sim um monte delas.
Limpei rapidamente as lágrimas à manga do trapo que era (ou tinha sido) a minha T-Shirt e levantei-me, pondo uma expressão dura no rosto.
Mas depois ouvi os gritos, e o sangue podre nas minhas veias gelou. Era um homem, desta vez parecia ter uns cinquenta anos –prova de que eu tinha um excelente olfacto.
-Larguem-me! Quem raio são vocês?!? Larguem-me!!!! Parem, por favor!
Deixei-me ficar no mesmo sitio.
“Alguém inocente… Ele não podia fazer nada em relação a nós… Estava no sitio errado à hora errada… Isso não era nenhum crime…”
-Vens? –perguntou Vénus, chegando ao pé de mim.
Que escolha é que eu tinha? Estava a morrer de fome, e se não fosse iam duvidar de mim.
Segui-a rapidamente.
Seguimos por centenas de corredores intrincados (ou terão sido só meia dúzia? Estava escuro como breu!) e chagamos às velhas celas.
Um grupo de criaturas a cheirar a mofo –ou a cheirar a mim –estavam já agrupadas à volta de um homem alto, com barba e cabelo grisalho –cinquenta e tal anos como eu disse –e uma expressão completamente horrorizada, enquanto berrava a plenos pulmões.
-Parem… Vão arrepender-se!! Mas o que raio são vocês?? Eu tenho família! Tenho filhos! Deixem-me em paz e voltem para o sitio de onde vieram! Voltem para aquela maldita Casa da Noite!! Parem! Vão arrepender-se!
-Nósss não viemoss da Cassa da Noite… E não noss arrependemoss! –sibilou aquele nojento monte de porcaria que era Elliot.
-Vai acontecer! Eu sabia! Eu previ!! Como podia não o fazer?!? Era tão Obvio! VAI ACONTECER!!!”
Depois Stevie Rae e os outros debruçaram-se sobre o homem, e eu acordei sobressaltada.
Ainda ofegava na cama quando alguém abriu a porta de rompante.
-Viste aquilo? –perguntou Afrodite.